sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Minha opinião sobre o livro "Carta a um Refém" do escritor Antoine Saint-Exupéry

Carta a um Refém

de Antoine de Saint-Exupéry
Edição/reimpressão:2015
Páginas: 64
Editor: Relógio D'Água
ISBN: 9789896414962
Preço: 9,50 euros (prenda de natal da minha irmã no ano de 2000)
Comecei a ler: 15-01-2016
Terminei de ler:15-01-2016
Sinopse:
«Quando, em dezembro de 1940, atravessei Portugal de passagem para os Estados Unidos, Lisboa surgiu-me como uma espécie de paraíso luminoso e triste. Falava-se então muito de uma invasão iminente, e Portugal apegava-se à ilusão da sua felicidade. Lisboa, que organizara a mais encantadora exposição que já se vira no mundo, sorria com um sorriso um tanto pálido, semelhante ao daquelas mães que, não tendo notícias de um filho que está na guerra, se esforçam por o salvar através da sua confiança: "O meu filho está vivo, porque eu estou a sorrir…", "Vejam como estou feliz, tranquila e bem iluminada…", assim dizia Lisboa. O continente inteiro pesava sobre Portugal como uma montanha selvagem cheia de tribos predatórias; Lisboa em festa desafiava a Europa: "Como poderão tomar-me por alvo quando tenho tanto cuidado em não me esconder! Quando eu sou tão vulnerável!…"»retirado do site wook

O escritor Antoine Saint-Exupéry:
"Nasceu há cem anos, a 29 de Junho, em Lyon, Antoine de Saint-Exupery, autor de "O Principezinho", o livro mais traduzido em todo o mundo, a par da Bíblia e de "O Capital", de Karl Marx. A sua morte, aos 44 anos, num acidente de aviação, ainda hoje permanece um mistério e adensou o mito à sua volta.
Órfão de tenra idade, Saint-Exupery desde cedo mostra apetência pelos aviões e fez o seu baptizado de voo logo aos 12 anos. Com um aproveitamento irregular no Colégio de Jesuítas que frequentava, tenta a admissão à Escola Naval, mas não consegue, tendo então optado pela arquitectura. Faz o serviço militar em Estrasburgo, no 2º Regimento de Aviação, obtém um brevet, e sofre o primeiro acidente aéreo (seriam mais cinco, ao longo da sua vida, alguns bastante graves, tendo chegado a fracturar o crânio, teve uma comoção cerebral, fracturas múltiplas, ficou parcialmente paralisado no braço esquerdo).
Trabalha em várias companhias aéreas. O seu primeiro conto, "L'Aviateur" é publicado em 1926. "Courrier Sud", depois adaptado ao cinema, (Saint-Exupery dobrou ele próprio o actor principal nas cenas de voo) sai 2 anos mais tarde. Em 1931 publica o romance, "Vol de Nuit" ("Voo Nocturno"), com prefácio de André Gide, a que é atribuído o prémio Femina. Um pouco à semelhança da sua vida, "Voo Nocturno" mostra-nos um homem em que a coragem era tão natural que dela fazia pouco caso. Nesse mesmo ano casa-se com Consuelo Saucin. É repórter na Guerra Civil Espanhola em 1937 (como muitos outros intelectuais intervenientes do seu tempo, casos de Hemingway ou Orwell) e mobilizado como capitão em 1939, ano em que esboça "Le Petit prince" ("O Principezinho") e publica "Terre des Hommes" ("Terra dos Homens"". Desmobilizado no ano seguinte, passa um mês em Lisboa, de onde parte para Nova Iorque. Em 1942 sai "Pilote de Guerre" ("Piloto de Guerra"), que rapidamente se torna um best-seller. Em 1943 escreve e publica "Lettre à un Otage" e "O Principezinho". É promovido a comandante, mas restringem-lhe os voos devido à idade.
Depois de oito missões na Córsega, mais três do que aquelas que lhe haviam autorizado, em 1944, com a 2ª Grande Guerra quase a terminar, é dado como desaparecido no dia 31 de Julho. Depois de ter descolado nessa manhã, desapareceu na imensidão azul celeste que tanto amara, numa derradeira missão sem regresso. Não se sabe ao certo o local da queda. Um pescador defendeu que foi na Baía de Cassis.
Em 1948 sai postumamente o seu romance "Citadelle" ("Cidadela"). A sua escrita encantou várias gerações. Como diz Urbano Tavares Rodrigues, «(Saint-Exupéry) soube transmitir-nos as grandezas dos espaços aéreos e dos silenciosos desertos, as sensações do piloto na carlinga do avião, a pequenez do homem e a sua capacidade de se superar frente ao perigo, perante o infinito ou nas mais duras circunstâncias, como por exemplo as dos náufragos em terra inóspita, despojados de tudo.»retirado do site wook
Minha opinião:
«Mais do que uma epístola em sentido estrito, a Carta a Um Refém é um manifesto épico do autor, no qual se defende o primado do “respeito pelo homem”, uma “chama espiritual” pronta a iluminar o resgate dos “quarenta milhões de reféns” franceses, fechados “nas caves da opressão” nazi. Evocando os vários silêncios do deserto, por ele experimentados no Sara, Saint-Exupéry procura uma definição para a “substância” do que é ser-se humano. Encontra-a, primordialmente, no “desejo cego de um certo calor”, que permite ao homem prosseguir “de erro em erro”, no “caminho que conduz ao fogo”. O autor começa por recordar a sua passagem por Lisboa – “paraíso luminoso e triste” – em dezembro de 1940, onde entreviu refugiados ricos arrastando-se no Casino Estoril como fantasmas.» [José Mário Silva,ExpressoE, 2-5-2015]

Devo confessar que esta carta é realmente extraordinária, pelo seu carácter humano, o modo como o escritor fala do seu grande amigo francês que foi apanhado pelos nazis. O modo com ele fala sobre Lisboa: " Lisboa surgiu-me como uma espécie de paraíso claro e triste.".
A forma como o autor encara a verdade mais pura chegando mesmo a referir que:"...e cada um de nós só detém uma parcela da verdade...".
Um livro que se lê num ápice mas que nos deixa a reflectir muito tempo.
Recomendo vivamente a sua leitura.
Classificação de 5***** no Goodreads.
Excelentes leituras!

4 comentários:

  1. Olá Carla
    Não fazia ideia que o autor tinha escrito mais alguma coisa para além de O Principezinho. E ainda por cima sobre Portugal! Vou sem dúvida querer ler, ainda por cima tão pequenino.
    Beijinhos e boas leituras

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Sara,
      Espero que gostes;)
      Beijinhos e boas leituras.

      Eliminar
  2. Olá Carla
    De Saint-Exupéry só li mesmo O Principezinho mas este livro parece ser muito bom!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Tita,
      Eu gostei muito do livro até porque nem fazia ideia que se passava na segunda guerra mundial, por isso foi uma enorme surpresa.
      Beijinhos e boas leituras.

      Eliminar