domingo, 15 de janeiro de 2012

"Já não se escrevem cartas de Amor" de Mário Zambujal

Título:"Já não se escrevem cartas de amor"
Autor: Mário Zambujal
1.º Edição:Maio de 2008
Páginas: 186
Capa: Compañia
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896261146
 
Sinopse:
Duarte é um jovem bon vivant, que, entre as noites glamorosas passadas no Grande Casino Internacional do Estoril, as tardes de café no Chave D’Ouro, no Palladium ou no Martinho do Rossio e a vida boémia nas boîtes da capital, vê o seu coração ser arrebatado por uma jovem alta, esguia, loura e de sorriso luminoso, de nome Erika. Mário Zambujal transporta-nos, nesta novela de prosa clara e original, pautada de humor, imaginação e sensibilidade, numa viagem de imagens e memórias, à Lisboa dos anos 50. Uma época de apetites e excessos. De paixões e desventuras. Era um tempo em que havia tempo. Até se escreviam cartas de amor.
 
Excerto
«A certa altura, decidi que não poderia passar a noite parado como um legume, apelei à pouca coragem e disse para mim próprio: "Seja o que Deus e ela quiserem." Avancei lesto para a mesa de Erika e, lá chegado, tomou-me uma sensação de fracasso inevitável, mesmo de ridículo. Balbuciei por fim: «A menina não quer dançar comigo, pois não?»
 
Críticas de imprensa:
"O Duarte é um setentão. Enquanto espera a mulher, recorda a sua juventude, nos idos anos de 50, noites bem passadas, muita animação. E, pela mão dele, também vamos mergulhando nos hábitos, músicas, vocabulário (alguém ainda sabe o que é um bigode pigarço?), constrangimentos políticos e morais e outros aspectos que desenham uma época. (...) Um dos grandes trunfos de Zambujal (já era sabido) é a linguagem, suficientemente acessível para criar diálogos verosímeis e uma cadência de quase cavaqueira, ao mesmo tempo que transporta sem esforço para o cenário e para o tempo que evoca. (...) No final, fica um livro enxuto, que se lê de duas penadas, enquanto, sem darmos conta, regressamos ao passado de uma cidade e ao presente da boa escrita em português."
João Morales

Minha Opinião:
Este livro foi uma enorme surpresa, já tinha ouvido falar muito de um outro livro, que foi adaptado ao cinema, de Mário Zambujal, que é :"Crónica dos bons malandros", contudo nunca o li.
Muito sinceramente as minhas espectativas não eram nada elevadas, antes pelo contrário, mas ainda bem que não me deixei levar por este pensamento negativista. Estou muito feliz por ter dado uma oportunidade a este escritor português.Devo desde já referir que foi uma boa descoberta para este início de novo ano.
Inicialmemte foi, sem  sombra para dúvidas, a capa o elemento que me atraiu mal peguei no livro. Uma capa assim com um título tão sugestivo levantou as minhas espectativas. Este livro lê-se muito bem, é de letras gordas como eu gosto,  dividido em capítulos pequenos, que têm como título horas, ou seja, 17 horas e 35 minutos (primeiro capítulo) e 23h e 45 m (último capítulo).  Logo por aqui achei muito curioso e diferente, o que tornou desde logo a leitura atrativa.
O livro conta as recordações de um homem na casa dos setenta anos, enquando aguarda a chegada da sua esposa que foi dar um passeio  e fazer as habituais compras. 
Após o telefonema de César Mendonça um amigo de longa data de Duarte, a convidá-lo para o festivo almoço de aniversário... festejáva setenta e oito anos e estava feliz por poder juntar os velhos amigos, não em idade mas em amizade. Duarte  decide não ir mas esta sua decissão, tomada em frente de uma lareira num dia chuvoso de Inverno, vai transportar o narrador para a fantástica década de 50. Portugal estava sobre a alçada de Salazar, a PIDE estava em todo lado, os casinos, as boates, os amores e desamores de uma época. Duarte vai retratando o seu amor pelo sexo oposto, nas suas apreciações calorosas e fascinantes. Existe uma parte no livro que achei muita piada, foi quando ele saiu com uma das raparigas e só de ver as meias de vidro, que faziam as pernas mais bonitas e sedosas, ele conseguia imaginar o que estaria por cima daquele joelho maroto que a saia ao subir, não tardava em mostrar.
Passagem do ano de 50, Duarte vê aquela que seria a mulher dos seus sonhos Erika, a deslumbrante e maravilhosa Erika. Um amor que apareceu e floresceu entre ambos, mas Erika estava em Portugal durante alguns anos, depois teve de regressar para a Austria onde se encontra a sua família. Foi então aqui que surgiram as cartas de amor entre ambos...cartas essas que também trouxeram muito desamor.
O narrador à medida que nos vai colocando a par da sua vida profissional, amorosa e política da época de 50, também vai estabelecendo relações entre as tecnologias passadas e futuras.
Uma história que vicía desde as primeiras linhas até ao final, aconselho vivamente a sua leitura.
 
CLASSIFICAÇÃO: MUITO BOM (5/7)
Boas leituras!

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