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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

"Viver com a Solidão" de Luís Abreu

«Nunca nos poderemos sentir sós se dominarmos a arte de sermos felizes com a nossa companhia. Eu, desde que me conheço, que, no mínimo, me tenho a mim como companhia. Não tem corrido mal. Modéstia de parte: tenho sido uma excelente companhia para mim. Faço-me rir; converso; oiço-me; simpatizo comigo. Ninguém faria por mim o que eu faço.
Estar só connosco não é obrigatoriamente mau. Se pensarmos bem, a solidão é a forma que o universo tem de nos ensinar o caminho para dentro de nós. É possível estar só e conseguir quase tudo, parece-me que só a moral não se adquire em solidão. Claro que há os livros, mas de pouco valem se os ensinamentos que nos dão não puderem ser experimentados.
Claro que somos bichos sociais e que a companhia é indispensável, que as boas companhias até em silêncio o são, mas, normalmente, para ser boa companhia tem que se saber estar só.  A solidão ensina-nos a ser boa companhia.
A solidão, no entanto, tem outra face. Uma mais sangrenta. Mais cruel. Uma que não se inibe de ferir todas e todos que se atravessam na sua frente. Que faz as casas pequenas e fogo o ar que só respiramos para não morrer. A solidão que mais se mostra. Confesso que me falta o ar só de pensar nela. De pensar na forma como arranca pedaços ao corpo de todas as coisas. Essa, que nos quebra os ossos e nos junta a cabeça aos pés, persegue-nos com facas afiadas e silencia todos os sons. Uma solidão mais tirana que o mar quando engole um navio.
Falo daquela a que nos remetem os desejos que não satisfazemos e que ninguém ajuda a concretizar. Essa a que nos remetem os hábitos que nos deixam – sempre que não são bem substituídos. Não a que sentimos por estar só, mas a que sentimos por não estarmos com quem queremos. Essa é, normalmente, muito destrutiva.»
Cumprimentos,
Luís Abreu

sábado, 10 de outubro de 2015

Luís Abreu diz...

Quando tive o primeiro contato com a Atmosfera que aqui se vive o meu primeiro pensamento foi: aqui está um blog de alguém despretensioso que, tal como eu, ama os livros mesmo antes de os ler. Conhecer melhor o seu conteúdo e, posteriormente, a Carla confirmou a minha suspeita inicial e o que era um mero veículo de divulgação transformou-se num lar. Muito por culpa da Carla. Muito por culpa da disponibilidade, simpatia e sensibilidade da Carla. Sou tetraplégico e esses são valores a que dou extrema importância. Claro que há outros, mas se eu dissesse quais ficavam a saber demasiado.
Para continuar a ser honesto, a vontade de aqui escrever não nasceu de imediato, mas a conjugação do que referi com a paixão que tenho pela escrita e com a opinião da minha fisioterapeuta – segundo a qual eu devo fazer coisas (e não me limitar ao xadrez) -, fizeram crescer um bichinho que se alimenta de realizações e levaram-me a ganhar coragem e a propor escrever nesta Atmosfera com alguma regularidade. Proposta gentil e amavelmente aceite. Houve outra coisa que me fez querer escrever aqui: gostei muito do tratamento que foi dado ao texto que escrevi para cá ainda antes de pensar fazê-lo com alguma regra.
Se a Carla concordar e deixar, provavelmente, escreverei pouco sobre livros e muito sobre sentires e sentimentos – nem sempre em prosa.
Outra coisa de que quero falar (escrever no caso) é dos meus livros. Passados, presente e futuros. Dos livros do passado não há muito a dizer: são três, são de poesia, em nenhum há métrica ou rimas. No presente, num futuro muitíssimo próximo (dia 16), vou lançar um livro em prosa, uma autobiografia ficcionada, para o futuro estão planeados quatro livros: dois em prosa, um em poesia e um que o melhor é verem. Um dos livros em prosa está já a ser escrito, conta a história de um esquizofrénico e no final dá uma reviravolta surpreendente. O livro em poesia é composto por uma espécie de haikus ocidentais e também já está a ser escrito.
Termino dizendo que espero que gostem de ler os meus textos na mesma medida que vou gostar de os escrever.
Cumprimentos,
Luís Abreu