sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Opinião - "Um Grito de Socorro" da escritora Casey Watson

Sinopse:
"Quando Casey Watson recebe Sophia no âmbito do programa de acolhimento, imediatamente se apercebe de que algo não bate certo. O comportamento de Sophia é inconstante e manipulador e a jovem está habituada a conseguir tudo o que quer, reagindo violentamente quando a contrariam. Parece só ter olhos para os homens da família de acolhimento e trata as mulheres com insolência. À medida que o tempo passa, Casey apercebe-se de que este comportamento esconde uma infância repleta de dor e abusos. Mas, quando as explosões violentas de Sophia começam a ameaçar a integridade física dos membros da família, Casey pergunta-se se será a pessoa certa para ajudar esta menina profundamente perturbada."retirado da contracapa do livro 

A escritora Casey Watson:
"Casey é uma mãe de acolhimento especializada em casos extremamente problemáticos. Ela e o marido recebem crianças com passados traumáticos. Enquanto estão ao seu cuidado, estas crianças são orientadas através de um programa comportamental que lhes permitirá voltar à sua família biológica ou entrar no sistema de acolhimento institucional. Antes deste livro, Casey já tinha escrito um outro baseado na história verídica de Justin, intitulado «O Menino que Ninguém Amava»"adaptado da banda do livro 

Opinião:
Tal como o nome indica este livro é realmente Um Grito de Socorro de uma menina chamada Sophie, que tem a tenra idade de 12 anos, quando foi entregue à família de acolhimento temporário dos Watson.
A leitura do livro fez-me ver mais uma vez, apesar de já ter plena noção desta realidade devido à minha profissão, a importância crucial das BOAS famílias de acolhimento. Estas famílias, estes pais de acolhimento, têm enormes privações ao nível familiar, pois a maioria das crianças que entram nos seus lares vem de famílias destruturadas, algumas já vivem à muito num regime de autogestão, ou seja, vivem por conta própria. Logo são crianças que têm vícios comportamentais, muitas vezes de automutilação, comportamentos que assumem para lhes ser dada a atenção e a dedicação que tanto necessitam mas que recusam. O conflito interior destas crianças é levado ao extremo, se algumas têm a capacidade de conseguirem adaptar-se a uma nova família e adotar comportamentos adequados, outras não.
Sophie é uma criança que com os seus tenros 12 anos já viu e passou por mais do que muitos adultos passaram em toda a sua vida. Não é de todo uma criança afável, tem momentos de descontrolo total da sua personalidade, é violenta quer em termos físicos quer a nível psicológico. Sofre da doença de Addison o que pode levar a elevados estados de ansiedade. Contudo, tudo o que era justificável pela doença, começou ao longo das semanas a ser questionável por parte dos pais de acolhimento. Ao comportamento de predisposição sexual para com os adultos e os seus ataques agressivos de extrema fúria, Casey começa a suspeitar que não têm nada a ver com a sua doença, mas sim uma problemática eventualmente do foro mental.
Mas será o que se pode exigir a uma criança que aos 10 anos assistiu há tentativa de suicídio da sua mãe, que aos 10 anos já tinha sido molestada pelos namorados da sua progenitora. Quando foi entregue ao seu tio, este a aceita para mais tarde a recusar. Os seus avós recusam aceitar a sua neta para dar os seus mimos e carinhos.
Este livro vai ficar na minha memória, tanto pelo sofrimento destas Sophie(s) que andam por este mundo fora, como pela força, determinação e garra desta mãe de acolhimento.
Recomendo vivamente esta leitura.
Classificação de 5***** no Goodreads.

Excelentes leituras.

2 comentários:

  1. Olá Carla
    Não conhecia mas parece daqueles livros bastante emotivos.
    Beijinhos e boas leituras

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    1. Olá Sara,
      Eu gostei muito do livro, principalmente por conhecer melhor a enorme importância das famílias de acolhimento.
      Beijinhos e boas leituras.

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