Danças na Floresta
de Juliet Marillier
Edição/reimpressão:2008
Páginas: 336
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722516969
Coleção: Romance Fantástico
Preço:7,50 euros
Comecei a ler:12-07-2015
Terminei de ler:13-07-2015
Sinopse:
«Este livro da autora é inspirado no conto de fadas As Doze Princesas Bailarinas. É a história de cinco irmãs intrépitas, em luta com quatro criaturas sinistras, três misteriosos presentes mágicos, dois amantes proibidos e um sapo enfeitiçado. Há muitos mistérios na floresta. Jena e as suas irmãs partilham o maior de todos, um segredo fantástico que lhes permite escapar à vida diária nos campos da Transilvânia, e que mantiveram escondido durante nove anos. Quando o seu pai adoece e tem de abandonar o seu lar na floresta durante o Inverno, Jena e a sua irmã mais velha, Tati, ficam encarregues de cuidar da casa e das outras irmãs. O surgimento de uma misteriosa jovem de casaco preto faz nascer o amor numa das irmãs e, subitamente, Jena apercebe-se que tem de lutar para salvar aqueles que lhe são mais queridos. Acompanhada por Gogu , Jena tem de enfrentar grandes perigos para preservar não só as pessoas que ama, como também a sua própria independência e a da família.»retirado do site wook
Este livro é inspirado no conto de fadas «As Doze Princesas Bailarinas»...
Antes de começar a ler o livro, fiz uma pesquisa sobre o conto anteriormente mencionado, e recordei que já à muitos anos eu tinha visto este conto num filme intitulado «Barbie e as Doze Princesas Bailarinas», contudo na época não fazia ideia de que existia um conto do qual o filme tivesse sido adaptado.
Procurando saber mais sobre o conto, quando iniciei a leitura do livro da Juliet Marillier, descobri que este é um conto de origem alemã e que foi originalmente publicado pelos Irmãos Grimm em 1812. Existindo também uma versão russa do Alexander Afanasyev que se chama “O Baile Secreto” (este último tentei ver se o encontrava na internet mas não encontrei nada)
Aqui fica o conto "As Doze Princesas Bailarinas» dos Irmãos Grimm
«Era uma vez um rei que tinha doze filhas. Elas dormiam em doze leitos de um mesmo quarto e, quando iam para a cama, as portas eram fechadas e trancadas. Mas todas as manhãs encontravam seus sapatos completamente gastos como se houvessem dançado a noite toda. Entretanto, ninguém conseguia descobrir como isto acontecia, ou onde elas haviam estado.
Ruth Sanderson
O rei fez, então, saber em todo o reino que se alguém conseguisse descobrir o segredo e onde as princesas dançavam durante a noite, esta pessoa seria coroada rei depois de sua morte; mas quem tentasse e não obtivesse êxito, depois de três dias e três noites, seria condenado à morte.
Ruth Sanderson
Logo apareceu o filho de um rei. Ele foi bem recebido e ao anoitecer foi levado ao aposento ao lado do quarto onde as princesas se deitavam em seus doze leitos. Ali, ele deveria ficar sentado vigiando para descobrir onde elas iam dançar; e, para que não pudesse acontecer nada sem ele ouvir, a porta de seu aposento era deixada aberta. Mas o filho do rei logo caiu no sono e, ao despertar, pela manhã, descobriu que as princesas todas haviam estado dançando, pois as solas de seus sapatos estavam totalmente gastas. O mesmo aconteceu na segunda e terceira noites, e o rei ordenou que ele fosse decapitado. Depois dele, muitos outros vieram, mas todos tiveram a mesma sorte e perderam a vida da mesma maneira.
Aconteceu então, de passar pelo país onde reinava este soberano um velho soldado que havia sido ferido em batalha e já não podia lutar. Ao atravessar um bosque, ele encontrou uma velha que lhe perguntou aonde ele ia. “Mal sei para onde estou indo ou o que deveria fazer”, disse o soldado, “mas acho que gostaria muito de descobrir onde as princesas dançam e então, com o tempo, poderia ser rei.” “Bem”, disse a velha, “esta não é uma tarefa muito difícil: cuide apenas de não beber do vinho que uma das princesas vai lhe trazer à noite. E quando ela sair, finja cair rapidamente no sono.”
Ela entregou-lhe então um manto e disse, “Assim que vestir isto, ficará invisível e poderá seguir as princesas onde elas forem.” Ouvindo este bom conselho, o soldado resolveu tentar a sorte e, indo até o rei, disse-lhe que desejava empreender a tarefa.
Ele foi tão bem recebido quanto os outros, e o rei ordenou que lhe dessem lindas vestes reais. Quando anoiteceu, foi conduzido ao aposento externo. E justo quando ia se deitar, a princesa mais velha trouxe-lhe uma taça de vinho, mas o velho soldado derramou-o às escondidas tomando o cuidado de não beber uma gota sequer. Depois, ele deitou-se em seu leito e dentro em pouco começou a ressonar bem alto como se tivesse caído rapidamente no sono.
Quando as doze princesas ouviram isto, riram gostosamente, e a mais velha falou, “Este sujeito devia ter feito uma coisa mais sábia do que perder a vida desta maneira!”. Então, elas se levantaram, abriram suas gavetas e baús, tiraram todas suas roupas finas, vestiram-se saltitantes diante do espelho como se estivessem ansiosas para começar a dançar. A mais jovem disse, porém, “Não sei porque enquanto vocês estão tão felizes eu me sinto tão inquieta; estou certa de que algum infortúnio vai se abater sobre nós”. “Bobalhona”, disse a mais velha, “você está sempre com medo; já esqueceu quantos filhos de reis nos espionaram em vão? E quanto a este soldado, mesmo que não tivesse bebido o sonífero, ainda assim teria dormido profundamente.”
Quando todas se haviam aprontado, foram observar o soldado, mas este roncada e não mexia nem as mãos nem os pés, e assim elas se julgaram perfeitamente a salvo. A mais velha foi, então, até seu próprio leito e bateu palmas: o leito afundou no chão e abriu-se um alçapão. O soldado viu-as descer em fila pelo alçapão com a mais velha na frente, e pensando que não tinha tempo a perder, levantou-se de um salto, vestiu o manto que a velha lhe dera e as seguiu. Mas no meio da escada, ele pisou no vestido da princesa mais nova que gritou para suas irmãs, “Tem alguma coisa errada; alguém agarrou meu vestido.” “Sua tolinha!”, disse a mais velha. “Não é nada; apenas um prego na parede.” Então, todas continuaram descendo e no fim da escada, encontraram-se no mais delicioso bosque cujas folhas eram todas prateadas, cintilando e faiscando maravilhosamente. O soldado quis tirar uma prova daquele lugar e quebrou um galhinho de árvore, produzindo um ruído muito forte. A filha mais nova repetiu, “Estou certa de que há alguma coisa errada; não ouviram um ruído? Isto nunca aconteceu antes”. A mais velha disse, porém, “São apenas nossos príncipes gritando de alegria com a nossa chegada”.
Elas chegaram, então, a um outro bosque onde todas as folhas eram de ouro; e depois, a um terceiro onde as folhas eram todos esplêndidos diamantes. E o soldado quebrou um galho de cada; e toda vez isto provocava um ruído que fazia a irmã mais nova estremecer de medo. Mas a mais velha continuava dizendo que eram apenas os príncipes gritando de alegria. Assim foram elas até chegarem a um grande lago; e à beira do lago havia doze barquinhos com doze lindos príncipes que pareciam estar esperando ali pelas princesas.
Lidia Postma
Cada princesa foi para um barco e o soldado entrou no mesmo que a mais nova. Enquanto iam remando pelo lago, o príncipe que estava no barco com a princesa mais nova e o soldado disse, “Não sei por que, mas apesar de estar remando com todas as minhas forças, não vamos tão depressa como sempre, e estou muito cansado: o barco parece muito pesado hoje”. “É apenas o calor do tempo”, disse a princesa, “eu também estou muito acalorada.”
Do outro lado do lago havia um lindo castelo iluminado de onde surgia uma música alegre de trompas e clarins. E ali, todos desembarcaram e foram para o castelo. Cada príncipe dançou com sua princesa; e o soldado, que estava invisível o tempo todo, dançou com elas também. Quando alguma princesa recebia uma taça de vinho, ele o bebia todo, de modo que, quando uma princesa levava a taça aos lábios, ela estava vazia. Também isto deixou a princesa mais nova terrivelmente assustada, mas a mais velha silenciou-a. Elas dançaram até as três horas da manhã e seus sapatos estavam inteiramente gastos, por isso foram obrigadas a partir. Os príncipes remaram atravessando-as para o outro lado do lago (mas desta vez o soldado acomodou-se no barco com a princesa mais velha) e na margem oposta eles se despediram. As princesas prometeram voltar na noite seguinte.
Quando chegaram à escada, o soldado correu na frente das princesas e deitou-se em seu quarto. E enquanto as doze irmãs subiam lentamente, por estarem muito cansadas, ouviram-no roncar em seu leito e pensaram, “Agora tudo está seguro”. Então elas se trocaram, guardaram as roupas finas, tiraram os sapatos e foram dormir. Na manhã seguinte, o soldado não disse nada sobre o que havia acontecido, mas decidiu ver mais daquela estranha aventura, e foi novamente na segunda e terceira noites. Tudo aconteceu exatamente da mesma maneira. Todas as vezes, as princesas dançavam até seus sapatos ficarem em pedaços e depois voltavam para casa. Na terceira noite, porém, o soldado trouxe consigo uma das taças douradas como prova de onde havia estado.
Quando chegou o momento de declarar o segredo, foi levado diante do rei com os três galhos e a taça dourada, e as doze princesas ficaram atrás da porta para escutar o que ele iria dizer. E quando o rei lhe perguntou, “Onde minhas doze filhas dançam à noite?”, ele respondeu, “Com doze príncipes num castelo subterrâneo”. E contou ao rei tudo que havia acontecido mostrando-lhe os três galhos e a taça de ouro que trouxera. O rei mandou chamar as princesas e perguntou-lhes se o que o soldado contara era verdade. Quando elas perceberam que haviam sido descobertas, e que não valia a pena negar, confessaram tudo. O rei perguntou, então, ao soldado qual delas ele escolheria para sua esposa. E ele respondeu, “Já não sou muito novo, por isso ficarei com a mais velha”. E eles se casaram naquele mesmo dia, e o soldado foi escolhido para herdeiro do rei.” retirado daqui
Nota:as ilustrações foram retiradas do Pinterest.
Minha opinião:
O Segredo de Cibele"
que coloca um fim a esta duologia fantástica de Juliet Marillier.
Nota:as ilustrações foram retiradas do Pinterest.
Minha opinião:
Nunca tinha lido nada de Juliet Marillier, contudo
andava faz muito tempo ansiosa por experimentar a leitura de algum dos seus
livros. Isto porque, só leio críticas muito favoráveis da escritora e tinha muita
curiosidade para saber qual seria a minha opinião sobre ela.
Convém referir que este livro faz parte de uma
duologia, em que este é o primeiro volume sendo o segundo e último volume intitulado:
«O Segredo de Cibele», que conto ler em breve.
Esta leitura surgiu através de um desafio literário
do mês de Julho-leitura do mês do Goodreads- aproveitei então para participar e
finalmente ficar a conhecer a escrita de Juliet Marillier.
Mas que excelente surpresa foi a leitura deste livro,
«Dança da floresta», é já para mim um dos melhores livros de romance fantástico
que li no ano de 2015.
Deparei-me para minha surpresa com uma escrita doce
e mágica, que cada vez que virava a página a leitura tornava-se cada mais
viciante.
O livro conta-nos a história das cinco irmãs que
sempre que era lua cheia transitavam entre o mundo real para um mundo mágico,
tornando-se deste modo uma deliciosa aventura para todos aqueles, que tal como
eu, que apreciam o maravilhoso mundo da fantasia, onde fadas, fantasmas,
vampiros, gnomos, bruxas, feiticeiros, gigantes, entre outros seres mágicos
existem.
O cenário não poderia ser mais exótico: a história
decorre na Transilvânia, um país com um imaginário muito rico, onde as lendas
são contadas como algo vivo, real, local do nascimento dos vampiros e de outras
criaturas mágicas. Será de referir que a própria autora utilizou as lendas
locais para poder compor a história, dando-lhes alguns contornos próprios, ela
transformou esse livro numa ode ao amor familiar e aos contos de fadas. Juliet
Marillier ao transportar-nos até à Transilvânia, leva-nos ao encontro com a
mitologia e as lendas sobre esta região hostil e o seu povo que em sintonia com
a Natureza, faz os possíveis para sobreviver.
Existem sempre personagens que nos marcam mais do
que outras em todos os livros que lê-mos, neste livro, a narradora é a Jena, e
foi ela que mais me marcou, pela sua força de vontade e força interior, apesar
de todas as contrariedades às quais foi constantemente posta à prova, pela sua
amabilidade pelas criaturas e pelo respeito que ela sempre demonstrou pela floresta
e todos os que aí habitam, neste reino e no outro, e pela sua capacidade de
perdoar, por mais magoada que se sentisse ela também magoada. Gostei dela
durante todo o livro e queria muito que ela encontra-se a sua felicidade. Foi
notório durante todo o livro o desempenho de Jena e o seu desespero em tentar
achar um solução para o problema de Tati e para os problemas dos negócios do
Castelo. Por outro lado, temos Tati que foi uma decepção enorme. No momento em
que a família mais precisa dela, ela não estava presente. Acabei por a achar
egoísta, no entanto, no final compreendi os seus anseios. Adorei o sapo, Gogu,
ele é tão engraçado, tão amoroso, sarcástico, sensato e o único verdadeiro
amigo de Jena, apesar de ser um sapo, pode ser tudo isto, pelo menos para mim
foi. Jena era a única que o conseguia “ouvir”, estamos num mundo de fantasia e
tudo é possível. Temos também a feiticeira da floresta a Draguta, que é dotada
de um humor negro e me levou a questionar a sua verdadeira e real natureza,
isto é, se ela era boa ou maléfica, no entanto o seu papel ao longo da história
é muito importante, embora não me tenha apercebido imediatamente desse facto.
A autora conseguiu ainda distribuir muito bem todos
os elementos fundamentais para uma boa história como o suspense, a aventura, um
pouquinho de terror, mistério e um toque de romance, magia, paixão.
A capa e contracapa do livro, onde vigora uma
complexidade de figuras e cores, é de uma beleza que são inegáveis. Porém, o
mais interessante é que o livro todo cabe na capa, isto é, quando olhado com
atenção, conseguimos percepcionar todos os principais intervenientes da
história. Se soubermos procurar e se conhecermos bem o perfil de cada
personagem, vamos conseguir encontrar cada uma delas nesta magnífica capa. Dei
conta disso nas vezes que fui namorando a capa durante a leitura.
Espero que gostem tanto deste livro como eu gostei,
e é com elevadas expectativas que vou ir o mais brevemente possível na viagem
com Paula - a irmã intelectual de Jena - e o seu pai Teodor à Turquia, mais
concretamente à sua capital Istambul, no livro "
Este foi o primeiro livro do desafio literário
leituras mensais do Goodreads deste ano, tenho pena de não ter descoberto mais
cedo este desafio mas ainda tenho cinco messes para participar em mais leituras
mensais no Goodreads, foi um desafio muito bom, dado que me permitiu conhecer uma
nova escritora, que há muito queria conhecer e finalmente posso dizer que gosto
de Juliet Marillier. É também interessante para mim como leitora entrar neste
tipo de desafios, pois permite-me conhecer outros leitores e outras opiniões.
Tem um outro factor talvez de igual importância que é obrigar-me a sair da
minha zona de conforto nas leituras, por exemplo, tenho em casa esta duologia
faz algum tempo e se não fosse este desafio do Goodreads certamente não leria
este ano esta escritora. Logo vou continuar a participar nestas leituras
mensais do Goodreads mas, tinha que ter um mas, desde que tenha os livros
escolhidos em casa, pois aquisições estão fora de questão.
O livro que se segue é este:
Também ele com uma capa maravilhosa, a Bertrand Editores está de parabéns pela escolha dos designers para estas capas.
Excertos:
«Sabíamos que a personagem principal _ aquela que guardava os segredos antigos e que dominava a poderosa magia - era Draguta, a Feiticeira da Floresta. Draguta já existia na floresta muito antes de o castelo de Piscul Dracului ter surgido na imaginação do excêntrico voivode que o mandara construir. Draguta morava nas profundezas da floresta desde que os seus grandes carvalhos tinham começado a germinar. Draguta não comparecia nos bailes de lua cheia, ficava no covil, algures na parte mais selvagem e menos acessível da floresta. Se as pessoas precisavam de lhe pedir qualquer coisa, tinham de ir ter com ela.» pág. 28
«O meu coração, aos pulos desde a fuga à justa de Tristeza, abrandou, aliviado, quando Cezar me deixou para tentar arranjar o canto tranquilo de que tinha falado. Desatei a falar com a tia Bogdana, depois fui dançar com Razvan, Daniel e mais alguns jovens cujos nomes esqueci quase instantaneamente. Os comentários de Gogu eram previsíveis:
Demasiado alto, ficas com dores no pescoço só por falar com ele.
Este cheira mal.
Alfazema. É preciso dizer mais alguma coisa?» pág.206
Recomendo vivamente a leitura deste livro «Danças na Floresta» e mesmo não tendo ainda lido imagino que seja delicioso como o anterior, visto tratar-se de uma duologia, atrevo-me a recomendar também «O Segredo de Cibele» da excelente escritora Juliet Marillier.
Boas leituras!








