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terça-feira, 7 de julho de 2015

Minha opinião sobre o livro «As Luzes de Setembro» de Carlos Ruiz Zafón

As Luzes de Setembro
Trilogia da Neblina - Vol. III
de Carlos Ruiz Zafón;
Tradução: Maria do Carmo Abreu
Edição/reimpressão:2014
Páginas: 256
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896575205
Preço: 15,98 euros

Comecei a ler:06-07-2015
Terminei de ler:07-07-2015

Sinopse:
«Um misterioso fabricante de brinquedos que vive em reclusão numa gigantesca mansão povoada de seres mecânicos e sombras do passado... 
Um enigma em torno de estranhas luzes que brilham entre a neblina que rodeia a ilhota do farol. Um ser de pesadelo que se oculta nas profundezas do bosque... 
Estes e outros elementos tecem a trama do mistério que unirá Irene e Ismael para sempre durante um mágico Verão em Baía Azul. Um enigma que os levará a viver a mais emocionante das aventuras num labiríntico mundo povoado de luzes.

Um livro fascinante de intriga, fantasia, mistério e amor com uma tensão e um suspense que aumenta à medida que avançamos na história. E sempre envoltos numa atmosfera ameaçadora.»retirado do site wook

Críticas de imprensa
«Excitante… cheio de trinados e arrepios.»
Publishers Weekly

«Zafón criou uma história original que irá manter os leitores presos às suas páginas. Um genuíno mistério com pinceladas de terror.»
Kirkus Reviews

«Um thriller agradavelmente antiquado... Um mistério cheio de autómatos assustadores e segredos mortais.» 
Financial Times

Minha opinião:
O livro «As Luzes de Setembro» é o último livro da Trilogia da Neblina, que tem livros independentes, ou seja, podem ser lidos por qualquer ordem.

Este livro prendeu-me deste o início ao contrário do anterior, não querendo tirar o mérito a nenhum dos livros que li até hoje de Carlos Zafón, pois este é um escritor brilhante e cuja sua imaginação para a escrita fantasmagórica é a meu ver inegável.

Após a morte do seu marido em 1937, e da situação de dívidas que ele deixa à sua família, Simone Sauvelle deixa Paris com os seus filhos e vai morar em uma pequena cidade no litoral da Normandia para trabalhar como governanta de Lazarus Jann, um homem muito rico e fabricante de brinquedos, que mora numa mansão com a sua esposa doente, e os seus muitos brinquedos autómatos assustadores. Simpático e muito educado, Lazarus trata Simone e os seus filhos com muito carinho e respeito, dividindo com eles algumas das suas criações. Os seus autómatos são tão perfeitos que chegam a assustar dando a impressão terem vida própria.

Simone e seus filhos estão muito animados com a mudança, Dorian - o filho mais novo -, passa os seus dias dedicado a fazer mapas e apreciar a linda paisagem da Baía Azul. Mas Lazarus pede algo a Dorian que não podia tê-lo deixado mais satisfeito, ele passa a ser seu ajudante na entrega de recados e, desta forma, tem a oportunidade de conhecer um pouco mais do universo dos brinquedos.Irene não poderia estar mais encantada com as praias e, principalmente, um certo pescador, Ismael.Irene é uma adolescente, que começa a apreciar as profundas alterações do seu corpo - com quinze anos -.Rapidamente faz amizade com Hannah, que se torna a sua maior amiga, Hannah é uma rapariga da vila muito faladora que trabalha como cozinheira na mansão Cravenmoore,e o seu primo é o pescador pelo qual Irene encantada, um marinheiro que gosta de solidão.

Juntos,Irene e Ismael passam a explorar o mar no pequeno veleiro do marinheiro, descobrindo coisas incríveis. Como quando a história da misteriosa  mulher que sumiu de forma inexplicável a caminho do farol – o mesmo farol onde os dois se beijam pela primeira vez.
Ismael sabendo que Irene está intrigada com a história da mulher misteriosa empresta-lhe o diário da tal mulher. Irene começa a tentar desvendar suas páginas angustiadas e sombrias. Mesmo sem conseguir entender o que aconteceu com sua dona, a Irene sente-se envolvida e profundamente tocada pela vida daquela pessoa desconhecida.

Mas tudo se altera numa noite chuvosa, a vida de todos está prestes a mudar para sempre. Isso porque, sem querer, Hannah, que poucas vezes ficava a dormir na mansão, numa noite em que lá ficou é acordada com um incómodo barulho de janela a bater e decide ir fechá-la. Mesmo achando o local estranhamente assustador, com tantos autómatos circulando, a Hannah vai até ao quarto de onde vem o barulho. Mas não se limita a fechar a janela e faz algo que vai ter repercussões estrondosas para todos. Hannah liberta um mal escondido há duas décadas dentro de um frasco de perfume.
A atmosfera de felicidade é desfeita pois acontecimentos macabros começam a suceder e uma sombra maligna assombra Cravenmoore.

Desesperados em busca de respostas, Irene e Ismael começam a investigar profundamente os mistérios que envolvem Cravenmoore e o seu dono, envolvendo-se numa aventura muito, mas mesmo muito perigosa, da qual nem mesmo Simone e Dorian têm esperança de poder escapar.

Irene é adorável e cativou-me logo nas primeiras linhas, Hannah é uma jovem divertida e tagarela, Dorian é um rapaz muito perspicaz e observador, Ismael é um jovem do mar tranquilo que conquista com poucas palavras.

Logo que o engenheiro Lazarus foi apresentado, senti que ele escondia alguma coisa sobre seu passado e a doença da sua esposa pareceu-me logo muito estranha, dado que ele não permitia a ninguém ir vê-la, contudo, quando seus segredos vieram à tona, foi impossível não ficar sensibilizada com sua história.

E eis que no meio da leitura tive uma surpresa ao ver que Andreas Corelli faz uma participação nesse livro. Quem ainda não leu os livros para o público adulto deste escritor e não conhece o Sr. Corelli, pode ficar tranquilo que seu papel em «As Luzes de Setembro» é bem explicada e não tem relação com os outros livros desta trilogia.

Com bastante ação e momentos verdadeiramente aterrorizadores – e cheios de agonia, quando achamos que é o fim da linha -, «As Luzes de Setembro» esconde não só uma, mas algumas histórias de amor. Não só o amor entre homens e mulheres, mas entre mães e filhos e, claro, entre homens e seus sonhos.

Apesar de todo o aspecto sombrio, a história é extremamente envolvente e é uma leitura deliciosa. Muito honestamente perdi-me nas páginas e mal dei pelo tempo passar, sempre a querer apenas parar e que no final, as coisas terminassem bem. Os personagens são cativantes e parecem amigos próximos, o que torna a leitura ainda mais emocionante.
Não me canso de dizer que a escrita do Zafón é mágica, mais uma vez fui transportada para outro mundo durante a leitura, um mundo fantasmagórico, mas maravilhosamente aterrador.

A narrativa começa apresentando os personagens, depois um elemento de mistério é acrescentado, seguido de um suspense que cresce conforme avançamos na leitura até estarmos completamente imersos na narrativa. Outra característica do autor, é o toque macabro que permeia suas histórias e em «As Luzes de Setembro», não poderia ter sido diferente.

No livro «As Luzes de Setembro» o estilo narrativo de Zafón é como se ele testasse os seus próprios limites, fazendo diferentes experiências do ponto de vista dos recursos linguísticos. 
É inegável que o Zafón é um bom contador de histórias. O livro reúne o que um leitor procura: diversão, mistério e uma pitada de romance, a meu ver um pouco de terror à mistura.
«As Luzes de Setembro» é uma leitura para o público juvenil e para o adulto, muito bem escrito, a narrativa é maravilhosa, repleta de metáforas e temas que servem para uma boa reflexão. Impossível de largar, enquanto como leitora não resolvi os mistérios e cheguei ao fim do livro.

Recomendo vivamente a leitura deste livro.
Excertos:
«Era um frio amanhecer e Inverno e os vidros da sala número catorze do Hospital Saint George estavam tingidos por uma fina película de gelo que desenhava umas aguarelas fantasmagóricas da cidade na treva dourada do amanhecer.» pág.17

«Uma ténue brisa soprava do mar e agitava a espessura do bosque que rodeava Cravenmoore. O sibilo invisível das folhas acompanhava o eco dos passos de Simone e dos filhos no caminho que atravessava o arvoredo, um verdadeiro túnel talhado numa selva escura e insondável. A pálida luz da Lua lutava para atravessar o sudário de sombras que cobria o bosque. As vozes invisíveis dos pássaros que faziam ninho nas copas daqueles gigantes centenários formavam uma inquietante litania.
-Este lugar dá-me calafrios-notou Irene.
-Disparates-apressou-se a atalhar a mãe.-É simplesmente um bosque. Vá, vamos andando.» pág.25

«As maçanetas das portas eram rostos risonhos que piscavam os olhos ao girar. Uma grande coruja de magnífica plumagem dilatava as pupilas de vidro e agitava-se lentamente nas brumas. Dezenas ou quiçá centenas de miniaturas e brinquedos ocupavam uma imensidade de paredes e vitrinas que demoraria uma vida a explorar.» pág.29

«Ismael abriu a porta da casa do farol e fez sinal a Irene que entrasse. A rapariga penetrou na velha vivenda e sentiu como se acabasse de dar um passo de duas décadas no passado. Tudo continuava intacto, sob uma capa de neblina formada pela humidade de anos e anos. Dezenas de livros, objectos e móveis permaneciam intactos, como se um fantasma tivesse levado o faroleiro de madrugada. Irene olhou para Ismael, fascinada.» pág.82

«Enquanto o faziam, um único pensamento atravessou a mente da rapariga: num mundo de luzes e sombras, todos, cada um de nós, devia encontrar o seu próprio caminho.» pág.247


Boas leituras!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Minha opinião sobre o livro "O Palácio da Meia-Noite" de Carlos Ruiz Zafón

O Palácio da Meia-Noite
Trilogia da Neblina - Vol. II
de Carlos Ruiz Zafón;
Tradução: Maria do Carmo Abreu
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 280
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896573881
Preço:17,76 euros

Comecei a ler:17-06-2015
Terminei de ler:18-06-2015

Sinopse:
«No coração de Calcutá esconde-se um obscuro mistério...
Um comboio em chamas atravessa a cidade. Um espectro de fogo semeia o terror nas sombras da noite. Mas isso não é mais do que o princípio. Numa noite obscura, um tenente inglês luta para salvar a vida a dois bebés de uma ameaça impensável. Apesar das insuportáveis chuvas da monção e do terror que o assedia a cada esquina, o jovem britânico consegue pô-los a salvo, mas que preço irá pagar? A perda da sua vida. Anos mais tarde, na véspera de fazer dezasseis anos, Ben, Sheere e os amigos terão de enfrentar o mais terrível e mortífero mistério da história da cidade dos palácios.»retirado do site wook


Críticas literárias:
«Um livro para adultos, bem como para adolescentes, mas não aconselhável para cardíacos...O realismo mágico da obra-prima que veio sete anos depois, está aqui, num emocionante mistério meticulosamente trabalhado.»
Weenkend Prees/ Dominion Post Weenkend (NZ)
Book trailler...

«O Palácio da Meia-Noite, depois de muitos anos de edições lamentáveis, vê hoje por fim a luz como o seu autor lhe pareceu que deveria ter visto quando publicado pela primeira vez. Passaram uns anos e um romancista sente-se tentado a refazer os passos perdidos e  a corrigir os muitos defeitos que infestam uma obra inicial, para que dê a impressão que possuía mais talento do que na realidade tinha. Pareceu-me mais honesto deixá-lo tal e qual como o escrevi, com os recursos e a tarimba daquele tempo.»
Carlos Ruiz Zafón

«O Palácio da Meia-Noite é o segundo romance que publiquei, por volta de 1994, e que faz parte, com O Príncipe da Neblina, As Luzes de Setembro e Mariana, da série de romances "juvenis" que escrevi antes de A Sombra do Vento. Para dizer a verdade, nunca soube muito bem o que significa isso de "romance juvenil". A única coisa que sei é que quando os escrevi era bastante mais novo do que sou agora e que a minha ideia ao publicá-los era que, se tinha feito o meu trabalho correctamente, deviam interessar a leitores jovens de idades compreendidas entre os nove e os noventa anos. São histórias de mistério e aventura, romances que quiçá o Julián Carax de A Sombra do Vento podia ter escrito no seu sótão do Quartier Latin de Paris, enquanto pensava no seu amigo Daniel Sempere.»
Carlos Ruiz Zafón


Minha opinião:
Bom que dizer sobre este livro de Zafón, adorei, gosto imenso deste escritor, pois consegue sempre transportar-me para ambientes tenebrosos e terrivelmente misteriosos e eu adoro. O modo como Zafón escreve deixa-me sempre pregada ao livro sem o conseguir largar muito tempo, o que significa que este foi um livro que li com uma grande brevidade e com um enorme prazer.
Não quero fazer comparações entre o primeiro volume da Trilogia, que se intitula "O Príncipe da Neblina" com este segundo volume,isto porque, apesar de ser considerada uma trilogia nada tem a ver um livro com o outro, o terceiro e último livro intitula-se "As Luzes de Setembro". Ou seja, os lugares são diferentes, as personagens são diferentes, logo o enredo é completamente diferente.
Desta forma, pode o leitor ler qualquer um destes livros pela ordem que lhe convier pois nada têm em comum, a não ser a escrita maravilhosa de Zafón, com os seus cenários sombrios, mistérios com uma quanta parte de magia e protagonistas jovens.
Os três livros, juntos , marcaram o início da carreira literária do escritor, que consagrou-se com histórias para adultos, mas com igual qualidade.

Esta história desenrola a sua acção em Calcutá, Índia, entre os anos de 1916 e 1932.
Ao longo da narração deste livro que é feita por Ian, um dos meninos da época, ficamos a conhecer a fatídica história de Ben e Sheere, dois irmãos gémeos que são separados à nascença. 

Numa noite chuvosa, um homem, de seu nome Peake,tenente inglês, foge com dois bebés de um perseguidor maléfico e malvado, ao pior dos destinos: o desejo de vingança de Jawahal. Ele sabe que não terá muito tempo para salvar os bebés e tem apenas uma hipótese para os conseguir salvar, levá-los para a casa da avó, Aryami Bosé, dos recém-nascidos e depois fugir para sempre.
Esta é a forma de salvar os únicos rebentos que resultaram do feliz casamento da filha de Aryami Bosé, com o peculiar engenheiro e escritor Chandra Chantterghee.

Aryami Bosé, toma a decisão, mais dificil da sua longa vida, decide separar os dois irmãos o rapaz mais tarde batizado com o nome Ben é levado por ela para o orfanato St. Patrick, dirigido por Thomas Carter e a rapariga, a quem dá o nome de Sheere, fica sob a sua proteção. Esta é a única forma de fazer com que os dois sobrevivam ao amaldiçoado Jawahal.

Ben está prestes a completar dezasseis anos e, com isso, precisará de deixar para trás não só o orfanato, como também os seus melhores amigos. Juntos, os sete jovens formam a Chowbar Society, um grupo que jurou proteger-se e ajudar-se em qualquer circunstância. Os encontros do grupo acontecem sempre no Palácio da Meia-Noite, numa dessas noites, quando estão prestes a despedirem-se de vez, eles vão conhecer Sheere. A jovem, de quase dezasseis anos, que se deslocou ao orfanato com a sua avó e descobriu mais que um grupo de amigos.

Dezasseis anos depois, o terrível Jawahal-uma das mais interessantes personagens criadas por Zafón-, volta para ameaçar tudo e todos de forma a dar o seu golpe final e completar os seus maquiavélicos planos.No centro de toda esta trama de acontecimentos vividos em plena cidade dos palácios, os oito membros da Chowbar Society vão sentir, literalmente, o fogo do ameaçador e sinistro Jawahal e lutar contra os próprios medos.

O modo como Zafón leva o leitor por entre as ruas escuras e mal cheirosas de Calcutá e os embrenha no mistério de Ben e companhia torna este livro quase que obrigatório, não só para os fãs do autor mas para todos, independentemente da idade, que gostem de uma história magnífica, repleta de ação, fantasia, mistério e enigmas.

Na minha memória ficará, sem dúvida, as maravilhosas descrições de uma cidade repleta de edifícios e locais mágicos, assim como o conhecimento do "Pássaro de Fogo", a arma mortífera de Jawahal ou o assustador comboio de chamas. 

Um dos aspectos mais fascinantes nos livros de Zafón é o seu estilo de escrita. E não sendo este um livro com a complexidade do "O Jogo do Anjo" é muito fácil reconhecer os seus traços no estilo da sua escrita. No modo como evoca ambientes sombrios com um pormenor que parece palpável, a beleza nos ocasionais toques quase que poéticos, faz-me parecer que o autor está plenamente presente. Este facto é que faz com que, mesmo sendo uma história simples, este livro me tenha deixado fascinada.

Recomendo vivamente a leitura de todo e qualquer livro de Zafón.

Excertos:
«Dia após dia esperámos com tristeza e receio a chegada daquele Verão em que completaríamos os dezasseis anos e que haveria de significar a nossa separação e a dissolução da Chowbar Society,aquele clube secreto e reservado a sete membros exclusivos que fora o nosso lar durante os anos no orfanato. Ali crescemos sem outra família além de nós mesmos e sem outras recordações do que as histórias que contávamos até chegar a madrugada em redor da fogueira, no pátio da velha casa abandonada que se erguia de Cotton Street e Brabourne Road, um casarão em ruínas que havíamos baptizado como o Palácio da Meia-Noite.Não sabia então que aquele seria a última vez que veria o lugar em cujas ruas me criei e cujo feitiço me perseguiu até hoje.» pág.11

«Com esse espírito, confiando que a memória não me atraiçoará, reviverei os misteriosos e terríveis acontecimentos que ocorreram durante aqueles quatro ardentes dias de Maio de 1932.» pág.13

«Desde aquele dia, a maldição de um terrível calor caiu sobre a cidade e os deuses voltaram-lhe as costas para sempre, deixando-a ao abrigo dos espíritos da escuridão. Os poucos homens sábios e justos que restavam rezavam para que, um dia, as lágrimas de gelo de Shiva caíssem de novo do céu e quebrassem aquela maldição que transformara Calcutá numa cidade maldita...» pág.82 



Boas leituras!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Minha opinião do livro:"O Príncipe da neblina" de Carlos Ruiz Zafón

O Príncipe da Neblina
Trilogia da Neblina - Vol. I
de Carlos Ruiz Zafón 
Tradução: Maria do Carmo Abreu
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 208
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896572198
Preço:17,75 euros

Uma história de aventura e mistério para jovens dos 9 aos 99 anos

Sinopse:
"O primeiro livro da trilogia Neblina.

Um diabólico príncipe que tem a capacidade de conceder e realizar qualquer desejo... a um preço muito elevado. 
O novo lar dos Carver, numa remota aldeia da costa sul inglesa, está rodeado de mistério. Respira-se e sente-se a presença do espírito de Jacob, o filho dos antigos donos, que morreu afogado.
As estranhas circunstâncias dessa morte só se começam a perceber à medida que os jovens Max, a irmã Alicia e o amigo Roland vão descobrindo factos muito perturbadores sobre uma misteriosa personagem de seu nome… o Príncipe da Neblina."retirado do site wook

Lançamento do livro(Planeta Manuscrito, retirado do youtube)

Este romance foi Prémio de Novelas Edebé
Minha Opinião:

Devo desde já referir que se trata de uma trilogia designada Neblina, sendo este o primeiro volume.
Claro que não posso comparar com o outro livro que li deste escritor, "O Jogo do Anjo". Este é um livro, que como o escritor refere para ser lido dos 9 aos 99. 
Gostei muito do prólogo, deu-me a conhecer o escritor e todos os esforços que estão por de trás da escrita de um livro, conclui que escrever como Záfon não é para qualquer um. Definitivamente um dos meus escritores favoritos.


O livro é juvenil e talvez por isso tenha gostado tanto, pois fez-me recordar os livros de mistérios e suspense que lia na minha juventude.
As personagens estão muito bem caracterizadas, em especial Max e o Príncipe da neblina _ Caín, de seu nome_ a evolução de Alicia ,irmã mais velha de Max e Irina, Alicia que de início era um tanto ao quanto irritante e sem um pingo de paciência, torna-se ao longo do livro uma criatura sensível e amável.

A história começa no ano de 1943, "...e os ventos da guerra arrastavam o mundo pela corrente abaixo...", estavam a atravessar a segunda guerra mundial. No dia do aniversário de Max, em que celebrou os seus 13 anos, o seu pai que era relojoeiro de profissão,Maximilian Carver, informa a família que se vão mudar da cidade e da guerra, para uma pequena aldeia na orla do Atlântico. Onde poderiam ter uma vida mais calma e pacata.

Mas de calma e pacata esta aldeia não tem nada, todo o mistério que envolve os antigos donos da casa, em que o filho morre afogado e logo de seguida o seu pai também, acabando por a antiga inquilina mudar de casa e colocar esta à venda. Será que estas mortes foram um acaso?

Por detrás da casa havia uma floresta onde se encontrava estátuas de gelo e um palhaço, ao centro com um ar trocista, que Max teve a sensação de se tinha mexido enquanto ele estava a observar as estátuas dispostas em circulo. 

Mas o Palhaço não é nem de gelo nem um palhaço mas sim O Príncipe da neblina. Este era aterrador, em troca de desejos que os jovens lhe pediam, um só desejo para cada um,os jovens ficavam em divida para com  o Príncipe da neblina  e quando este lhes pedisse algo fosse o que fosse tinha que ser comprido se não ele transformava-os em estátuas de gelo ou simplesmente os jovens apareciam mortos.

No mar em frente da nova casa estava um navio afundado mas que dava para ver uma parte do casco, tinha por nome Orpheus, nunca ninguém soube como se deu o naufrágio e como os tripulação nunca surgiu. Mas houve um sobrevivente o avó do actual melhor amigo de MAX e de Alicia, o Roland. O avó de Roland construí-o um farol como prova da sua gratificação por ter sobrevivido ao naufrágio do Orpheu. E é ele que vai contar aos jovens a história do Príncipe da Neblina e dos antigos donos da casa de Max e de Alicia. 

Bom com todo este meu entusiasmo acabo por contar algumas coisas do livro, o que não é minha intenção, mas sendo este o primeiro livro da trilogia tenho a certeza que se advinham muitas outras coisas, ao longo desta leitura.

Concordo plenamente que este é um livro dos 9 aos 99 anos, tem uma leitura que me prendeu deste do prólogo até ao final, não considero que seja, como li noutros blogues o pior livro de Záfon, simplesmente é um livro diferente, talvez muito mais leve e que nunca pode ser comparado à trilogia "Cemitério dos livros".

Boas leituras!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Jogo do Anjo

Sinopse:

Na Barcelona turbulenta dos anos 20, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe de um misterioso editor a proposta para escrever um livro como nunca existiu a troco de uma fortuna e, talvez, muito mais.

Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.
Excerto

«Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio a troco de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de lhe dar um tecto, um prato de comida quente ao fim do dia e aquilo por que mais anseia: ver o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente lhe sobreviverá. Um escritor está condenado a recordar esse momento pois nessa altura já está perdido e a sua alma tem preço.»
O Autor:

Carlos Ruiz Zafón nasceu em Barcelona em 1964. Com a sua primeira obra, El Príncipe de la Niebla, obteve o Prémio Edebé em 1993. Desde então publicou quatro romances e converteu-se numa das revelações literárias dos últimos tempos. Com A Sombra do Vento, finalista do Prémio de Romance Fernando Lara 2001 e do Prémio Llibreter 2002, eleito o Melhor Livro de 2002 pelos leitores de La Vanguardia, e publicado em mais de vinte línguas, está a obter um dos maiores êxitos internacionais da literatura espanhola.

Títulos

-A Sombra do Vento (2004)
-O Jogo do Anjo (2008)

A Minha Opnião:
Martín é um jovem escritor , uma pessoa desiludida com a vida, com o  amor e com a  carreira profissional, e como se não basta-se encontra-se gravemente doente. Martin vive só num casarão em ruínas que  pela descrição é bastante deprimente. 
Nesta fase de tormenta da sua vida  surge  Andreas Corelli, um estrangeiro,  que se intitula como  editor. Corelli é um misterioso homem que consegue seduzir Martin com a  sua fala, suave e sedutora, promete-lhe muito dinheiro e quem sabe se não irá dar-lhe algo mais?  O surgimento deste editor parece devolver a saúde ao escritor. Mas tudo na vida tem um preço e o que Corelli pede em troca não é pouco...uma encomenda...um livro...uma nova religião...
Ao longo desta leitura dei por mim  a tentar pensar com Martin e tentar responder à questão principal deste enredo que a meu ver é: "Quem é Corelli?", ou talvez, "O que aconteceu naquela casa?" ... este é o preço de tudo.... é isto, que o escritor vai tentar descobrir ao longo deste Jogo...

Martin começa a arrepender-se de ter aceite a oferta do misterioso editor e começa a investigar quem ele é, quando começa a descobrir factos alheios a ele tenta solucionar estes mesmos problemas que ele não estava a espera.

Um livro que nos prende muito, com uma história muito bem estruturada, no entanto, acho que se tivesse menos 50 ou 100 páginas não seria mau de todo. Outro aspecto que me fez alguma confusão foi o facto de não ter  explicado o repentino desaparecimento da doença de Martin.
Apesar destas pequeninas coisitas de nada, amei este livro e devo mesmo referir que Carlos Ruiz Zafón é um dos melhores  escritores que até agora. Bom, só quero ganhar forças para ler "A Sombra do Vento" que pelas críticas que tenho lido por ai é um livrito que promete...
Ups... não posso deixar de referir que adorei o modo como ele retratou Barcelona nos dias de tempestade e aquela casa terrível.

Boas Atmosferas. :)