A Vida Num Sopro
de José Rodrigues dos Santos
Um romance para compreender o Século XX português. Um thriller histórico surpreendente.
Edição/reimpressão:2008
Páginas: 616
Editor: Gradiva
ISBN: 9789896162764
Preço:23,22 euros
Comecei a ler:25-07-2015
Terminei de ler:28-07-2015
Sinopse:
«Portugal, anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.
Com A vida num sopro, José Rodrigues dos Santos traz o grande romance de volta às letras portuguesas.»retirado do site wook
Críticas de imprensa...
"Um estilo literário prodigiosamente poético e melódico"
Literaturzirkel Belletristik, Alemanha
"Com uma escrita clara e escorreita, mantém o leitor colado à história"
Corriere della Sera, Itália
"José Rodrigues dos Santos fascina e informa, ao mesmo tempo que entretém"
Shelf Awareness, Estados Unidos
"Para ler com prazer"
El Correo Gallego, Espanha
"Escrito com bom humor e uma erudição que resultam numa linguagem fluida"
Bravo, Brasil
"O português dos Santos escreveu de facto um grande romance"
Bild am Sonntag, Alemanha
"Um thriller histórico refrescante"
Kirkus Reviews, Estados Unidos
"Um romance misterioso e atraente"
Il Messagero di Roma, Itália
Literaturzirkel Belletristik, Alemanha
"Com uma escrita clara e escorreita, mantém o leitor colado à história"
Corriere della Sera, Itália
"José Rodrigues dos Santos fascina e informa, ao mesmo tempo que entretém"
Shelf Awareness, Estados Unidos
"Para ler com prazer"
El Correo Gallego, Espanha
"Escrito com bom humor e uma erudição que resultam numa linguagem fluida"
Bravo, Brasil
"O português dos Santos escreveu de facto um grande romance"
Bild am Sonntag, Alemanha
"Um thriller histórico refrescante"
Kirkus Reviews, Estados Unidos
"Um romance misterioso e atraente"
Il Messagero di Roma, Itália
Minha opinião:
«A vida num sopro» fez justiça ao
nome pois nunca pensei quando peguei no livro, que tem nada mais nada menos que
611 páginas, que a sua leitura fosse feita num sopro.
Este livro prendeu-me desde a primeira
página e quando cheguei ao fim, senti saudades das personagens e tive pena de
ter acabado o livro. Esta foi daquelas leituras que quando terminei de ler não
consegui evitar parar de pensar nas personagens e no enredo por um segundo. Deitada
na minha cama pelas 6 horas da madrugada ou da manhã, a olhar para o tecto, esta
leitura levou-me à mais profunda e simples reflexão.
«A Vida Num Sopro» é a história
de Luís e Amélia, que se conhecem ainda adolescentes, num liceu em Bragança. A
amizade de ambos rapidamente dá lugar a uma paixão de adolescentes, vivida no
caminho entre a esquina da rua da casa de Amélia, onde Luís a espera todos os
dias, e a porta do liceu, onde rapazes e raparigas têm aulas separadas, em alas
separadas, como muitas vezes a minha mãe me conta que assim era.
Contudo, o entusiasmo do namoro
dos jovens não é partilhado pela mãe da rapariga, que tem outros planos para a
filha. Planos esses, que ignorando a vontade e a felicidade de Amélia visam um
casamento conceituado socialmente, onde a filha desempenhará o seu papel de
esposa dedicada. E é assim que Luís se vê separado da sua amada, de forma
inesperada e abrupta.
Mas, se a separação foi
conseguida, os sentimentos de Luís não foram apagados, e mesmo em Lisboa,
enquanto estudante de Medicina Veterinária, é Amélia quem ele procura nas
relações fugazes que vai mantendo.
Discreto, mas de ideias e ideais
muito próprios formados, Luís não está de concorda com o caminho que o país
está a tomar e emite as suas opiniões, o que lhe vai trazer alguns dissabores
futuros e encontros alguns encontros com a Polícia de Vigilância e Defesa do
Estado - PVDE, sendo este organismo o responsável pelo fim inesperado desta história.
Ao longo da leitura do livro
tomei conhecimento de factos que ignorava, tais como alguns relatos de situações
do antigo regime, sobre a discrepância na lei para homens e mulheres, isto era
do meu conhecimento, mas não da forma como é revelada no livro. Como exemplo o
livro fala-nos da Lei de Depósito do homem
sobre a sua mulher. Esta lei já existia deste 1910 mas tinha sido abolida,
contudo, com o Estado Novo voltou a estar em vigor. A lei consistia no seguinte:
se a mulher por algum motivo saísse de casa, o marido podia fazê-la regressar
de forma compulsiva. Em contraponto, o Estado dizia que tinha dado à mulher o
poder de voto, embora todos soubessem que sendo a mulher mais conservadora e
católica votaria no Governo vigente. Contudo, o artigo sobre o poder dos homens
era esclarecedor: a mulher não podia exercer comércio nem sair do país sem
autorização do marido. O marido podia ainda anular o casamento se descobrisse
que a mulher não casou virgem. Para além disto tudo, para um caso semelhante as
sentenças eram diferentes dependendo se eram para o homem ou para a mulher. Por
exemplo, o marido tinha permissão para poder violar a correspondência da
mulher, mas o contrário não era válido. Outra situação prevista pela lei era no
caso de adultério tínhamos duas sentenças distintas: uma pena branda ao marido
que assassinasse a mulher caso a apanhasse em flagrante adultério, se fosse a
mulher a apanhar o marido em flagrante adultério e o matasse, a pena seria
pesada.
Voltando ao enredo do romance,
temos Luís que acaba por se casar com Joana, irmã mais nova de Amélia e
responsável pelo reencontro dos dois, mas Amélia é e será sempre a mulher que
ele ama e amará. Amélia está casada com um superior hierárquico de Luís, mas
nunca esqueceu o seu amor por Luís, a sua paixão de juventude. O encontro entre
Amélia e Luís e o sentimento que os une vai levá-los a uma vida clandestina,
que apesar de curta será marcada pela tragédia: um assassinato, a que ambos
assistem e que terão de ocultar, a bem dos bons costumes.
Queria tanto que este livro fosse
ainda maior. O livro já tem muitas páginas, mas eu gostava que fosse ainda mais
pormenorizado, que esmiuçasse todos os pormenores. Principalmente na parte do romance entre o Luís e a Amélia.
A personagem que mais detestei, mas que está enquadrada na época foi a mãe da Amélia.
Um pequeno aparte, não contém com
um livro sobre o Estado Novo ou a guerra em Espanha. Esperem antes um livro
sobre a vida, tão pura ou trágica como era naquele tempo, e que por acaso se
insere alguns factos históricos.
Gostei muito dos pormenores
históricos como a gíria do povo, o destino que os soldados da guerra tinham
pela frente, entre outros aspectos.
Este livro lê-se muito bem pois
tem muitos diálogos é um livro muito directo e sem grandes floreados.
Adorei o livro e recomendo vivamente a sua leitura.
Classificação 5 estrelas no Goodreads
Boas leituras!





