sábado, 20 de junho de 2015

Minha opinião sobre o livro "A Cada Dia" de David Levithan

A Cada Dia
de David Levithan
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 288
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898800107
Preço:14,93 euros

Comecei a ler:19-06-2015
Terminei de ler:20-06-2015

Sinopse:
«A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida:
Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir.
Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.» retirado do site wook

Críticas de imprensa...
«Este é um livro brilhante que vais adorar.» 
John Green

«Num livro original, engraçado, e dolorosamente honesto, David Levithan explora brilhantemente o dilema adolescente de não se sentir bem na sua pele e não saber onde pertence. Eu não li A Cada Dia, eu devorei-o.»
Jodi Picoult

«São raros os livros que desafiam presunções de género de uma forma tão divertida quanto inesperada e, talvez o mais importante, com que os adolescentes se podem identificar num momento em que muitos tentam entender a sua orientação sexual e a natureza do amor verdadeiro. A Cada Dia é precisamente esse livro… Uma história que é sempre sedutora, muitas vezes bem-humorada e muito parecida com o próprio amor esplendoroso.»
Los Angeles Times

«Intrigante e fascinante, aborda as preocupações mais humanas e reais: a importância da empatia, o valor de amigos e familiares, e a beleza da constância que temos o luxo de tomar como garantido.»
MTV HOLLYWOOD CRUSH

«Levithan é um génio literário. A sua escrita é brilhante, praticamente impecável. A luta de A para agarrar o amor num mundo em constante mutação é uma experiência que eu espero que todos possam partilhar.»
ROMANTIC TIMES
Book trailer...
Minha opinião:

Quando terminei de ler "A Cada Dia" fiquei assim a modos que sem saber como escrever ou dar a minha opinião. Esta foi uma leitura compulsiva, e quando digo isto é no sentido em que no início do dia de hoje ia na página 48 mais página menos página e são neste momento 22h22min. e terminei a leitura, sem conseguir parar; daí eu atribuir o adjectivo de leitura compulsiva. Mas graças a deus que assim foi pois eu adorei.

A temática prendeu-me logo desde o início, onde é que este escritor foi buscar a ideia de um personagem, supostamente A, acordar a cada dia no corpo de um ser humano diferente? Tenho que admitir que é uma ideia original, mas que me levou a pensar que tantas personagens seria complicado criar todas com um bom enredo. Enganei-me. Foi uma viagem que eu fiz com muito prazer através do quotidiana de A, que entra em corpos diferentes e vive neles somente por um dia, expondo as suas tristezas, loucuras, fragilidades, perturbações e pensamentos. 

A acorda sempre no corpo de alguém da mesma idade, este é o único ponto em comum que existem entre as diferentes personagens. Nem mesmo A entende o porquê de tal facto lhe acontecer e já se cansou de tentar encontrar respostas que expliquem tal facto, conformou-se com a vida que tem, nada convencional, mas é a vida dele. Contudo, existem duas regras que A criou para ele próprio, sendo estas as seguintes: nunca criar laços com ninguém nem com as pessoas que ele encarna, isto porque, vai evitar que ele sofra, pois no dia seguinte, será outra pessoa, estará num novo corpo; a segunda regra é evitar estragos, isto é viver o dia da pessoa em causa da forma mais próxima que a própria pessoa viveria, dado que no dia seguinte a pessoa seguirá a sua vida normalmente, sem se recordar de muita coisa do dia anterior.

O livro começa com A a acordar no corpo de Justin, um rapaz mal humorado que parece não estar de bem com a vida, não se importa com nada nem com ninguém, que tem uma namorada a Rhiannon, por quem A se encanta de imediato. 
Rhiannon é uma rapariga insegura, que apesar de ser tratada como um objecto pelo namorado continua a nutrir sentimentos por ele. Mas A encontra algo diferente em Rhiannon e tem necessidade de lhe proporcionar um dia de sonho, um dos melhores dias da sua vida. Estamos mesmo a ver que vai quebrar a regra de não alterar a vida da pessoa que ele incorpora e não criar laços.

Nos dias que se seguem A passa a encontrar-se com Rhiannon, em outros corpos, sendo surpreendido por não a conseguir esquecer. O amor que A sente por ela quebra todas as regras que ele estabeleceu e A luta para quebrar todos os obstáculos e problemas que vão surgindo.

Mas será Rhiannon capaz de o aceitar tal como ele é e amá-lo?
Será correcta a interferência que A está a fazer na vida das pessoas em quem vai encarnando?
Este é o ponto crucial do livro, que tem um enredo maravilhoso.

O livro mostra, como vou referir mais à frente, o quão imperfeitos somos e que por mais perdidos que possamos estar, sempre existe uma salvação. 
Este livro também tenta fazer-nos ver de uma nova forma a definição de género e sexo, ao questionar se o amor pode ultrapassar as aparências do corpo, seja ele masculino ou feminino.

Ao longo da leitura deste maravilhoso livro deparei-me com um leque imenso de personagens começando por A, Rhiannon, Justin e muitas outras que não quero referir os nomes. Houve uma que mexeu muito comigo, existiram mais mas esta sei que irei recordar sempre que olhar para o livro. Uma adolescente com 16 anos, em que A incorpora, que tem a sua vida numa verdadeira desordem sentimental, emocional, depressão, obsessivo-compulsiva perto do suicídio. Um diário macabro onde constam recortes de diversas formas de colocar termo à vida e com imagens coladas ao lado.

A escrita de David Levithan é maravilhosa ele usa a linguagem de uma forma fantástica, adulta e muito poética. A escrita dele foi música para o meu coração, as suas palavras são de uma intensidade cortante, profundas que nos levam a reflexões sobre a vida e sobre o ser humano. Este foi o aspecto em que o livro mais me prendeu, a escrita é tão intensa, tão bela e tão bem narrado que este livro está, é bom saber que ainda podemos descobrir escritores assim.

As personagens deste livro, que para além da sua linguagem adulta, também nos traz personagens que vou chamar pequenos adultos de 16 anos. Claro que que temos drama, mas não é um drama de adolescente que está de mal com a vida. Aos 16 anos os personagens criados por Levithan são maduros, coerentes e acima de tudo intensos. Não agem por impulso e tentam sempre ver a situação sob vários pontos de vista, não como se o mundo fosse lindo, mágico e um mar de rosas; eles procuram sempre pesar os prós e os contras das suas decisões de uma forma real, para que ninguém saia magoado com as opções tomadas. Tem diálogos de alguns personagens e pensamentos que me fizeram refletir, devido ao modo inteligente como o escritor os coloca.

Terminei esta leitura com uma única palavra em mente curiosidade. Porque no fundo li o livro todo sem saber quem ou o quê que é o A. Mas não me incomodou ter lido o livro sem saber quem é a personagem principal, ao contrário, fiquei ainda mais fascinada por ter lido este livro tão perfeito. No final do livro a atitude sublime e madura de A do livro, deixa claro que ele realmente não poderia ser humano, acho que não somos seres tão elevados ao ponto de termos a atitude de A.

Este livro fez-me essencialmente reflectir, sobre a nossa vida, sobre os relacionamentos humanos e sentimentos. Quem é que nunca teve um relacionamento que fracassou? Quem nunca pensou em colocar termo à própria vida? Quem nunca colocou o outro primeiro em relação a si mesmo? Quem nunca pensou fugir? Quem nunca teve medo?
É ao percorrer por todas as personagens que A encarna, que vamos vendo a outra fase do ser humano. Através dessas pessoas vamos reflectindo sobre o valor da nossa própria vida, da nossa própria existência.E foram essas realidades tão bem exploradas por Levithan que fez sentir como se estivesse naquele exacto momento a viver e a sentir tudo o que aquela pessoa estava a sentir. E quando um livro me leva a sentir na pele o que um personagem sente, então eu digo temos um bom livro, e mais ainda, estou perante um excelente escritor, porque para além de me fazer refletir sobre mim e sobre a natureza humana, fez-me esquecer de mim e fez com que eu encarnasse as personagens criadas por ele, isto porque são tão reais que fizeram-me como leitora confundir-me com os personagens.

Esta obra é emocionante e sensível merece ser saboreada com muita atenção e calma para não se perder nenhum detalhe.

A Cada Dia é um livro diferente dos outros livros, não só pela temática diferenciada que o autor aborda, como também, é um livro original e inovador. 

Mais uma vez o livro superou todas as minhas expectativas e tornou-se num dos meus favoritos do ano. Um livro maravilhoso, excelente e que a meu ver deve ser lido por todos.

Leiam... Sei que este é um livro que ou se ama ou se odeia, tenho plena noção disso. Quando estiverem a ler deixem-se levar pelas emoções, não pensem isto é impossível, mas sim isto é uma história muito bem estruturada e com personagens brilhantes.

Excertos:
«Acordo. De imediato, tenho de descobrir quem sou. Não é só o corpo-abrir os olhos e descobrir se a pele do braço é clara ou escura, se o cabelo é curto ou comprido, se sou gordo ou magro, rapaz ou rapariga, pele macia ou com cicatrizes. O corpo é a coisa mais fácil à qual adaptar, quando se está habituado a acordar num novo todas as manhãs. É a vida, o contexto do corpo, que pode ser difícil de assimilar.
A cada dia sou alguém diferente. Sou eu mesmo-sei que sou eu mesmo-mas também sou outro alguém.
Tem sido sempre assim.» pág.9

«Faço que sim com a cabeça. Se alguma coisa tenho aprendido, será isto: todos queremos que esteja OK. Nem sequer desejamos fantástico ou maravilhoso ou espetacular. Ficamo-nos pelo OK porque, a maior parte do tempo, OK é suficiente.» pág.13

«Ando à deriva e, por mais solitário que seja, também pode ser extraordinariamente libertador. Nunca me hei de definir pelos termos de outra pessoa. Nunca sentirei a pressão dos meus pares, nem o fardo das expetativas parentais. Posso ver toda a gente como partes de um todo, e concentrar-me no todo e não nas partes.Tenho aprendido a observar muito melhor do que a maioria das pessoas observa. Não me deixo cegar pelo passado nem pelo futuro. Concentro-me no presente, porque é onde estou destinado a viver.» pág. 14

«Não quero amá-la. Não quero estar apaixonado.
As pessoas tomam a continuidade do amor como dado adquirido, tal como tomam a continuidade do corpo como dado adquirido. Não se apercebem de que a melhor coisa a cerca do amor é a sua presença regular. Uma vez que se consiga estabelecer isso, são alicerces adicionais para a vida. Porém, se não se puder ter essa presença regular, só se tem aqueles alicerces para sustentar, sempre.» pág.56

«-Todas as manhãs eu acordo num corpo diferente. Acontece desde que nasci. Esta manhã, acordei no corpo de Megan Powell, que vês aqui à tua frente. Há três dias, no passado sábado, era o de Nathan Daldry. Dois dias antes, foi Amy Tran, que visitou a tua escola e passou o dia contigo. Na segunda-feira passada, foi o Justin, teu namorado.Tu achas que tinhas ido ver o mar com ele mas, na verdade, era eu. Foi a primeira vez que nos vimos, e desde então não consigo esquecer-te.
Calo-me.» pág.84

«Em contrapartida, há maneiras de cometer suicídio, enumeradas ao pormenor.
Facadas no coração. Facadas no braço. Cintos ao pescoço. Sacos de plástico. Quedas a pique. Morte pelo fogo.Todas metodicamente investigadas. Exemplos dados. Ilustrações fornecidas-ilustrações toscas em que o sujeito de prova é claramente a Kelsea. Autorretratos do seu próprio fim.» pág.112

«Quando olhamos para uma multidão, os nossos olhos vão naturalmente para certas pessoas, quer as conheçamos quer não. Porém, o meu olhar neste momento está vazio. Sei o que vejo, mas não o que ela veria.
O mundo ainda é de vidro.

É esta a sensação de ler palavras com os olhos dela.
É esta a sensação de virar a página com a mão dela.
É esta a sensação quando ela cruza os tornozelos.
É esta a sensação de baixar a cabeça para o cabelo lhe esconder os olhos.
É este o aspecto da letra dela. É assim que se faz. É assim que ela assina o nome.» pág.173

8 comentários:

  1. Olá :)
    Ai, se eu já tinha vontade de ler este livro, agora ainda fiquei com mais!
    Gostei muito da opinião.
    Beijinhos e boas leituras

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    1. Olá Sara,
      Amei este livro, foi uma surpresa tão boa, mas tão boa que até tenho receio de me ter entusiasmado de mais na opinião. Mas foi tudo o que senti, que deixei passar para a opinião. Ainda bem que gostas-te espero que gostes do livro tanto como eu.
      Beijinhos e boas leituras.

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  2. Ois,

    Bem depois de um comentário destes tenho mesmo que tentar ler este livro, isso é que foi um belo comentário, parabéns :)

    Ai que pena não teres falta de espaço nas estantes :D

    Bjs e boas leituras

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    1. Olá Fiacha,
      Adorei o livro, superou todas as minhas expectativas é um livro excelente, recomendo vivamente.
      Beijinhos e boas leituras.

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  3. Ola, Carla!
    Voce sempre nos fala de livros muito interesantes e eu.tenho vontade de le-los todos! :S
    Gostei muito saber sua opiniao.
    Beijos.

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    1. Olá,
      Obrigada. Eu gostei muito deste livro e aconselho vivamente a sua leitura.
      Beijinhos e boas leituras.

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  4. Olá,
    Primeiro que tudo quero dizer-te que gostei muito da tua opinião, deu para perceber claramente que gostaste do livro e eu fico muito feliz por isso, porque partilho esse sentimento contigo.
    Este livro é excelente em todos os sentidos e faz-nos pensar mais a fundo sobre certos pontos da nossa própria vida e fiquei super fã da escrita do autor, espero que editem mais livros dele cá em Portugal, seria uma excelente aposta!
    Beijinhos.

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    1. Olá,
      Amei este livro, a história transmite uma lição de vida, foca temas muito interessantes foi uma leitura fabulosa. Quando terminei o livro lembrei-me tanto de ti e de como tinha sido através do teu comentário que eu tive vontade de ler este livro, caso contrário podia muito bem ter passado ao lado. Pois pelo que já verifiquei não é um livro consensual nem todos gostam, eu acho que é por não conseguirem deixar de parte as diferentes personagens e não se focarem nos problemas sociais que estão por detrás desta história.
      Tenho de te agradecer pelo incentivo à leitura do livro.
      Beijinhos e boas leituras.

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