quinta-feira, 15 de outubro de 2015

"Escrever" do escritor Luís Abreu

«Sexta-feira lanço o meu quarto livro. Há uns anos, quando comecei a escrever, nunca pensei que isto fosse possível. O AVC até teve vantagens. Estou nervoso. Não com a aceitação ou não do livro – nisso só não quero ter prejuízo –, mas com o evento em si. Tem corrido tudo bem, mas, como dizem os americanos: shit happens. O que é que garante que durante o evento não há alguém que escorrega, que se agarra à toalha da mesa do cattering e deita tudo ao chão? Porquê essa cara? É impossível?
Agora fora de brincadeiras: estou mesmo convencido que é por ser tetraplégico e não por ter talento que consigo publicar. Não estou preocupado. Faço o que gosto. Estaria a mentir se dissesse que o reconhecimento não me diz nada, mas honestamente não é o que me motiva. É o amor que o faz. Amor – forte para fazer rodar o mundo e emotivo o suficiente para me fazer escrever. Amor é liberdade e vice-versa – escrevi um dia. Continuo a acreditar nisso e como conclusão pode-se dizer que escrevo porque sou livre.

Não me interessa escrever bem, até acho parvo que o digam, quero é sentir bem – escrever bem, quando acontece, é um acréscimo. Apesar do amor que lhe tenho, escrever é, fundamentalmente, triste: o tempo dedicado à escrita não pode ser usado para fazer outras coisas que nos fazem felizes. No entanto, como assim não me podem interromper, continuo a escrever. Triste, mas abundante.»
Cumprimentos,
Luís Abreu

4 comentários:

  1. Viva,

    Desde que te sintas bem a escrever isso é sem duvida o mais importante :)

    Abraço

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    Respostas
    1. Olá Fiacha,
      Concordo plenamente contigo;)
      Beijocas.

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  2. Olá
    Espero que tenha corrido tudo bem :)
    Gostei bastante do texto.
    Beijinhos

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  3. Olá,
    Espero que tenha corrido tudo bem e conforme o Luís desejava, assim como espero que continue a fazer uma das coisas que mais gosta: escrever. :)
    Beijinhos.

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