domingo, 31 de maio de 2015

Feliz Domingo...

Bom Domingo...com muitas leituras...ou somente, dormências.

Nova página...

Este sábado decidi criar uma nova página no blogue Atmosfera dos Livros. Essa página vai ser dedicada exclusivamente aos filmes que eu vou vendo e ou que já vi. 

Se quiserem podem ir lá ver o filme deste fim de semana, no separador Filmes ou clique aqui. Espero que gostem.

Beijinhos e boas leituras e filmes.


sábado, 30 de maio de 2015

Minha opinião sobre o livro "Alma Rebelde" da escritora Carla M. Soares

Alma Rebelde
de Carla M. Soares
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 288
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04337-5
Idioma: Português
Preço:12,96 euros

Comecei a ler:28-05-2015
Terminei de ler:29-05-2015

Sinopse:
«No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?» retirado do site wook

Minha opinião:
Mais uma revelação feita este ano de uma escritora brilhante que entra directamente para o rol de escritoras a seguir, felizmente esta é a primeira escritora portuguesa a entrar para essa listinha das descobertas de 2015. Carla M. Soares será sem dúvida uma escritora que vou seguir as suas leituras.

Uma das primeiras questões que se me colocou quando estava ainda a meio do livro, foi o que levou a escritora Carla M. Soares a definir este livro como um romance de época e não um romance histórico. Para mim muito honestamente era a mesma coisa. Depois de muito pesquisar, decidi ir ao blogue da escritora monster blues  e perguntar a ela a distinção. Muito honestamente não contava em obter resposta, mas Carla M. Soares é uma pessoa super acessível e bastante simpática, pois respondeu-me logo no dia e de uma forma e bastante simples de modo a que eu ficasse logo esclarecida do porquê de «Alma Rebelde» ser um romance de época.

A nossa troca de comentários foi a seguinte:
Eu:
«Estou a acabar de ler pela primeira vez um livro teu "Alma Rebelde" e estou a adorar, comecei ontem e devo acabar hoje.
Só gostava se possível que me explicasses uma coisa, pois tenho pesquisado e não encontro nada sobre isso. Qual a diferença entre um romance de época e um romance histórico?
É que depois de ler o livro vou fazer a minha opinião e gostava de referir isso lá mas sem eu saber não posso desenvolver esse facto.
O que eu pensei foi que o romance de época se passa num determinado período de tempo, mas tenho romances históricos como os da Philippa Gregory que também se passam num período de tempo específico e são considerados romances históricos.
Será uma questão de português e somente isso ou existe realmente uma distinção?
Fico ansiosamente a aguardar a tua resposta.»


Carla M. Soares:
«Na verdade, há quem não distinga romance de época de histórico, mas eu faço essa distinção. 
Para mim, o romance histórico foca-se mais na narração e um facto ou de uma época histórica, que é central. Tem em geral uma presença muito forte de figuras conhecidas da História, ou como acontecimentos centrais certos eventos históricos reais. 
O romance de época, para mim, insere-se noutra época história e segue-lhe os preceitos, "sente-se" a época (nos detalhes, nos costumes, etc), mas não está centrado na História... pretende antes narrar uma história de personagens comuns, desconhecidas, inventadas, noutra época. Como tal, a presença das figuras e acontecimentos conhecidos não é central, pode ser até apenas uma referência. 
Não sei se fui clara, nem se a distinção é pertinente, até porque há quem apelide os meus livros de históricos... mas enfim, eu não. :D»

Agora sim já tudo faz mais sentido na minha cabeça, e realmente «Alma Rebelde» é um romance de época.

Posta esta questão de parte vamos ao livro propriamente dito. Mas que livro maravilhoso, adorei a forma de escrita de Carla M. Soares, adorei as personagens, o enredo... bom amei o livro. Graças a Deus que existem bons escritores portugueses.

A história decorre no ano de 1857, pleno século XIX, a capital de Portugal  estava invadida pela febre que tendia a espalhar-se pelo pais. As pessoas tinham medo de sair à rua e as que podiam deslocavam-se para o interior para evitar que a febre leva-se os seus.

Nesta altura os casamentos eram arranjados pelas famílias dos noivos, sem o consentimento dos mesmos, era um jogo de interesses, trocas de dinheiro e de títulos. Logo a ideia de uma rapariga casar por amor, na classe alta, era quase que impossível. Os de classes inferiores esses tinham a felicidade de se poderem casar por amor. 

Joana, uma das personagens principais do livro, nasceu no seio de uma família de classe alta, eram ricos os seus pais, e o seu casamento foi um casamento feito. Ela deixou a sua família na companhia da sua ama, Rosário, que era como uma mãe para ela, e foi a caminho da casa do seu noivo. Esta foi uma viagem muito tortuosa que durou muitos dias e nem sempre deu para ficarem alojadas em casas em hospedarias, tiveram de passar duas noites na carruagem. 
Após todo este "sofrimento" da viagem, que de belo só tinha a paisagem. Pois a própria Joana estava constantemente a torturar-se com o eventual noivo que a esperava, e imaginava conversas, imagens da fisionomia do noivo, sofria pela sua vida, pela sua má sorte de casar com um homem que certamente a ia ignorar na melhor das sortes e na pior até lhe podia bater.
Joana e a sua ama chegam a Pero da Moça, onde a espera a sua sogra D. Ana, o seu noivo não a espera, o que é uma desilusão para Joana e a atira novamente para os seus pensamentos melodramáticos.

Contudo, Joana e D. Ana começam a conhecer-se e gostam muito uma da outra, a  noiva fica deveras feliz por ter uma sogra tão meiga, que a tenta colocar tão à vontade. Joana também adora a casa e o quarto que lhe arranjaram, todos a tratam muito bem, os criados tratam Joana como se ela já fosse a senhora da casa, o que faz com ela se sinta como se tivesse na sua casa. Mas está constantemente a martirizar-se  e lembrar-se que ali nada é dela, ela está ali só para servir o seu futuro marido Santiago. Que tem de ser a Joana educada e não a Joana desbocada que por vezes é. Tem de ter cuidado com tudo o que diz e com tudo o que faz e isso tira-lhe o sono e angustia-a ainda mais pelo facto de não saber como é seu noivo. Pois se este for como o seu sogro D. Miguel será um homem em nada interessante e terá aquele horrível bigode tal como D. Pedro e muitos homens o tinham era moda.

Apesar de todas as pessoas lhe dizerem o melhor sobre Santiago, até uma muito velha criada, de seu nome Brites, dizer que conhecia D. Miguel pai de Santiago desde pequeno e que este último era bom ao contrário de seu pai. Todos gostavam de Santiago e D. Ana amava profundamente o seu filho e dizia a Joana que ela teria melhor sorte que a sua.

Joana conhece Santiago e este não é nada do que ela tinha imaginado. O seu noivo é um jovem de bem com a vida, alegre e sonhador, que tal como Joana também sente que foi usado pelo seu pai, D. Miguel, como uma moeda de troca. No fundo Santiago tem a plena noção que tanto ele como Joana serviram para os seus pais fazerem negócio.

Contudo, Santiago é um optimista por natureza e decide encarar o futuro da mesma forma e cativar a atenção de Joana, dado que esta lhe agradou imenso logo no primeiro vislumbre. Santiago é incansável e faz investidas na sua noiva de tal forma que o amor acaba por ir surgindo inesperadamente dos dois lados. 
No entanto, Santiago é impulsivo e tem um temperamento forte, o que vai por um lado despertar novas sensações a Joana, boas sensações; mas no início lhe causam uma certa incerteza em relação ao seu noivo. Joana com o tempo decide entregar-se aos poucos ao prazer que Santiago lhe dá, o prazer de viver de uma forma optimista e assim recupera a sua fé no futuro e num casamento com amor.

Este não é o típico romance época sensual, muito pelo contrário é um romance de época cheio de ternura, carinho e muito amoroso. Cheio de verdade e de uma forte amizade mas acima de tudo ensina-nos a ter esperança em nós e nos outros e no amor.


Gostei muito dos pormenores das  cartas profundas que transmitiam as preocupações da época, a linguagem própria patente nas mesmas, os receios do casamento combinado, os detalhes históricos (ex.: casamento de D. Pedro com D. Estefânia, as febres que atormentavam Lisboa), a forma como o próprio romance entre os noivos se foi desenvolvendo, entre avanços e recuos apaixonantes...

Gostei muito das personagens secundárias como D. Ana, uma boa mulher a quem a sorte não lhe bateu à porta com o seu casamento com D. Miguel. Adorei as cartas que Ester troca com Joana, e tudo que ela conta a sua prima, desde o desamor do seu velho marido, ao amor pelos seus filhos e sua preocupação com a febre. E a espera que ela tem de se livrar do marido cruel, que é tão mau que nem a febre o leva. Será que Ester vai alguma vez saber o que é o amor?

E o casal principal Santiago e Joana conseguiram eles realmente serem felizes?

Pois muitas coisas vão acontecer e apesar da minha opinião ser longa não opinei sobre o final nem de perto nem de longe ;)

Este livro é lindo e tem um final deslumbrante. 
Contudo reflecti como seria ter vivido naquela época, com casamentos feitos pelos pais, a submissão da mulher para com o seu marido, como se lê nas cartas de Ester a Joana. Devem ter sido períodos horrendos, mas pior ainda é saber que em pleno século XXI ainda existem tradições e que são os pais que escolhem o noivo para a filha, nossa senhora até me arrepio.

Adorei o livro, adorei a escrita de Carla M. Soares, aconselho vivamente a sua leitura, é um romance extraordinário.

Já tenho cá em casa um outro livro desta brilhante escritora "O Cavalheiro Inglês", que será lido logo que a minha mente me puxar para lá, mas agora com a certeza que será um excelente livro.

Gostava de deixar aqui os meus parabéns aos escritores portugueses, em particular a Carla M. Soares, e um muito obrigado pela sua gentileza de me retirar a minha dúvida.

Leiam não se vão arrepender é um livro excelente.

Excertos:
«Estava a horas de distância de Lisboa, mas não havia distância para a memória...a não ser a do tempo. Essa talvez lhe trouxesse o esquecimento das coisas que amava. Esperava que sim. Ou que não, sabia lá.» pág.11

«Tinha saudades do seu quarto, forrado a papel florido e tecidos de cores suaves, vindos de França por insistência da mãe. Do seu piano, da biblioteca cheia de livros que só ela lia.» pág.11

«Para onde vamos?, pensava, enquanto avançavam. Para o fim do mundo? Vou viver o resto da minha vida isolada como uma freira?» pág.45

«Nunca fui dada a superstições ou crendices. Creio em Deus, evidentemente, pois o Senhor há de guiar-me nas horas de escuridão, mas não em milagres ou premonições. Creio que, se fosse um homem, seria um homem das ciências. Gostaria de sair pelo mundo a explorar o desconhecido. Quis o azar que nascesse mulher...enfim, isso não faz de mim uma tonta, por muito que meu pai, meu sogro e o meu futuro esposo me tomem como tal...ah, que importa? O que penso pouco interessa, desde que esteja quieta. Seja. Ainda assim, a verdade é que nunca acreditei em sonhos-e sempre os tive.» pág. 47/48

«Joana, tão inteligente, por vezes demasiado madura...por vezes demasiado irreverente... Ah, outras vezes era a sua Joaninha, a mesma que em menina lhe pedia para afastar as bruxas, varrendo-as para fora da sua porta...» pág.74
Boas leituras!

A escritora _ Carla M. Soares_

Carla M. Soares
«Carla M. Soares nasceu em 1971,em Moçâmedes, no Namibe. De lá, trouxe escassas memórias e a viagem no corpo.
Tem um longo percurso académico. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras de Lisboa e tornou-se professora. Tem o Mestrado em Estudos Americanos, em Literatura Gótica e Film Studies. A tese de doutoramento em História da Arte, na Faculdade onde se formou. A docência tem sido a sua principal actividade profissional.
É, antes de mais, filha, mãe, mulher, amiga. Leitora e escritora compulsiva.
Sempre.

Publicou em 2012 um romance de época "Alma Rebelde", com a Porto Editora, em 2014 entrou na aventura digital, tendo publicado o romance "Chama ao Vento", com a Coolbooks, em 2014 publicou um novo romance histórico, "O Cavalheiro Inglês" pela editora Marcador.» retirado do site wook e da internet

Blogue da escritora é monster blues.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Bom fim de semana...

Bom fim de semana... com muita paz e harmonia e claro com muita leitura.

Feliz sexta-feira....fim-de-semana está à porta...


Feliz sexta-feira...aproveite bem o seu dia.
Boas leituras!

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Minha opinião sobre o livro "Eleanor & Park" da escritora Rainbow Rowell

Eleanor & Park
de Rainbow Rowell
Tradução: Susana Serrão
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 336
Editor: Edições Chá das Cinco
ISBN: 9789897101229
Preço: 15.26 euros

Comecei a ler:26-05-2015
Terminei de ler:27-05-2015

Sinopse:
«Dois inadaptados. Um amor extraordinário.
Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.
Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.
A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.» retirado do site wook

As duas capas a portuguesa e a estrangeira, das duas eu pessoalmente gosto mais da portuguesa.

Críticas...

«Divertido, cheio de esperança, sensual e verdadeiramente de levar às lágrimas, este romance irá conquistar adultos e jovens.»
Kirkus Review


«Este romance lúcido, sexy e terno vibra de punk rock e amor verdadeiro. Os leitores irão deixar-se arrebatar por Eleanor &Park.»
GAYLE FORMAN, autora de If I Stay e Where She Went
«Nunca vi nada como Eleanor & Park. É uma belíssima história de amor. Relembrou-me o que é ser jovem e apaixonado por uma rapariga, mas também ser jovem e apaixonado por um livro.»

John Green, autor de A Culpa é das Estrelas



«A relação pura, de mãos dadas com o medo, e surpreendentemente madura que Eleanor & Park desenvolvem é urgente e de cortar a respiração...e de nos quebrar por dentro.»

BOOKLIST



«Eleanor & Park é um livro tão bom que corta a respiração, sobre o amor entre dois inadaptados.»

STEPHANIE PERKINS, autora de Anna and the French Kiss e Lola and the Boy Next Door



«Doce, ousado e terno...Rainbow Rowell escreveu uma história inesquecível sobre dois inadaptados que se apaixonam. Esta estreia irá abrir o caminho até ao seu coração e permanecer lá.»

COURTNEY SUMMERS, autora de This is Not a Test e Cracked Up to Be



«Numa singular e surpreendente exploração do amor entre dois miúdos descontextualizados e inadaptados, Rowell mostra-nos a beleza das coisas frágeis e quebradas.»
STEWART LEWIS, autor de You Have Seven Messages

Book trailer...
Minha opinião:
Terminei a leitura deste livro à cerca de uma hora, por isso ainda estou dentro do livro. Ainda estou com Eleanor e Park aqui ao meu lado, ou mesmo dentro do meu coração.

Este é um dos livros mais comoventes e ao mesmo tempo mais revoltantes que li este ano. Adorei a escrita de Rainbow Rowell,o modo como ela conseguiu caracterizar as personagens principais e o meio familiar em que estão inseridas. 
Tenho pena que não tenha mais nenhum livro na nossa língua materna, mas há-de ter, um dia, quem sabe.

Eleanor é uma adolescente inadaptada, ruiva e roliça, que vive no seio de uma família completamente desestruturada. O seu pai à muito que não quer saber dela e dos seus irmãos mais novos. A sua mãe, que segundo Eleanor é de uma beleza estrema vive com um homem, Richie, que  maltrata física e psicologicamente a mãe de Eleanor e toda a família. Constantemente bêbado ou drogado, não dá um minuto de paz emocional naquela casa que tanto precisa de paz. Mas dos filhos todos do primeiro casamento da sua companheira Richie não suporta mesmo é Eleanor, já a colocou fora de casa uma vez, tendo ela ido viver com uma outra família durante um ano. Contudo, depois a sua mãe, que a adora e a tenta proteger do padrasto, foi buscá-la de novo para uma "casa" que mais parecia um casebre. 
Não bastando os problemas que todas as famílias desconectadas têm, Eleanor também é rejeitada na sua nova escola, sendo gozada por ser gorda e ruiva. Ela é uma menina forte interiormente e tenta sempre superar tudo, mesmo sendo vítima de bulling, o que não é referido directamente no livro, mas o comportamento dos colegas levam a concluir exactamente isso.

Park é um jovem coreano, que tem uma família feliz, um pai que ama loucamente a sua mãe. É o único miúdo do bairro que tem os pais juntos, todos os outros têm os pais separados. Só este facto dá a Park uma enorme estabilidade emocional. Ele questiona-se se um dia irá encontrar alguém para toda a vida, assim como os seus pais se encontraram e ser feliz como eles. Park tem um irmão mais novo que fisicamente nada tem a ver com ele sai mais ao lado do pai, e ele sai à mãe que é coreana. Park gosta de música punk e de banda desenhada. Tem amigos agora, mas também já sentiu na pele a rejeição, por ser diferente, por ser coreano.

Quando Eleanor conhece Park, depois de se sentar no autocarro ao lado dele no primeiro dia de escola, Park apercebe-se que ela lê a banda desenhada dele no autocarro então decide emprestar-lhe alguns livros, assim como gravar algumas músicas para ela ouvir. Começam a falar e a conhecerem-se melhor, e acabam por se apaixonar um pelo outro, talvez pelas diferenças, talvez pelo facto de no meio das diferenças serem tão parecidos, quem sabe? É o amor de dois adolescentes, nunca se sabe explicar o amor muito menos nestas idades. 

Contudo as coisas não são fáceis para Eleanor, e o seu namorado Park sofre por ela e com ela. Esta dor está também descrita no livro que nem me atrevo a contar mais nada. Mas é uma dor profundamente angustiante, tremendamente dolorosa. Eleanor tem em Park o seu refugio, o seu primeiro amor, o seu primeiro namorado, é a ele que ela dá o seu primeiro beijo. Park tem em Eleanor a mulher que quer para todo o sempre, aquela que o fará feliz tal como os pais são felizes.

Mas a vida não é um conto de fadas, apesar de nestas idades se pensar que sim, pelo menos Park pensa que sim, Eleanor já sofreu muito na sua vida para acreditar no ...viveram felizes para todo o sempre...

Será que Eleanor está enganada? Afinal existem contos de fadas e a vida dela com Park vai ser um?

Leiam o livro, vão certamente, revoltar-se, angustiar-se, vai cair a lagrimita, vão sorrir, sei lá...eu fiz isto tudo. Mas tenho uma certeza, histórias como a de Eleanor não acontecem só em livros existem muitas Elearnores  por ai em sofrimento, em famílias desestruturadas, com padrastos alcoólicos e drogados, que batem nas suas mães e mal tratam física e psicologicamente as famílias e que no fim saem quase sempre impunes. Foi tendo isto em consideração que me fez apaixonar por esta adolescente poderosa e interiormente forte, assim fossem todas as vítimas destes animais. Desculpem a minha sinceridade, mas como disse no inicio acabei de ler o livro à pouco tempo e ainda tenho os personagens dentro do meu peito.

Espero que leiam o livro e que gostem tanto quanto eu.

Excertos:
«-Acho que nem respiro quando não estamos juntos - sussurrou ela. - Ou seja, quando te vejo na segunda de manhã, passaram tipo sessenta horas desde que ganhei fôlego. Deve ser por isso que estou tão rabugenta e que mando vir contigo. Quando estamos separados, só consigo pensar em ti, e quando estamos juntos, só consigo sentir pânico. Porque cada segundo me parece tão importante. E como estou assim descontrolada, não consigo evitar. Já nem sequer sou minha, sou tua, e se tu decidires que não me queres? Como é que tu podes querer-me como eu te quero?
  Ele ficou calado. Queria que tudo o que ela acabara de dizer fosse a última coisa que ele ouvisse. Queria adormecer ao som de como eu te quero nos ouvidos.» pág.116 / 117

«Quando Eleanor estava perto de raparigas assim - como a mãe de Park, como a Tina, como a maioria das miúdas do bairro -, ficava a pensar onde é que elas guardariam os seus órgãos. Tipo, como é que podiam ter estômago e intestino e rins, e ainda usar calças de ganga tão apertadinhas? Eleanor sabia que era gorda, mas não se sentia assim tão gorda. Sentia os ossos e os músculos logo abaixo da banha, e também eram grandes.» pág.130

«Como ele olha para mim.
Como se fosse apenas uma questão de tempo.
Não é que me queira para isso, não. É como se tivesse a certeza
de que me vai apanhar. Quando não houver mais nada nem
mais ninguém a quem destruir.
Como ele espera por mim.
Como ele sabe sempre de mim.
Como ele está sempre presente. Quando estou a comer.
Quando estou a ler. Quando estou a escovar o cabelo.
Tu não vês.
Porque eu finjo que também não vejo.» pág.288

Boas leituras.

A escritora _ Rainbow Rowell_

Rainbow Rowell
«Rainbow Rowell vive em Omaha, Nebrasca, com o marido e os dois filhos.
Por vezes escreve sobre os adultos, e outras vezes sobre jovens, mas aborda sempre pessoas tagarelas, que erram e fazem asneiras e que se apaixonam. Quando não está a escrever, Rainbow lê banda desenhada, planeia viagens ao Disney World, e argumenta sobre coisas que na verdade não são muito relevantes no grande esquema do mundo.» retirado do site wook

Tag Amo / Odeio

Tag Amo/Odeio
O blogue sabores e dissabores literários desafiou-me para uma tag muito engraçada que consiste no seguinte: 10 coisas que amamos e 10 coisas que odiamos e no fim temos que nomear 10 blogs para responderem a esta tag.
10 coisas que odeio:
  • mentiras;
  • falta de cafeína;
  • falta de tempo;
  • arrogância dos que pensam tudo saber sobre mim e nada sabem, a não ser o que está no meu bilhete de identidade;
  • calor;
  • arrumar a casa;
  • não saber o que vou ler;
  • o stress dos outros a atrapalhar-me a minha calma;
  • desemprego;
  • barulho quando estou a ler.
10 coisas que amo:
  • ler;
  • café;
  • mãe;
  • irmãos, sobrinhos e resto da família;
  • mar, o cheiro do mar, adoro o mar no inverno;
  • adoro o inverno e o frio;
  • os meus livros;
  • fazer bolo de chocolate;
  • a minha profissão;
  • tomar o pequeno almoço em silêncio e sozinha de preferência.
Não vou taguear nenhum blogue porque os que queria já fizeram ou já foram tagueados.
Quem quiser pode responder a esta Tag.
Eu gostei muito obrigada ao blog sabores e dissabores literários.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Minha opinião sobre o livro «Espera por mim» de Gayle Forman

Espera Por Mim
de Gayle Forman
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 216
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722354080
Preço: 13.95 euros

Comecei a ler: 23-05-2015
Terminei de ler:25-05-2015

Sinopse:
«Passaram três anos desde que o amor de Adam ajudou Mia a recuperar após o trágico acidente que vitimou a sua família - e três anos desde que Mia decidiu afastá-lo da sua vida sem lhe dar explicações. Quando uma noite os seus caminhos se cruzam na cidade de Nova Iorque, ambos têm a oportunidade de se confrontar com os fantasmas do passado e de abrir o coração ao futuro.» retirado do site wook

«Espera Por Mim é a aguardada continuação de Se Eu Ficarbestseller do New York Times
Estas são as duas capas do livro Espera por mim


Vídeos...
Book Trailer
(Para onde ela foi é a tradução dada no Brasil para Espera por mim o título original é Where She Whent)




Se Eu Ficar - Trailer Oficial_Legendado


Minha opinião:
Depois de ter lido "Se eu ficar..." não contava que este livro me conseguisse trazer muito de novo, mas estava completamente enganada.
Em "Espera por mim" conheci a personagem Adam na sua mais profunda e dolorosa intimidade do seu verdadeiro eu. O seu sofrimento com a partida de Mia, uma partida espacial, Mia simplesmente o abandona. Segue para a sua escola de violoncelo e afasta-se de Adam, sem pensar no sofrimento devastador pelo qual ele passa durante três anos.
Adam no primeiro livro era uma personagem meiga, que tudo fazia pela sua amada Mia e nunca a abandonaria, a não ser que para isso fosse necessário para ela sobreviver ao acidente. O facto é que ela sobrevive e ela afasta-se dele, desta forma ele fica confuso com tudo na sua vida, até o sucesso da sua banda deixa de ter interesse para ele.
Adam escreve as letras das músicas sozinho no isolamento da sua dor, todas elas têm por base o abandono, a dor,o sofrimento, a saudade, a perda, da única pessoa que ele alguma vez amou na sua vida...Mia.
São estas letras tornadas músicas que tornam o grupo um sucesso, mas ao mesmo tempo para ele é com dor que as toca e canta, porque está a cantar algo tão penoso, que nem o tempo suaviza.
Adam vive numa espiral de ansiedade, de "medo" dos fãs, nem consegue dar-se com os elementos da banda, isolando-se destes e só se unindo a eles no que é estritamente necessário e profissional. Ele não consegue esquecer a Mia, nem a forma como ela o abandonou e culpabiliza-se por isso. Toma ansioliticos, para conseguir ir à rua, para conseguir dormir a vida dele perde todo o sentido e a angústia toma conta dele, tornando-se aparentemente uma pessoa fria e distante.

Tudo até ao dia em que o destino o faz encontrar Mia, e colocar todas as suas dúvidas, mas será que ele é capaz? Será que Mia é também capaz de lhe retirar as dúvidas de Adam? Terá o destino pregado mais uma partida dolorosa a Adam e a Mia?

Este é um livro fantástico, adorei a personagem do Adam, a forma como está construída o modo como ele reage a toda a pressão dos famosos é dolorosa e dá que pensar.
Um livro excelente, que recomendo a sua leitura. A meu ver superou o primeiro em muito. E preparem-se pois se o primeiro mexeu com os sentimentos este a meu ver mexe muito mais, acho que é mais real.
Excertos:
«Até pode ser que, numa hora difícil,
Prisioneira da dor e ansiando por alívio,
Ou abatida pela força de uma decisão passada,
Eu possa ser levada a trocar o teu amor por serenidade,
Ou a memória desta noite por comida.
Até pode ser. Eu penso que não.»
Excerto de «Love is not all:
it is not meat nor drink»
de EDNA ST. VINCENT MILLAY

«Eu serei o teu lixo, tu serás o meu
Foi este o trato que decidimos assinar
Comprei um hazmat para teus detritos limpar
Máscaras de gás, luvas,para nossa proteção
Mas agora vejo-me sozinho num quarto vazio
A olhar para a imaculada desolação»
«MESSY»
COLLATERAL DAMAGE, FAIXA 2

«Todas as manhãs ao acordar, digo de mim para mim:É só um dia, um período de vinte e quatro horas que tens de ultrapassar.» pág.11

«O que sentes por a única coisa decente que alguma vez criaste ter brotado do pior tipo de perda?» pág.27

«É horrível, porque gosto dos fãs quando me encontro individualmente com eles, juro que sim. Mas juntem um grupo deles e este instinto de enxame assume o controlo e parece esquecer que somos um mero mortal: de carne e osso, que podemos ser magoados e ficar assustados.» pág.117

«Atravessaste a água, deixando-me em terra
Isso magoou-me bastante, mas para ti não chegou
Fizeste explodir a ponte, um terrorista louco
Do teu lado acenou e um beijo me lançou
Quis ir no seu encalço, mas percebi tarde de mais
Que havia somente ar sob os meus pés.»
«BRIDGE»
COLLATERAL DAMAGE, FAIXA 4
«Primeiro queres inspecionar-me
Depois dissecar-me
A seguir rejeitar-me
Espero pelo dia
Em que irás ressuscitar-me.»
«ANIMATE»
COLLATERAL DAMAGE, FAIXA 1

Boas leituras.

Boa semana para todos vós...

Dói-me a Vida aos Poucos

«Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá, e é esta a razão intima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga. 
Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto. 
No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto, e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora. 
Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do «Marinheiro» ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se. 
Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as cousas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena — cheia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas. 
Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar. Pode ser que se não deitar hoje esta carta no correio amanhã, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no «Livro do Desassossego». Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto. »

Fernando Pessoa, in 'Carta a Mário de Sá-Carneiro (1915) ' 

sábado, 23 de maio de 2015

Desafio II | Maratona Gelo e Fogo

Desafio II | Maratona Gelo e Fogo

Presumo que já leram o primeiro volume. Ou conhecem os personagens da série. Contem-me, qual é o personagem com características mais parecidas com a vossa personalidade. Só um personagem. Sejam defeitos ou qualidades. (Mulher que ama livros)
Eu considero que a personagem que mais me identifico é com Ned Stark, pela sua lealdade para com o amigo Robert, para com a sua adoração que tem pela sua família. Ned é uma personagem com a qual me identifiquei desde o início da saga.

Defeitos tem também na forma como tratou o seu filho bastardo, mas mesmo ai fez de uma forma para que ele não viesse a sofrer no seio de uma família que não era a sua, por isso acho que não o fez com o verdadeiro sentido de maldade.
Definitivamente Ned Stark.
Boas leituras!

Desafio I | Maratona Gelo e Fogo

Desafio I | Maratona Gelo e Fogo

Vamos começar pelo principio, quando tudo começou, para fazer sentido. Contem-me, quando e porquê esse interesse em ler As Crónicas Gelo e Fogo? ( Mulher que ama livros)
Bom tudo começou quando eu li alguns postes sobre os livros e fiquei curiosa sobre os mesmos.
Nunca vi nenhuma série pois sabia que se visse ia tirar todo o interesse para os livros.
Então comecei a apostar na compra da saga e quando dei conta tinha a saga completa. Contudo, tinha muito receio em lhe pegar pois achava que devia ser uma leitura difícil, com muitos personagens e que não ia conseguir seguir a história.
Agora com a maratona Crónicas de Gelo e Fogo, estou muito entusiasmada para a leitura da saga, vamos ver se consigo.
Boas leituras!