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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Opinião - "Escrito na Água" da escritora Paula Hawkins

Sinopse:

«Um thriller intenso, da autora do bestseller mundial A Rapariga no Comboio

CUIDADO COM AS ÁGUAS CALMAS. NÃO SABEMOS O QUE ESCONDEM NO FUNDO.
Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas.Agora, é ela que aparece morta. Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?Que segredos escondem aquelas águas? Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.
Um livro profundamente original e surpreendente sobre as formas devastadoras que o passado encontra para voltar a assombrar-nos no presente. Paula Hawkins confirma, de forma triunfal, a sua mestria no entendimento dos instintos humanos, numa história com tanta ou maior intensidade do que
A Rapariga no Comboioretirado do site wook

Opinião:
Após o sucesso do primeiro livro de Paula Hawkins, "A Rapariga no Comboio", confesso que estava um pouco reticente quando comprei este livro. Após a leitura da sinopse, vi logo que  o tinha de ler, até porque, ao longo da leitura de algumas opiniões deixadas no Goodreads, apercebi-me que existe uma certa controvérsia em relação ao livro.
Ao longo da leitura deste notei que a autora evoluiu muito, tanto ao nível do enredo, com muito mais suspense, como também ao nível da própria estrutura do livro. Hawkins fez uma coisa que, como leitora, aprecio bastante...colocou a versão de cada uma das diferentes personagens sobre as atribuladas e arrepiantes mortes no rio de águas calmas.
Confesso que no início da leitura tive de escrever no meu diário de leitura (desculpem a repetição) as diferentes personagens que iam dando o seu parecer sobre o que aconteceu ao longo dos tempos naquele local, pois eram algumas personagens.
Confirmou-se a meu ver a mestria que Paula Hawkins tem em caracterizar as diferentes personagens, tal como no anterior livro. Costumo dizer que gosto de sentir, quando leio, que estou atrás de uma porta a observar o desenrolar dos acontecimentos. Com a caracterização pormenorizada que é feita das diferentes personagens tive aquela sensação maravilhosa de que as conhecia, até melhor do que elas se conhecem a si mesmas. 
Ao longo do livro fui arrebatada com a extraordinária capacidade da introdução de novos acontecimentos e essencialmente o modo como foram introduzidos. Não estava a contar com um livro tão intenso, a meu ver este está carregado de suspense, mistério e algum misticismo o qual tornou esta leitura muito viciante.
As histórias das diferentes mulheres que aparecem mortas no rio não são pura coincidência, estão interligadas umas com as outras, o que me obrigou a uma redobrada atenção. As mulheres que apareceram mortas no rio, segundo os habitantes da pequena vila, eram mulheres que se suicidaram  no rio, o mesmo rio que em séculos anteriores guardava nas suas águas bruxas e videntes.
Adorei a personagem Nel, a sua filha Lena e a Jules e não Julia, irmã da Nel. Confesso que gostei muito do Sean, apesar de não ser o protótipo de inspetor nem marido perfeito, muito longe disso, cativou-me pela sua infância atribulada e que de certa forma se reflete no homem que é enquanto adulto. Gostei muito da Lena, apesar da sua prepotência e arrogância, defendeu sempre a sua maior amiga a Kate (uma das duas últimas vitimas do rio, sendo a última a Nel, mãe de Lena). A esposa de Sean, não me cativou, apesar de ter de admitir a sua perspicácia, contudo não compreendo o modo de ela encarar as traições do Sean, não acho que uma mulher tenha que se sujeitar a tal humilhação.
Nel e Jules são irmãs que devido a uma série de mal entendidos, que ocorreram na sua infância, afastam-se...o que na vida real acontece com frequência.
Quando Nel aparece morta no rio, Jules tem de regressar à terra que ela nunca mais queria voltar, mas tendo a sua sobrinha Lena que sendo menor de idade tem de ficar sobre a responsabilidade de Jules. Quando chega é confrontada com, uma sobrinha fria e aparentemente distante, com memórias de um passado que à muito ela queria ter enterrado, mas que acabou por vir ao de cima e fez com que Jules se sentisse culpada pelo seu afastamento da irmã e compreendesse que a mesma nunca sonhou o que ela tinha sofrido.
Uma questão continua no ar até às últimas páginas do livro: Quem é o responsável pelas mortes no rio? Será que existe mesmo um responsável ou as mulheres com problemas do foro pessoal e até psiquiátrico sentem uma estranha atração pelo mesmo???
Ao longo da leitura, fui tendo diferentes suspeitos, acho que só mesmo no final é que encontrei o verdadeiro assassino de Nel. Mais um motivo que me fez ter gostado tanto deste livro.
Adorei esta leitura, este é o livro revelação de Paula Hawkins, a meu ver claro. Se continuar com esta evolução acho que temos aqui uma autora com um enorme potencial para vir a ser considerada mestre do thriller e do suspense.
Classificação 5***** no Goodreads.

Excelentes leituras!

domingo, 14 de junho de 2015

Minha opinião sobre o livro "A Rapariga No Comboio" da escritora Paula Hawkins

A Rapariga no Comboio
de Paula Hawkins
Edição/reimpressão:2015
Páginas: 320
Editor: TopSeller
ISBN: 9789898800541
Preço:15,92 euros

Comecei a ler:12-06-2015
Terminei de ler:14-06-2015

O êxito de vendas mais rápido de sempre. 
O livro que vai mudar para sempre o modo como vemos a vida dos outros. 

Sinopse:
«Todos os dias, Rachel apanha o comboio... No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia... 
Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. 
Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.» retirado do site wook

DE LEITURA COMPULSIVA, ESTE É O THRILLER DO MOMENTO, ABSORVENTE, PERTURBADOR E ARREPIANTE.

Críticas...
«Um thriller arrepiante.Até os leitores mais perspicazes ficarão chocados, à medida que os factos vão sendo revelados.»
Kirkus Reviews 

«A Rapariga no Comboio é o mais envolvente romance com um narrador inconfiável desde Em Parte Incerta.Este livro vai deixar os seus leitores arrepiados.» 
New York Times

«Os fãs de Gillian Flynn vão devorar este thriller psicológico»
People

«A Rapariga no Comboio faz a junção perfeita entre film noir e narração enganadora...sugure-se bem.Ficará surpreendido com os terrores que espreitam ao virar da esquina.»
Washington Post

«Que personagens, que história, que livro! É Alfred Hitchcock para a nova geração!»
Terry Hayes autor bestseller internacional

«Inteligente, tenso e totalmente viciante!
Manteve-me presa até ao desfecho.»
Lisa Gardner autora bestseller internacional

«Um thriller fantástico. Manteve-me acordado grande parte da noite.»
Stephen King autor bestseller internacional

«Não sei quem és, Paula Hawkins, mas mantiveste-me acordada a noite inteira!»
Reese Witherspoon atriz de Hollywood

Book trailer...


Minha opinião:
A primeira coisa que me vem à cabeça sobre este livro e a sua leitura é um ditado popular, que diz o seguinte:"Primeiro estranha-se depois entranha-se". Foi exactamente isto que eu senti ao ler A Rapariga no Comboio, no início foi uma leitura que mexeu com a minha parte psicológica, depois foi uma viagem fascinante. 
Paula Hawkins escreve de um modo brilhante, conseguiu-me transportar ao longo do livro como se eu estivesse a trás de uma porta a ver tudo o que se estava a passar e tivesse vontade de participar, de interagir com os personagens. Acho que para uma escritora, deixar esta sensação numa leitora deve ser algo de fascinante.

Relativamente ao enredo, este é contado por três narradores diferentes, Rachel, Megan e Anna. Cada uma delas vai contando numa visão completamente distinta o que se passou nos dias antes do desaparecimento de uma delas (não vou dizer qual), e depois do desaparecimento da mesma.

A personagem que tem mais relevância, como narradora é Rachel, ela é uma mulher divorciada, com problemas graves de alcoolismo, que a levaram a perder o emprego e o marido. É a verdadeira rapariga no comboio, pois é ela que faz as viagens todos os dias como se fosse trabalhar, para que a sua senhoria e amiga, não saiba que ela está desempregada. De início não gostei muito desta personagem-narrador, mas com o tempo comecei a entende-la e a perceber o quanto desgastante deve ser a vida de um alcoólico.
Rachel tem momentos brancos na sua memória em que não se recorda do que fez, tem vagas lembranças mas não sabe se são reais ou fruto da sua imaginação. Viver num mundo interior assim não é fácil.
Tem uma parte no livro, que me levou a pesquisar na internet, sobre as memórias dos alcoólicos, e é deveras perturbador, pois quando saem da ressaca e se querem lembrar do que fizeram não conseguem, não porque não se lembrem, mas simplesmente porque o álcool no organismo, a partir de uma certa quantidade não permite a memorização por parte do nosso cérebro. (consultar artigo científico no final)
    
Megan é a esposa de Scott, tem um passado muito cheio de segredos que tenta esquecer e esconde do seu marido. Mas os segredos do seu passado nem sempre a deixam dormir, então ela recorre por conselho do seu marido a um psicoterapeuta o Doutor Kamal.

Anna é a atual esposa de Tom da qual tem uma filha a Evie, são um casal feliz, mas que vivem atormentados, pois Anna é extremamente insegura e medrosa, com ou sem motivo,não vou adiantar.

Este é realmente um livro extraordinário, que consome o leitor, pelo menos a mim consumiu-me até às entranhas.
Achei a história excelente, volto a dizer que está muito bem contada, muito bem escrita, Paula Hawkins está na realidade de parabéns. Depois da sua estreia com um livro assim, só se podem esperar grandes coisas desta escritora.

Em suma este é um thriller psicológico que me deixou a pensar duas coisas: todas as pessoas têm segredos e ninguém sabe o que vai na cabeça das pessoas que nos rodeiam e do que elas são verdadeiramente capazes de fazer.

Leiam não deixem passar este livro sem o ler. Vos garanto que no final não serão os mesmos.

Excertos:
«Alguém pintou na parede: A VIDA NÃO É UM PONTO PARÁGRAFO. Penso na trouxa de roupa junto à linha e sinto a garganta apertada. A vida não é um ponto parágrafo, e a morte não é um parêntesis.» pág.17

«Não vejo qualquer razão para ter de me impor limites, muita gente vive sem eles. Os homens, por exemplo. Não quero magoar ninguém, mas temos de ser fiéis a nós próprios, não é? É só o que estou a fazer, a ser fiel ao meu verdadeiro eu, ao eu que ninguém conhece: nem o Scott, nem o Kamal, ninguém.» pág.53

«Vim dar um passeio no bosque. Saí de casa muito antes de haver luz. O sol ainda mal se levantou, e está um silêncio sepulcral, fora o palrar esporádico das pegas nas árvores por cima da minha cabeça. Consigo senti-las a observarem-me, com os seus pequenos olhos negros, de atalaia. Uma traz-nos dores; duas, alegrias; três, uma menina; quatro, um rapaz; cinco, prata; seis, ouro; sete, um segredo que não podemos contar.» pág.65

«O vazio: isso sou eu capaz de compreender. Começo a acreditar que nada há que possamos fazer para o remediar. Foi o que aprendi com as sessões no psicoterapeuta: os buracos da nossa vida são permanentes. Temos de crescer à volta deles, como as raízes de uma árvore à volta do cimento; moldando-nos por entre as reentrâncias. Sei isso tudo, mas não o digo em voz alta, não agora.» pág.100

Artigo Cientifico:
Blecaute ou amnésia alcoólica   

O consumo excessivo de álcool pode acarretar em um prejuízo na formação de memórias conhecido como “blecaute”. O blecaute alcoólico é definido como a incapacidade de lembrar-se de fragmentos ou períodos inteiros de eventos ocorridos enquanto se está acordado e bebendo. São períodos de amnésia durante os quais a pessoa realiza atividades como falar, caminhar, comer, praticar atividade sexual ou até mesmo se envolver em brigas, e o cérebro é incapaz de formar memórias de tais eventos.

Diferente de quando a pessoa desmaia ou adormece por conta do consumo excessivo de álcool, durante períodos que ocasionam o blecaute a pessoa está acordada e, no momento da embriaguez, o indivíduo tem consciência dos seus atos, apesar de prejuízo importante no julgamento.

Classifica-se a amnésia neste caso como anterógrada, pois a ingestão excessiva de álcool impossibilita a formação de memórias de novos eventos, ocorridos após a intoxicação, não causando prejuízo para o resgate de memórias anteriores a este momento. Pode ser dividida em dois tipos: quando há incapacidade de lembrar-se de fragmentos do período (mais comum) ou quando a pessoa é incapaz de lembrar-se de toda a ocasião na qual esteve bebendo, também conhecido como blecautes en bloc. Estima-se que ao menos 50% dos bebedores adultos já tiveram alguma forma de amnésia alcoólica.
Fonte:CISA - Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool


Boas leituras!