quarta-feira, 17 de julho de 2013

Minha opinião sobre o livro_Cisnes Selvagens - três filhas da China-

Cisnes Selvagens
Três filhas da China
de Jung Chang
Grande romance da era pós-Mao, num retrato comovente e doloroso da repressão e da violência no regime comunista chinês.
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 520
Editor: Quetzal
ISBN: 9789725647967
Coleção: Serpente Emplumada

SINOPSE:
Jung Chang decidiu escrever a história da sua família como parte da história da própria China. Começou com a avó, Yu Fang, que aos 15 anos de idade, em 1924, foi obrigada por seu pai a casar-se com um general que já tinha três outras mulheres. Esse era um tempo em que as mulheres ainda eram obrigadas a esmagar e manter amarradas as articulações dos pés, para que seu andar fosse tão gracioso como o movimento dos cisnes nas águas de um lago tranquilo. O resultado é Cisnes Selvagens, um romance fascinante e poderoso, que atravessa três gerações de mulheres de uma família que viveu o entusiasmo, a repressão, a violência e a degradação do regime chinês e do maoísmo. Tendo vendido mais de 80 000 exemplares em Portugal, a Quetzal orgulha-se de relançar esta obra fundamental para compreender a Revolução Cultural chinesa e o regime violento e opressivo que não sobreviveu a Mao Tse Tung, de que Jung Chang também escreveu uma biografia inovadora e polémica.



Outras capas:









Minha Opinião:

Este livro foi-me oferecido pela minha irmã mais velha, no Natal de 1996. Recordo que quando vi o livro tive logo vontade de o desfolhar, no entanto na época andava na faculdade e não consegui dedicar a atenção que ele merecia, tendo desta forma colocando-o de lado, para mais tarde poder dar-lhe toda a minha dedicação, que um livro destes merece. Sempre que olhava para ele, e mesmo agora que o terminei, vem-me sempre uma imagem à cabeça,a tortura que é elaborada para que as chinesas tenham os pés pequenos, facto que agrada muito os homens. Para isso andavam sempre com os pés muito bem amarrados e quando cresciam partiam os ossos para que o pé não cresce-se mais.

No domingo voltei apegar neste livro e quando comecei a desfolha-lo pensando que já não me recordava do enredo, fui mais uma vez surpreendida, existem histórias que não se esquecem, principalmente quando são verdadeiras. Após uma breve pesquisa na internet, depois de ter devorado literalmente as 200 páginas que faltavam para terminar o livro, encontrei este texto que resume de uma forma simples de que se trata este livro, que desde já o recomendo vivamente, para quem gosta do género, claro.

Aqui fica o texto que encontrei na internet:
"Cisnes Selvagens – Três filhas da China’ é uma autobiografia, apesar dela só entrar na terceira parte da história, já que antes conta a história de sua avó e de sua mãe. Uma história da família, diremos assim, que retrata a vida da China do século 20 através da vivência de três gerações de mulheres que passaram por situações de luxo e de extrema pobreza, de alegrias e tristezas profundas, de dor e de luta. Ela começa o livro contando a vida de sua avó, que nasceu em 1909, no final do Império Manchu, que ainda teve os pés deformados pelos costumes da época e aos 15 anos foi entregue como concubina de um influente político/militar. No meio da confusão política e administrativa por que passava a China, com a derrubada do Império e instituição da Republica (que já nasceu completamente desestruturada e logo foi derrubada), nasceu sua filha (mãe de Jung Chang).
Sua mãe, aos 15 anos entrou para o Partido Comunista e lutou avidamente pela libertação da China. No auge da revolução ela conheceu o pai de Jung e casaram-se em meio às rígidas regras impostas pelo regime. Quando a Revolução Cultural começou, Jung era adolescente e chegou a participar do Exercito Vermelho. Os pais foram considerados ‘seguidores do capitalismo’, perseguidos e torturados. Foi quando ela começou a questionar as acções do governo e a real intenção da revolução.Esse livro foi publicado em 1991, e logo se tornou um ‘Best seller’ premiado. Foi traduzido em 30 idiomas e vendeu mais de 10 milhões de cópias. Hoje está na 18° edição, se não me engano, fora as edições de bolso, que entram numa outra contagem. Ele é proibido na China também, mas há algumas versões não oficiais vindas de Taiwan e Hong Kong circulando por aqui! =]Li Cisnes Selvagens depois de ler a Biografia de Mao, o que de certo modo, achei que facilitou minha vida. Como não conhecia quase nada da história recente (e nem da antiga…uiiii) da China, ficou mais fácil de entender os relatos e as épocas que viveram cada uma das mulheres. Quando era citado algum fato histórico, eu já sabia do que se tratava, pois nesse livro ela cita vários fatos, mas nunca se aprofunda em explicações históricas. O foco é contar a vida de três gerações de mulheres chinesas. Claro que é a história da vida dela e da família. Ela conta como quer, mas por histórias pessoais que li em outros livros, essa não me pareceu nada absurda, como alguns críticos dizem hoje, após a biografia de Mao, que foi editada em 2005. Já citei no outro post que a biografia é muito questionada, apesar de constar uma vasta bibliografia e a autora ter demorado 12 anos para terminar o livro.Sinceramente gostei muito do livro, independente da política, da revolução, da história estar muito ‘floreada’ ou ‘exagerada’, ele relata bem a luta de mulheres para sobreviver no século 20, como tantas outras em tempos históricos diferentes e situações diversas. É um relato apaixonado. Fico imaginando como deve ser difícil você ter que parar e organizar toda a trajetória de sua família, lembrar-se de fatos que talvez fosse melhor esquecer e ainda colocar tudo isso no papel. Esse é um exercício de auto conhecimento e aceitação pessoal sem tamanho.Sobre a China, o livro ajuda muito a entender a relação da mulher com a sociedade chinesa. A falta de valor, o uso como moeda de troca para obter bons negócios ou parceiros (isso vamos ver em outros livros, de outros autores também), e o quanto deve ter sido difícil essas mulheres chegarem à situação social que tem hoje, pelo menos aqui em Shanghai. Sei que no interior do país, na parte mais pobre e que ainda quase não há recursos básicos como água e esgoto (sabe o sertão do nordeste brasileiro? Mais ou menos isso) ainda existe muita discriminação e condições precárias de vida. Mas o que a mídia mostra hoje é a mulher chinesa se impondo, ganhando seu espaço e mostrando que aqui, quem trabalha mesmo, para valer é a mulher! Haja visto que é uma mulher que detém a maior fortuna da China.E também, após esse livro, mais alguma coisa sobre meu olhar para o povo chinês se modificou, se humanizou. Menos julgamento e mais entendimento. Mas isso é algo que todos os livros que li me deram um pouco, me trouxeram informações e pontos de vista diferentes, de épocas diferentes e que fez toda diferença para a minha adaptação e aceitação dessa cultura."
Texto da autoria de Zái Jiàn 
Dado que achei esta opinião brilhante e de um conhecimento muito bem cimentado coloquei-a aqui e espero que gostem como eu tanto da opinião como do site de onde foi retirada, aconselho vivamente a sua consulta.

Boas leituras!

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