terça-feira, 30 de junho de 2015

Minha opinião sobre o livro "O pior dia da minha vida" da escritora Alice Kuipers

O Pior Dia da Minha Vida
de Alice Kuipers
Edição/reimpressão:2014
Páginas: 184
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722354066
Coleção: Noites Claras
Preço:12.51 euros

Comecei a ler:29-06-2015
Terminei de ler:30-06-2015

Sinopse:
«Tudo o que Sophie mais deseja é esquecer o que aconteceu... Mas as marcas que aquele dia fatídico deixou são demasiado profundas e, perdida nas suas memórias, a jovem refugia-se dentro de si mesma, num isolamento crescente, à medida que a sua relação com o mundo e com os que a rodeiam se vai deteriorando. As recordações de Emily, a irmã três anos mais velha e sua confidente, vão-se impondo, quase obsessivas, e Sophie terá de ser capaz de enfrentar a tragédia ocorrida no seu passado e de se libertar da culpa que sente se quiser recuperar o equilíbrio da sua vida. Uma obra inspiradora sobre as consequências trágicas dos atos terroristas, sobre o estado disfuncional em que um grande sofrimento nos pode mergulhar e, acima de tudo, sobre a capacidade de nos perdoarmos e reconstruirmos o nosso futuro.»retirado do site wook

Criticas:
«Belíssimo, dilacerante, imperdível.»
Voices of Young Adults

«Kuipers consegue, com grande talento, tornar a história de Sophie dolorosamente real, contudo repleta de esperança. A sua voz singular, na primeira pessoa, e os pormenores inesperados que brilham através da tragédia dão uma nova luz a temas que nos são familiares.»
Kirkus Reviews

Minha opinião:
Esta escritora não é nova para mim já li dela "A vida na porta do Frigorífico" que gostei bastante.
Neste livro "O pior dia da minha vida" questionei-me de a escritora Alice Kuipers alguma vez terá perdido algum familiar, muito honestamente a sensação que me dá é que não e se sim não sabe passar para o papel o que uma adolescente sente com a perda de um ente querido, neste caso com a perda de uma irmã.

A história tinha tudo para ser um excelente livro, tudo como quem diz tinha tema-perda inesperada de um familiar- mas faltou-lhe as personagens estarem ao nível do tema.

Sophie é uma adolescente que perde a sua irmã mais velha Emily e fecha-se numa redoma de sofrimento, torna-se uma estranha na escola, agressiva para com a sua mãe, e deixa de saber estar e saber ser.
A dor que se sente com a perda de alguém é inexplicável é uma dor que nos dilacera por dentro, posso referir que é mau, mas só quem passa por essa perda é que sabe o quanto é doloroso. Sentimos as emoções todas e torna-mo-nos extremamente sensíveis a tudo, mas também crescemos com o passar dos dias, a dor não passa a saudade não deixa de existir mas vamos aprendendo a viver com isso. Não foi isso que a escritora fez com a personagem principal, com muita pena minha, ela colocou Sophie como uma adolescente que não consegue superar esse sofrimento de perda e torna-se o centro do problema.
Sophie seria uma personagem exemplar para ilustrar como a perda de uma irmã é dolorosa, mas ela revelou-se uma personagem egoísta, imatura, que em vez de ser um ponto de apoio para a mãe, que está a sofrer a perda de uma filha, torna-se um fardo emocional, o que provoca ainda mais dor à sua mãe. A mãe de Sophie é uma mulher forte ela criou as suas duas filhas praticamente sozinha logo não merecia o desdém que Sophie lhe dá nesta altura da vida que ela tanto necessita da sua filha. Perdeu uma filha e perde a outra para o sofrimento.
A acção passa a correr e temos apenas momentos cansativos, narrados pela personagem principal, que bate sempre na mesma tecla, a escritora devia ter dado espaço para as personagens crescerem e desta forma passarem correctamente a mensagem do livro, porque deste modo foi tudo muito superfícial e Sophie a meu ver é uma personagem extremamente egoísta.
Depois ainda surgem outros problemas que a escritora não soube trabalhar com eles, um deles é o de como uma adolescente  tem de lidar com uma mãe alcoólica, por isso ela deixa de comer, torna-se vítima de um dos maiores distúrbios alimentares e dos mais problemáticos em termos de tratamento e de aceitação por parte do doente, pois para além de uma doença física é acima de tudo uma doença do foro psiquiátrico- bulimia -. No entanto, a escritora achou por bem, colocar a personagem com distúrbio, a diagnosticar e a procurar ela própria ajuda. Quer dizer um mundo cor de rosa que na vida real não existe.

Depois de tudo isto, posso dizer que não gostei do livro, não gostei da forma como a escritora abordou temas que tinham muito para dar e ela não conseguiu, tenho muita pena o tema da perda dá pano para mangas como se costuma dizer, e associado ao tema de alcoolismo e da bulimia podia-mos ter aqui um livro fantástico mas infelizmente, a meu ver não temos. Não gostei e muito honestamente não recomendo. Mas atenção pode existir quem goste na leitura é assim o facto de eu não ter gostado não invalida que seja um livro brilhante, bom não vou exagerar, mas um livro que se goste.
Vou dar uma estrela no Goodreads em homenagem à mãe da personagem principal senão não dava nenhuma estrela.
Não tenho excertos, não encontrei nenhum suficientemente interessante para colocar aqui.
Boas leituras!     

Desafio IV | Maratona Gelo e Fogo


E mais um desafio lançado pela Cláudia - A Mulher que Ama Livros - no âmbito da Maratona Gelo e Fogo.
E desta vez...

O desafio desta semana é um bocadinho diferente. Está centrado na comida. Para mim, comida e literatura andam abraçados. Digam-me, costumam comer alguma coisa enquanto lêem? Qual a comida e a bebida perfeita para acompanhar a leitura desta maravilhosa série? 

Resposta ao Desafio IV...

Bebidas...
Tenho de ter sempre água ao meu lado quando estou a ler, isto é um facto consumado se não tiver uma garrafa de litro e meio de água não consigo nem sequer me concentrar a ler.






Muitas vezes, quase sempre leio em casa logo faço café de cafeteira não de máquina, pois este deixa-me nervosa, encho uma caneca e vou bebendo café nas noites longas de leitura.





Comidas...
Nunca leio durante as refeições é uma coisa que não consigo fazer, e olhem que já tentei, mas não consigo. A refeição é uma hora que aproveito para estar no meu silêncio que também é precioso ou vejo e oiço as noticias, estas cada vez menos.

Quando estou a ler e me dá a gula, porque é gula mesmo, não é fome, como por vezes, quando tenho em casa chocolate.






Por vezes, quando a noite já vai longa tipo 3 ou 4 da madrugada ai tenho de comer umas bolachas. 







E são assim os meus serões de leitura com a saga Crónicas do Gelo e do Fogo mas devo referir que o mais importante para mim entre a comida e a bebida é mesmo a bebida.

Gostei muito deste desafio, muito original e interessante, nunca tinha reflectido sobre este assunto.

Beijinhos e boas leituras.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Minha opinião sobre o livro «Amor Cruel» da escritora Colleen Hoover

"Amor Cruel"
de Colleen Hoover
Edição/reimpressão:2015
Páginas: 288
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898800572
Preço:15,29 euros

Comecei a ler:26-06-2015
Terminei de ler:28-06-2015

O SEU CORAÇÃO NUNCA ESQUECERÁ ESTA HISTÓRIA MARAVILHOSA.

Sinopse:
«Tate é enfermeira e muda-se para São Francisco, para casa do irmão Corbin, para estudar e trabalhar. Miles é piloto-aviador e mora no mesmo prédio de Corbin. Depois de se conhecerem de forma atribulada, Tate e Miles acabam por se aproximar e dar início a uma relação exclusivamente física. Para que esta relação exista, Miles impõe a Tate duas regras:

«Não faças perguntas sobre o meu passado. Não esperes um futuro.»

Tate aceita o desafio de manter uma relação distante, sem nenhum compromisso, nem sequer o da amizade. A relação alimenta-se assim da atração mútua entre os dois.

Miles nunca fala de si nem do seu passado, e comporta-se perante Tate de acordo com as regras que ele definiu. Será Miles capaz de desvendar o que se esconde por detrás desta necessidade tão grande de se distanciar emocionalmente dos outros?

E poderá algo tão cruel transformar-se numa relação bonita e duradoura?» retirado do site wook

Críticas de imprensa
«Colleen Hoover constrói um mundo surpreendente de dois jovens que descobrem o amor maduro.»
Booklist

«Só Colleen Hoover tem a capacidade de incluir tanto esplendor num romance.»
Jamie McGuire, autora bestseller

«Hoover tem o dom de criar histórias que sensibilizam e nos atingem o coração. Amor Cruel não é exceção.»
Readers Live a 1000 Lives

«Apaixonante, desde o primeiro capítulo.»
Owl Always Be Reading

Book Trailler 

Ugly Love Official Teaser (2015)

Minha opinião:
Este livro revelou-se uma grande surpresa para mim, já li os outros dois livros traduzidos cá em portugal desta escritora e muito honestamente este não tem nada a ver. Claro que o estilo está lá, o mexer com as emoções, que acho caracterizar a escrita de Colleen Hoover, a dificuldade que as pessoas têm em demonstrar os seus sentimentos, isso é algo que também acaba por ser comum com os livros anteriores, mas de uma forma completamente distinta. 
Gostei muito mesmo muito deste livro, mesmo das partes mais quentes sob o ponto de vista sexual, apesar de achar um pouco repetitivas, mas a ideia está lá, bem marcada,são cenas extraordinariamente bem descritas vão até à exaustão parece que os estava a ver por detrás da porta, que pensamento maléfico...mas era essa a sensação que tinha quando lia as cenas mais escaldantes, que são muitas, aviso já;)

"Amor Cruel" é narrado pelas duas personagens principais Tate e Miles mas em tempos distintos, ou seja, enquanto Tate  nos narra o presente como ele é segundo o seu ponto de vista; Miles conta-nos o seu passado que remonta à seis anos atrás.

Tate Collins tem 23 anos é enfermeira e muda-se para São Francisco para completar os seus estudos com um mestrado na área de anestesista, estuda durante a semana e trabalha ao fim de semana. Como não tem onde viver e o seu irmão mais velho, Corbin, piloto de aviões, vive em São Francisco, Tate vai viver com ele. Apesar de saber que não vai ser fácil, pois o seu irmão é demasiado protector e paternalista em relação a ela, o que ela detesta mas por outro lado também gosta.
Ao chegar ao prédio do irmão, mais propriamente ao apartamento, deparasse com um sujeito completamente bêbado encostado à porta da casa do irmão. Depois de falar com Corbin, ela deixa este individuo bêbado entrar naquela que agora é também a sua casa e ficar a dormir no chão. É desta forma que Tate conhece Miles Archer, um dos melhores amigos do seu irmão, piloto na mesma companhia aérea e seu vizinho da porta da frente.
Com o tempo e tal como vem na sinopse Tate e Miles descobrem que se sentem fortemente atraídos um pelo outro e resolver ceder ao desejo, entrando numa relação sem compromisso nenhum. Miles estabelece duas regras, as quais Tate tem de respeitar se quiser ter esta relação puramente baseada no sexo, as regras são as seguintes:
1-Nunca perguntar nada sobre o seu passado;
2-Nunca esperar um futuro.
Tate, mesmo tendo plena consciência que tudo isto ia acabar mal, principalmente para ela, que já se sente mais que atraída por Miles, decide aceitar as regras desta estranha relação, dado que ela já não aguenta ficar longe dele.
Já por aqui não nos parece muito um romance comum e juntando a isto o facto de Miles não ter ninguém à 6 anos torna a história ainda mais misteriosa.
E o tempo vai passando e eles vão ficando juntos, cada vez mais apegados um ao outro, mas sempre fingindo que conseguem lidar com esta relação puramente carnal sem se apaixonarem, pelo medo de Miles, por algo obscuro que lhe aconteceu no passado que o impede de viver um novo amor.

Esta é uma história que mexeu muito com os sentimentos, como vem sendo hábito nos livros desta escritora. Uma história de amor, que nos mostra não só as partes bonita mas acima de tudo as partes cruéis,que nos podem marcar para toda a vida. Não tem a pretensão de apresentar personagens excepcionais ou cheios de moralidade e acaba por ser esse facto que torna o livro tão bonito e a meu ver uma surpresa maravilhosa.  
Não posso deixar passar uma das personagens secundárias que mais gostei, o porteiro uma personagem extraordinária, divertido e sábio, daquela sabedoria que só os seus 80 anos podem dar, ele trabalha no prédio onde eles moram e torna-se confidente de Tate.

É importante salientar que esta não é uma história de sexo e amizade, é muito mais profundo do que isso. É um história sobre o poder do amor, que tanto constrói como destrói, sobre a generosidade, a perseverança, a coragem e a superação, uma história que mexe com os nossos valores e emoções, que mostra que a vida não é só boa ou só má. 
Uma das lições que a meu ver este livro tenta transmitir, ou pelo menos a mim me passou, foi que numa relação normalmente só entramos se soubermos que o que vamos dar vamos receber na mesma medida, mas isto está errado. Pois é possível existir relações onde damos mais do que recebemos ou vice-versa e ainda assim conseguir encontrar a felicidade.

Este livro mexeu de tal forma com os meus sentimentos que quando dei conta tinha dado cabo de um pacote de lenços de papel de tantas lágrimas que corriam pelo meu rosto. É impossível não ficar comovida com esta leitura, eu tentei resistir mas chegou uma altura que foi mais forte do que eu. A luta de emoções e de sentimentos que os personagens têm de travar é tremenda e a escritora consegue colocar tudo no papel de um modo tão real, que por momentos estava ao lado de Tate e de Miles a tentar consular as suas dores. Mas também me fez sorrir e rir não é só sofrimento, o irmão da Tate é o máximo.

Mais uma vez a escritora não me desiludiu, não vou dizer que foi melhor ou pior que os anteriores pois gostei muito dos anteriores e também gostei muito deste, são livros diferentes, histórias diferentes e personagens completamente distintos. Mas o estilo da escrita está lá bem vincado, esta escritora gosta e consegue mexer com as minhas emoções. 

Recomendo vivamente a sua leitura.

Excertos:
«Beija-me o topo da cabeça, e fecho os olhos. Oiço o seu coração bater dentro do peito. Um coração que, segundo ele, não é capaz de voltar a amar mas que, na verdade, é um coração que ama demasiado. Já amou tanto, e aquela noite levou-nos tudo. Mudou os nossos mundos. Mudou o seu coração.

-Eu passava o tempo todo a chorar-conto-lhe.
-O tempo todo. No banho. No carro. Na cama. Sempre que estava sozinha , chorava. Durante os primeiros dois anos, a minha vida foi de uma tristeza constante, onde mais nada entrava. Nem sequer momentos melhores.

Sinto o seu abraço a apertar-se, dizendo-me em silêncio que sabe. Sabe exatamente do que estou a falar.» retirado da contracapa

«Às vezes, é fácil esquecer o quanto sentimos a falta de certas pessoas até voltarmos a vê-las. Não é esse o caso com o Corbin. Sinto sempre a sua falta. Ainda que o seu sentido de proteção possa ser por vezes um pouco irritante, também é uma demonstração do quão próximos somos.» pág.30

«A chuva transformou-se num dilúvio, mas nenhum dos dois parece incomodado com isso. As mãos dele deslizam até ao fundo das minhas costas e agarro-o pela camisa, puxando-o para mim. A boca dele encaixa na minha como se fossemos duas peças do mesmo puzzle.
A única coisa que me poderia separar do Miles neste momento seria um raio.» pág. 135

«-O amor nem sempre é bonito, Tate. Às vezes, passamos o tempo todo à espera de que se transforme numa coisa diferente. Numa coisa melhor. Até que, quando nos damos conta, voltámos ao ponto de partida, e perdemos o coração, algures no meio do caminho.» pág.144

«Eu também estou preocupada comigo, Miles. Mas quero muito mais aproveitar o momento contigo do que me preocupar com a maneira como isto me vai afetar quando acabar.
...
-Acho que tenho finalmente a minha regra- digo-lhe,
Olha para mim e arquei uma sobrancelha, à espera que eu continue.
-Não me dês falsas esperanças em relação ao futuro - digo-lhe.   -Especialmente se tiveres a certeza dentro de ti de que nunca teremos futuro.» pág.188
Boas leituras!

domingo, 28 de junho de 2015

Boa semana...

 
 


Queria muito ler estes dois livros esta semana, por um lado ao ler "O despertar da magia" avançava mais um passo na saga Crónicas do Gelo e do Fogo; por outro lado ao ler "Perigosa" terminava de ler a série As Flores Mais Raras de Madeline Hunter.
Eu tentei mas não estou com vontade de ler "O Despertar da Magia" e para mim ler tem de ser um prazer e não uma obrigação como tal parei a leitura, não estou a dizer que é má ou boa, de certeza que é boa mas eu estou com falta de vontade para ler este livro agora, não me vou forçar pois se o fizer não vou gostar e não é isso que eu quero.
Então vou substituir por livros mais leves, estou numa fase para leituras mesmo muito leves.
Beijinhos, boa semana e excelentes leituras.


sábado, 27 de junho de 2015

Os três macacos sábios...

Cá estou eu de novo em mais um dos meus desabafos, prometi hoje a mim própria começar a fazer como os três macacos sábios. Mas se conhecem o significado, que é :"Literalmente significa: miru=olhar, kiku=ouvir, iu=falar e zaru=negar, que pode ser traduzido como “Não olhe para o mal, não escute o mal, não pronuncie o mal”. Embora tenha diversas interpretações, eu acredito que se refira ao fato que se não praticarmos o mal aos outros, manteremos o mal distantes de nós mesmos.", no meu caso não é o mal que me atormenta mas tudo o que se diz, ouve e vê, seja mal ou bem.
Tenho de aprender a estar calada, a ouvir mais e a falar menos, por algum motivo temos uma boca e dois ouvidos. Apreender a olhar para as pessoas não como elas aparentam ser mas pelo que são e nada melhor que apreciar os seus gestos para concluir-mos como é uma pessoa.

Caso contrário estou sempre em constante desapontamento com o outro, tenho sempre elevadas expectativas em relação ao ser humano e depois caí tudo por terra. 

É apenas um desabafo mais nada para além disso. Mas acho que já aprendi a minha lição e tinha de a registar, para quando cair em tentação vir aqui e ler isto, para me recordar de tudo novamente.

Continuação de bom fim de semana.
Beijinhos e boas leituras.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Nunca parando...sempre em frente...

 
Mais dois livros fabulosos, como sei?
Simples, "Amor Cruel" é de uma das escritoras de eleição que descobri este ano, Colleen Hoover, e pretendo seguir, tenho a certeza que não me vai desiludir.
"O Despertar da Magia" é o 4.º volume da saga Crónicas de Gelo e Fogo, que ando a ler e tenho gostado muito dos livros, e tenho a certeza que George R.R. Martin só me poderá surpreender, não espero menos que isso;)
Boas leituras para todos.

Blog está de Parabéns...5 aninhos....


Quando iniciei este projecto pessoal de criar um blog literário, ou melhor, um local onde ia escrever sobre o que ia lendo, nunca pensei que viesse a durar tanto tempo.
Esperei sempre que fosse algo passageiro que com o tempo talvez eu não sentisse tanto a necessidade de utilizar, não me podia ter enganado mais. Este espaço é o meu cantinho. Onde tive o prazer de conhecer, virtualmente, pessoas fantásticas, que vão lendo o que escrevo, da minha maneira emotiva e por vezes desconecta, mas que é a forma como sinto e passo para aqui o que me fica na alma depois de ler um livro.

Obrigada a todos os que partilham comigo, este cantinho que ao longo do tempo aprendi a amar, e que não imagino agora como seria ficar sem ele e tudo o que representa para mim.

Aqui registo tudo sobre as minhas leituras, de preferência logo após as ter terminado, para que a opinião me saia mais do coração e menos do cérebro. Sei que normalmente gosto de todos os livros, pois acho que consigo ver em cada livro algo de positivo que o escritor tenta sempre transmitir para o leitor e também tenho tido sorte nos livros que leio, pois quando não gostar direi certamente, não duvidem.

Espero daqui a um ano estar aqui para festejar o sexto aniversário com os meus queridos amigos, mas por agora estou tão feliz pelo quinto aniversário que se pudesse vos oferecia uma fatia de bolo, mas não posso. Contudo os olhos também comem por isso aqui fica espero que gostem, foi feito com muito prazer ;)


Beijinhos e mais um ano do blogue com excelentes leituras para todos;)

Minha opinião sobre o livro "Em Parte Incerta" de Gillian Flynn

Em Parte Incerta
de Gillian Flynn
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 520
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722525572
Preço:17,70 euros

Comecei a ler: 21-06-2015
Terminei de ler:25-06-2015

Sinopse:
«Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…
Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo - mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?»

Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.

Críticas de imprensa...
«Há livros que têm a capacidade de nos sequestrar durante horas seguidas, às vezes durante dias a fio, livros tão eficazes que tornam a leitura compulsiva e dão sentido ao adjectivo inglês unputdownable(«impossível de pousar, de largar»). […]É também o caso de Em Parte Incerta, o thriller psicológico que se tornou um fenómeno de vendas e de crítica nos EUA, em 2012. Gillian Flynn […] consegue criar personagens fortíssimas e colocá-las em situações extremas, com abundância de surpresas e volte-faces.»
José Mário Silva, Expresso

«Afiado como um picador de gelo.»

New York Times

«Engenhoso e viperino. Vai fazer de Gillian Flynn uma estrela.» 

Entertainment Weekly

«Um thriller de verão irresistível com uma reviravolta digna do Alfred Hitchcock.» 

People

«Pura e simplesmente fantástico.» 

Associated Press

«Uma leitura extraordinariamente boa.» 

Boston Globe

«O retrato de um casamento tão aterrador e hilariante que o vai fazer pensar em quem é de facto a pessoa no outro lado da sua cama.» 
Time

«Que delícia, este romance.» 
New York Daily News

«Uma leitura compulsiva.» 
Columbus Dispatch

«Pungente e brilhante» 
Star-Tribune

«Não consegui dormir de noite depois de o ler.» 
Pittsburgh Post-Gazette

«Um livro raro: arrepia e delicia-nos ao mesmo tempo que nos mostra um espelho de como vivemos.» 
San Francisco Chronicle

«Enredos com voltas, reviravoltas e muita perversão.» 
Kansas City Star

«Uma história que me deixou surpreendido, indignado e hipnotizado com as suas voltas e reviravoltas.» 
St. Louis Post-Dispatch

«Seja quem for o Leitor, esta história vai ficar consigo, como impressões digitais numa arma.» 
Cleveland Plain Dealer


"Em Parte Incerta" - Trailer Oficial Legendado (Portugal)


Minha opinião:
Acabei de ler este excelente livro à menos de uma hora,devo confessar que estou em estado de choque com o que esta brilhante escritora nos reserva para o final deste livro. Sinceramente ao longo desta leitura, passou-me tudo pela cabeça, tudo e mais alguma coisa, mas nunca, nem de perto nem de longe imaginei um final tão inesperado. 
Li algures que quem tinha gostado deste livro ia adorar ler "A Rapariga no Comboio", eu fiz a leitura ao contrário, li primeiro este último que adorei e estava um pouco de pé atrás em relação ao livro "Em Parte Incerta", mas estava totalmente enganada. Ambos têm a meu ver bons, excelentes enredos para thrillers psicológicos, dai a comparação estipulada por alguns jornalistas.
O que interessa mesmo é que estou rendida ao enredo do livro, à escrita da autora Gillian Flynn, a forma como ela brinca com o leitor é brilhante. Através da sua narrativa ela conseguiu-me por a amar um e a depois odiar e vice-versa,isto  em relação às duas personagens principais, Nick e Amy. As outras personagens todas, os pais de Amy, a irmã gémea de Nick, os polícias, os voluntários que tentam encontrar pistas, são todas elas personagens tão bem caracterizadas, que não são de modo algum fictícias, estas pessoas existem assim na vida real, e de certa forma foi isso que mais me fascinou na escrita de Gillian, ela trata de um tema que é comum, com personagens que são pessoas que existem no nosso mundo real.

Nick e Amy, casados há cinco anos, não têm um casamento perfeito, têm problemas como todos os casais.
Amy, é uma rapariga novaiorquina, que inspirou os seus  pais, psicólogos infantis,a escrever a série de livros de sucesso da Amy exemplar.
Em todos os aniversários de casamento a Amy prepara uma "caça ao tesouro" para que Nick vá passando por lugares que são importantes ao longo do relacionamento deles, até chegar ao presente propriamente dito.

Nick teve de regressar a casa quando soube que a mãe estava numa fase terminal de cancro e o seu pai está eternado com  Alzheimer, logo a sua irmã gémea Margo (Go) não consegue tratar de tudo sozinha. E dado que tanto Nick como Amy estão no desemprego, regressar a Michigan nem parece ser uma má ideia. 

No quinto aniversário do casal, o seu segundo ano na terra natal de Nick, Amy desaparece misteriosamente, sem sinais de rapto e de que talvez nem esteja viva, e o culpado é sempre o marido.

O livro conta-nos a história a partir do dia do desaparecimento de Amy como uma análise ao relacionamento do casal. 
Este livro está claramente dividido nas narrações e também em três partes. Um "capítulo" é narrado por Nick Dunne, o marido, o "capítulo" seguinte é narrado pela Amy Elliot Dunne. Nick narra o presente, o que vai acontecendo após o desaparecimento de Amy. Já sobre Amy o que nos é fornecido são anotações do seu diário, onde ela vai escrevendo sobre os seus acontecimentos mais marcantes, sobre o seu casamento, como conheceu o seu atual marido, relata-nos também aspectos da sua família e do quanto é diferente da Amy dos livros dos pais.

                            CONTÉM SPOILERS
Parte um:Rapaz Perde Rapariga
Nesta parte a narração de Amy, como já referi anteriormente,é feita por anotações do diário que nos guiam por momentos antes de ela conhecer Nick, depois de o conhecer e depois do seu casamento. Ela aqui demonstra ser uma mulher super liberal, que não se importa quando o marido sai com os amigos e não avisa, que não o prende em casa e que se ri dos outros maridos "macacos amestrados". O casamento começa perfeito e depois a narração de Amy faz com que o leitor se ponha no lugar dela. Como uma mulher tão inteligente se prendeu a um homem desse jeito?
Nick é um homem que não sabe expressar os seus sentimentos, desgastado por um casamento difícil, uma demissão em massa que o levou ao desemprego e a morte da sua amada mãe. Nick parece indiferente em frente das câmaras e ao público quanto ao desaparecimento da sua esposa. E isso é usado contra ele. Porque é difícil gostar de Nick, e a primeira parte é baseada basicamente nisto.
Durante todo o desaparecimento, investigação e buscas da desaparecida Amy, eu coloquei-me do lado dela. Enquanto Nick só mente à policia, começando com pequenas mentirinhas que pareciam ser para proteger a Amy, depois com mentiras bem maiores, a narração de Amy revela um casamento com um marido abusivo que estoura todo o seu dinheiro em coisas inúteis para preencher o vazio de uma vida sem emprego.
É depois de Nick contar-nos que traía Amy com uma aluna que que a situação dele fica realmente complicada, no nosso ponto de vista, ainda mais quando Amy conta o que sentiu ao descobrir: como Nick pode trair uma mulher tão incrível como a Amy? E então vem mais uma revelação Nick batia na Amy. Ela estava grávida. Ela comprou uma arma porque tinha medo dele. Ela estava a transformar-se numa pessoa que ela não queria ser, por causa dele.

Ao longo desta primeira parte eu fui-me questionando sobre os relatos de Amy no seu diário e todas as mentiras que vão sendo reveladas sobre Nick ao longo desta parte, sem sonhar sequer com o que vinha a seguir. 

Na minha cabeça só vinham as frases ELE MATOU ELA. ELE NÃO MATOU ELA. Mas afinal o que aconteceu?

Parte dois:Rapaz encontra Rapariga
O ponto que encerra a primeira parte é inesperado e apesar de colocar em dúvida todas as coisas que Amy escreveu no seu diário, também nos leva a crer que Nick é o assassino e tudo pode ter acontecido, mas Nick ter sofrido uma espécie de lapso de memória. Realmente Nick pode não se lembrar que matou a sua mulher e ter matado, será possível?

É então que a história nos vai conduzindo à verdade dos factos e descobri que li metade do livro, e que essa metade era baseada em mentiras deslavadas, tanto por parte de Nick e, a maior surpresa, por parte de Amy também. O diário escrito por Amy ao longo de um ano, trás a visão dela sobre coisas que aconteceram mas que agora não têm mais a perspectiva da Amy exemplar mas sim da Amy real, que não é a mulher sincera que fingiu casar com Nick.
Vai ser nesta parte do livro que as coisas realmente acontecem, acabando por ser esta  parte mais dinâmica que a primeira. 
Com a verdade sobre Amy revelada, acompanhamos Nick a descobrir o segredo e a tentar preparar-se com o seu advogado, Tanner Bolt e a sua irmã, para uma defesa apropriada que consiga dizer ao mundo a verdade terrível: a sua esposa não é quem ela diz ser. Praticamente toda a ação de verdade acontece aqui, enquanto na primeira parte havia investigação, levantamento de dados por parte da polícia e da equipa de busca de Nick que se deslocava até aos lugares propostos pelas pistas da "caça ao tesouro" daquele ano.
Nesta parte Amy vai-nos contando o seu plano e toda a verdade, tudo vira numa corrida contra o tempo em que se percebe que Amy está a voltar e Nick está quase a conseguir provar que está certo. Então vem aquela sensação de borboletas na barriga em que eu como leitora entro na aflição de não saber quem chega primeiro. 

Parte três:Rapaz recupera Rapariga (ou vice-versa)
Amy chega primeiro.
É na terceira parte que o livro explica e divide as opiniões. 
A história tem de ser explicada, merece um ponto final aceitável, e quem melhor para nos fornecer isso do que Nick e Amy, juntos novamente? 
Esta é a parte mais intensa do livro que li com compulsividade. Amy e Nick finalmente abrem o jogo um com o outro. Os dois conversam sobre o casamento no qual se encontram. Amy revela-se uma pessoa doentia, manipuladora, capaz de tudo, mas de algum modo ainda romântica até certo ponto. Ela ama Nick
O tempo que fiquei do lado daquela mulher racional, inteligente, disciplinada, confiante e cheia de poder e força dentro dela, por outro lado Nick era um ser humano cheio de defeitos mas também não merecia ser acusado de assassinato.
Amy é uma mulher doente mas que consegue sempre tudo o que quer com os seus esquemas demoníacos e um deles é manter Nick ao seu lado.
TERMINARAM OS SPOILERS 
Conclui que a culpa de o casamento não funcionar era dos dois, é um pouco perturbador se expandirmos para uma analogia com os outros casamentos do nosso mundo real.
Será que conhecemos a pessoa que está deitada ao nosso lado? Nós temos a preocupação em conversar com ela, em contar os nossos medos e receios? Somos honestos com a pessoa com quem dividimos a nossa vida? Que tipo de segredos escondemos? Eles são perigosos ou são coisas que temos vergonha de admitir?

Um livro fascinante que me deixou arrebatada. Amei os personagens principais da mesma forma que os detestei em certos momentos. Não sei se é possível mas aconteceu comigo.

Excelente livro que recomendo vivamente!

EXCERTOS:
«O amor é a mutabilidade infinita do mundo; mentiras, ódio, e até mesmo homicídio, estão todos entretecidos nele; é o inevitável desabrochar dos seus opostos, uma rosa magnífica com leve perfume a sangue» 
Tony Kushner, The Illusion

«O facto de os meus pais, dois psicólogos infantis, terem optado por esta forma pública e muito particular de comportamento passivo-agressivo para com a sua própria filha não era apenas lixado, mas também estúpido, esquisito e de certo modo hilariante. Que assim seja, então.» pág.42

«As pessoas dizem que os filhos de lares desfeitos têm vidas difícil, mas os filhos de casamentos de encantar também têm os seus desafios.» pág.43

«Ele faz o que lhe dizes para fazer porque não se importa o suficiente para discutir, creio eu. As tuas exigências mesquinhas só servem para que ele se sinta superior ou rancoroso, e um dia acabará na cama com uma colega de trabalho bonita e jovem, que não lhe pede nada, e tu vais ficar chocada.» pág.45

«Já não sei se somos realmente humanos nesta altura, aqueles de nós que são como a maior parte, e que cresceram com televisão e filmes e agora Internet. Se somos traídos, sabemos as palavras que devemos dizer; quando um ente querido morre, sabemos as palavras que devemos dizer.Se quisermos fazer o papel de conquistador, espertalhão ou idiota, sabemos as palavras que devemos dizer. Trabalhamos todos a partir do mesmo guião já muito batido.
É um período muito difícil para se ser uma pessoa, uma pessoa a sério e real, em vez de uma coleção de traços de personalidade selecionados a partir de uma máquina de venda automática de personagens.
E se todos estamos a representar, não pode existir uma alma gémea, porque não temos almas genuínas.
Tinha chegado a um ponto em que parecia que já nada importava, pois eu não sou uma pessoa a sério e os outros também não.
Teria feito o que fosse preciso para me sentir outra vez real.» pág.99

 
Boas leituras!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A escritora Gillian Flynn

Gillian Flynn
«Gillian Flynn é autora de Dark Places, best-seller do New York Times que foi eleito melhor livro de 2009 pela Publishers Weekly, foi um dos favoritos dos críticos da New Yorker, a primeira escolha do Chicago Tribune na área da ficção e o livro de escolha para o verão da Weekend Today. É também autora de Sharp Objects, vencedor do Dagger Award e nomeado para o Edgar Award de romance de estreia, escolha da BookSense e da seleção de Descobertas da cadeia de livrarias Barnes & Noble. A autora está publicada em vinte e oito países. Vive em Chicago com o marido e o filho.» retirado do site wook


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Frases que nos tocam....

Boas leituras!

Que bom é ser tia...

Não é meu hábito partilhar neste blogue os meus dias, a não ser as minhas leituras pouco mais se sabe da Carla leitora.
Contudo hoje foi um dia muito especial para mim, costumo estar com alguma frequência com os meus sobrinhos, e hoje passei a tarde com a minha sobrinha mais nova. Foi tão bom, mas tão bom, que só mesmo eu posso sentir o quanto estou feliz com esta tarde maravilhosa.
Fizemos de tudo um pouco, baptizamos o cão que ainda não tinha nome e ela ficou super feliz, pintamos lo livros para colorir para adultos, jogamos na internet e por fim a tia das leituras arranjou-lhe um saquinho cheinho de livrinhos para ela ler. Era olhar para os seus olhinhos e ver a felicidade, fiquei espantada quando ela me disse que gostava de poesia e lá levou dois de poemas infantis, com a promessa de devolver e de os ler.

Partilhamos informações uma com a outra e eu senti que ocupo um lugar com alguma importância na vida da minha querida sobrinha, é bom saber isso e acima de tudo sentir.

Depois chegou a hora das despedidas e do até breve e ela lá foi muito a contra vontade, mas lá teve de ser, era vê-la ir com um saco cheio de livros, com as pinturas e os materiais de pintura que tinha trazido de casa. Eu por cá fiquei com uma saudade grande e ainda nem uma hora passou.

Bom este foi o meu feriado de S. João, não podia ter sido melhor.

Beijinhos e boas leituras.


  

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Esta semana vai ser boa...tem de ser ;)

Esta vai ser a minha leitura da semana, não sei se vou conseguir ler mais alguma coisa dadas as dimensões deste livro, nada mais nada menos que 520 páginas. No momento em que estou a fazer este post estou ainda muito no início ainda estou na página 40, estou a gostar apesar de estar no princípio, mas tudo aponta que vai ser uma leitura que eu vou querer saborear lentamente mas ao mesmo tempo vorazmente para saber sempre mais.

Sei que deveria estar a ler "O Despertar da Magia" de George R.R. Martin, para a Maratona Gelo e Fogo, dois livros por mês era o que seria ideal para terminar a saga em setembro, mas quando acabar este livro pego no quarto volume das Crónicas do Gelo e Fogo e fica logo tudo em ordem, nada de stress ler é acima de tudo um prazer e assim é que deve continuar a ser.

Boas leituras e boa semana para todos os que me vão seguindo e lendo.

sábado, 20 de junho de 2015

Minha opinião sobre o livro "A Cada Dia" de David Levithan

A Cada Dia
de David Levithan
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 288
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898800107
Preço:14,93 euros

Comecei a ler:19-06-2015
Terminei de ler:20-06-2015

Sinopse:
«A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida:
Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir.
Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.» retirado do site wook

Críticas de imprensa...
«Este é um livro brilhante que vais adorar.» 
John Green

«Num livro original, engraçado, e dolorosamente honesto, David Levithan explora brilhantemente o dilema adolescente de não se sentir bem na sua pele e não saber onde pertence. Eu não li A Cada Dia, eu devorei-o.»
Jodi Picoult

«São raros os livros que desafiam presunções de género de uma forma tão divertida quanto inesperada e, talvez o mais importante, com que os adolescentes se podem identificar num momento em que muitos tentam entender a sua orientação sexual e a natureza do amor verdadeiro. A Cada Dia é precisamente esse livro… Uma história que é sempre sedutora, muitas vezes bem-humorada e muito parecida com o próprio amor esplendoroso.»
Los Angeles Times

«Intrigante e fascinante, aborda as preocupações mais humanas e reais: a importância da empatia, o valor de amigos e familiares, e a beleza da constância que temos o luxo de tomar como garantido.»
MTV HOLLYWOOD CRUSH

«Levithan é um génio literário. A sua escrita é brilhante, praticamente impecável. A luta de A para agarrar o amor num mundo em constante mutação é uma experiência que eu espero que todos possam partilhar.»
ROMANTIC TIMES
Book trailer...
Minha opinião:

Quando terminei de ler "A Cada Dia" fiquei assim a modos que sem saber como escrever ou dar a minha opinião. Esta foi uma leitura compulsiva, e quando digo isto é no sentido em que no início do dia de hoje ia na página 48 mais página menos página e são neste momento 22h22min. e terminei a leitura, sem conseguir parar; daí eu atribuir o adjectivo de leitura compulsiva. Mas graças a deus que assim foi pois eu adorei.

A temática prendeu-me logo desde o início, onde é que este escritor foi buscar a ideia de um personagem, supostamente A, acordar a cada dia no corpo de um ser humano diferente? Tenho que admitir que é uma ideia original, mas que me levou a pensar que tantas personagens seria complicado criar todas com um bom enredo. Enganei-me. Foi uma viagem que eu fiz com muito prazer através do quotidiana de A, que entra em corpos diferentes e vive neles somente por um dia, expondo as suas tristezas, loucuras, fragilidades, perturbações e pensamentos. 

A acorda sempre no corpo de alguém da mesma idade, este é o único ponto em comum que existem entre as diferentes personagens. Nem mesmo A entende o porquê de tal facto lhe acontecer e já se cansou de tentar encontrar respostas que expliquem tal facto, conformou-se com a vida que tem, nada convencional, mas é a vida dele. Contudo, existem duas regras que A criou para ele próprio, sendo estas as seguintes: nunca criar laços com ninguém nem com as pessoas que ele encarna, isto porque, vai evitar que ele sofra, pois no dia seguinte, será outra pessoa, estará num novo corpo; a segunda regra é evitar estragos, isto é viver o dia da pessoa em causa da forma mais próxima que a própria pessoa viveria, dado que no dia seguinte a pessoa seguirá a sua vida normalmente, sem se recordar de muita coisa do dia anterior.

O livro começa com A a acordar no corpo de Justin, um rapaz mal humorado que parece não estar de bem com a vida, não se importa com nada nem com ninguém, que tem uma namorada a Rhiannon, por quem A se encanta de imediato. 
Rhiannon é uma rapariga insegura, que apesar de ser tratada como um objecto pelo namorado continua a nutrir sentimentos por ele. Mas A encontra algo diferente em Rhiannon e tem necessidade de lhe proporcionar um dia de sonho, um dos melhores dias da sua vida. Estamos mesmo a ver que vai quebrar a regra de não alterar a vida da pessoa que ele incorpora e não criar laços.

Nos dias que se seguem A passa a encontrar-se com Rhiannon, em outros corpos, sendo surpreendido por não a conseguir esquecer. O amor que A sente por ela quebra todas as regras que ele estabeleceu e A luta para quebrar todos os obstáculos e problemas que vão surgindo.

Mas será Rhiannon capaz de o aceitar tal como ele é e amá-lo?
Será correcta a interferência que A está a fazer na vida das pessoas em quem vai encarnando?
Este é o ponto crucial do livro, que tem um enredo maravilhoso.

O livro mostra, como vou referir mais à frente, o quão imperfeitos somos e que por mais perdidos que possamos estar, sempre existe uma salvação. 
Este livro também tenta fazer-nos ver de uma nova forma a definição de género e sexo, ao questionar se o amor pode ultrapassar as aparências do corpo, seja ele masculino ou feminino.

Ao longo da leitura deste maravilhoso livro deparei-me com um leque imenso de personagens começando por A, Rhiannon, Justin e muitas outras que não quero referir os nomes. Houve uma que mexeu muito comigo, existiram mais mas esta sei que irei recordar sempre que olhar para o livro. Uma adolescente com 16 anos, em que A incorpora, que tem a sua vida numa verdadeira desordem sentimental, emocional, depressão, obsessivo-compulsiva perto do suicídio. Um diário macabro onde constam recortes de diversas formas de colocar termo à vida e com imagens coladas ao lado.

A escrita de David Levithan é maravilhosa ele usa a linguagem de uma forma fantástica, adulta e muito poética. A escrita dele foi música para o meu coração, as suas palavras são de uma intensidade cortante, profundas que nos levam a reflexões sobre a vida e sobre o ser humano. Este foi o aspecto em que o livro mais me prendeu, a escrita é tão intensa, tão bela e tão bem narrado que este livro está, é bom saber que ainda podemos descobrir escritores assim.

As personagens deste livro, que para além da sua linguagem adulta, também nos traz personagens que vou chamar pequenos adultos de 16 anos. Claro que que temos drama, mas não é um drama de adolescente que está de mal com a vida. Aos 16 anos os personagens criados por Levithan são maduros, coerentes e acima de tudo intensos. Não agem por impulso e tentam sempre ver a situação sob vários pontos de vista, não como se o mundo fosse lindo, mágico e um mar de rosas; eles procuram sempre pesar os prós e os contras das suas decisões de uma forma real, para que ninguém saia magoado com as opções tomadas. Tem diálogos de alguns personagens e pensamentos que me fizeram refletir, devido ao modo inteligente como o escritor os coloca.

Terminei esta leitura com uma única palavra em mente curiosidade. Porque no fundo li o livro todo sem saber quem ou o quê que é o A. Mas não me incomodou ter lido o livro sem saber quem é a personagem principal, ao contrário, fiquei ainda mais fascinada por ter lido este livro tão perfeito. No final do livro a atitude sublime e madura de A do livro, deixa claro que ele realmente não poderia ser humano, acho que não somos seres tão elevados ao ponto de termos a atitude de A.

Este livro fez-me essencialmente reflectir, sobre a nossa vida, sobre os relacionamentos humanos e sentimentos. Quem é que nunca teve um relacionamento que fracassou? Quem nunca pensou em colocar termo à própria vida? Quem nunca colocou o outro primeiro em relação a si mesmo? Quem nunca pensou fugir? Quem nunca teve medo?
É ao percorrer por todas as personagens que A encarna, que vamos vendo a outra fase do ser humano. Através dessas pessoas vamos reflectindo sobre o valor da nossa própria vida, da nossa própria existência.E foram essas realidades tão bem exploradas por Levithan que fez sentir como se estivesse naquele exacto momento a viver e a sentir tudo o que aquela pessoa estava a sentir. E quando um livro me leva a sentir na pele o que um personagem sente, então eu digo temos um bom livro, e mais ainda, estou perante um excelente escritor, porque para além de me fazer refletir sobre mim e sobre a natureza humana, fez-me esquecer de mim e fez com que eu encarnasse as personagens criadas por ele, isto porque são tão reais que fizeram-me como leitora confundir-me com os personagens.

Esta obra é emocionante e sensível merece ser saboreada com muita atenção e calma para não se perder nenhum detalhe.

A Cada Dia é um livro diferente dos outros livros, não só pela temática diferenciada que o autor aborda, como também, é um livro original e inovador. 

Mais uma vez o livro superou todas as minhas expectativas e tornou-se num dos meus favoritos do ano. Um livro maravilhoso, excelente e que a meu ver deve ser lido por todos.

Leiam... Sei que este é um livro que ou se ama ou se odeia, tenho plena noção disso. Quando estiverem a ler deixem-se levar pelas emoções, não pensem isto é impossível, mas sim isto é uma história muito bem estruturada e com personagens brilhantes.

Excertos:
«Acordo. De imediato, tenho de descobrir quem sou. Não é só o corpo-abrir os olhos e descobrir se a pele do braço é clara ou escura, se o cabelo é curto ou comprido, se sou gordo ou magro, rapaz ou rapariga, pele macia ou com cicatrizes. O corpo é a coisa mais fácil à qual adaptar, quando se está habituado a acordar num novo todas as manhãs. É a vida, o contexto do corpo, que pode ser difícil de assimilar.
A cada dia sou alguém diferente. Sou eu mesmo-sei que sou eu mesmo-mas também sou outro alguém.
Tem sido sempre assim.» pág.9

«Faço que sim com a cabeça. Se alguma coisa tenho aprendido, será isto: todos queremos que esteja OK. Nem sequer desejamos fantástico ou maravilhoso ou espetacular. Ficamo-nos pelo OK porque, a maior parte do tempo, OK é suficiente.» pág.13

«Ando à deriva e, por mais solitário que seja, também pode ser extraordinariamente libertador. Nunca me hei de definir pelos termos de outra pessoa. Nunca sentirei a pressão dos meus pares, nem o fardo das expetativas parentais. Posso ver toda a gente como partes de um todo, e concentrar-me no todo e não nas partes.Tenho aprendido a observar muito melhor do que a maioria das pessoas observa. Não me deixo cegar pelo passado nem pelo futuro. Concentro-me no presente, porque é onde estou destinado a viver.» pág. 14

«Não quero amá-la. Não quero estar apaixonado.
As pessoas tomam a continuidade do amor como dado adquirido, tal como tomam a continuidade do corpo como dado adquirido. Não se apercebem de que a melhor coisa a cerca do amor é a sua presença regular. Uma vez que se consiga estabelecer isso, são alicerces adicionais para a vida. Porém, se não se puder ter essa presença regular, só se tem aqueles alicerces para sustentar, sempre.» pág.56

«-Todas as manhãs eu acordo num corpo diferente. Acontece desde que nasci. Esta manhã, acordei no corpo de Megan Powell, que vês aqui à tua frente. Há três dias, no passado sábado, era o de Nathan Daldry. Dois dias antes, foi Amy Tran, que visitou a tua escola e passou o dia contigo. Na segunda-feira passada, foi o Justin, teu namorado.Tu achas que tinhas ido ver o mar com ele mas, na verdade, era eu. Foi a primeira vez que nos vimos, e desde então não consigo esquecer-te.
Calo-me.» pág.84

«Em contrapartida, há maneiras de cometer suicídio, enumeradas ao pormenor.
Facadas no coração. Facadas no braço. Cintos ao pescoço. Sacos de plástico. Quedas a pique. Morte pelo fogo.Todas metodicamente investigadas. Exemplos dados. Ilustrações fornecidas-ilustrações toscas em que o sujeito de prova é claramente a Kelsea. Autorretratos do seu próprio fim.» pág.112

«Quando olhamos para uma multidão, os nossos olhos vão naturalmente para certas pessoas, quer as conheçamos quer não. Porém, o meu olhar neste momento está vazio. Sei o que vejo, mas não o que ela veria.
O mundo ainda é de vidro.

É esta a sensação de ler palavras com os olhos dela.
É esta a sensação de virar a página com a mão dela.
É esta a sensação quando ela cruza os tornozelos.
É esta a sensação de baixar a cabeça para o cabelo lhe esconder os olhos.
É este o aspecto da letra dela. É assim que se faz. É assim que ela assina o nome.» pág.173