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terça-feira, 9 de junho de 2015

A minha opinião sobre o livro "A Fúria dos Reis" do escritor George R.R. Martin

A Fúria dos Reis
As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro Três
de George R. R. Martin;
Tradução: Jorge Candeias
Edição/reimpressão: 2008
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896370268
Coleção: As Crónicas de Gelo e Fogo
Preço:19,03 euros


Comecei a ler:01-06-2015
Terminei de ler:09-06-2015

Sinopse:
«Quando um cometa vermelho surge nos céus de Westeros encontra os Sete Reinos em plena guerra civil. Os combates estendem-se pelas terras fluviais e os grandes exércitos dos Stark e dos Lannister preparam-se para o derradeiro embate.
No seu domínio insular, Stannis, irmão do falecido Rei Robert, luta por construir um exército que suporte a sua reivindicação ao trono e alia-se a uma misteriosa religião vinda do oriente. Mas não é o único, pois o seu irmão mais novo também se proclama rei, suportado por uma hoste que reúne quase todas as forças do sul. Para pior as coisas, nas Ilhas de Ferro, os Greyjoy planeiam a vingança contra aqueles que os humilharam dez anos atrás.
O Trono de Ferro é ocupado pelo caprichoso filho de Robert, Joffrey, mas quem de facto governa é a sua cruel e maquiavélica mãe. Com a afluência de refugiados e um fornecimento insuficiente de mantimentos, a cidade transformou-se num lugar perigoso, e a Corte aguarda com medo o momento em que os dois irmãos do falecido rei avancem contra ela. Mas quando finalmente o fazem, não é contra a cidade que investem...
O que os Sete Reinos não sabem é que nada disto se compara ao derradeiro perigo que se avizinha: no distante Leste, os dragões crescem em poder, e não faltará muito para que cheguem com fogo e morte!» retirado do site wook

Criticas de imprensa...

"As Crónicas de Gelo e Fogo são a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o Anel."
SF Reviews.net

"George R.R. Martin apresenta um mundo vibrante e real, personagens soberbamente construídas, enredos complexos mas coerentes, descrições de cortar a respiração e uma prosa muito acima daquilo a que o género nos habituou."
Amazon.com

"Martin tem a capacidade de nos arrebatar de uma forma que os outros autores de fantasia não conseguem, talvez porque também não tenham a sua capacidade para desenvolver personagens. Seja nas sangrentas cenas de batalhas ou nos retratos íntimos dos laços familiares, A Guerra dos Tronos possui uma força crua e emocional que não nos deixa indiferentes. Martin também dispensa todos os clichés tolkianos, como elfos, espadas mágicas e dark lords, focando-se antes em pessoas reais e apenas sugerindo o sobrenatural. Acredite: A Guerra dos Tronos é a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o Anel."
SF Reviews.net

"A Guerra dos Tronos é a obra-prima da fantasia moderna e reúne o que de melhor o género tem para oferecer: magia, mistério, intriga, romance e aventura."
Locus

"A melhor fantasia dos últimos 50 anos."
The Denver Post

Outras Críticas...
"Agarra-nos e nunca mais larga. Brilhante!"
Robert Jordan

A Clash Of Kings (A Fúria dos Reis) Book Trailer:

Minha opinião:
Bom dar a minha opinião sobre A Fúria do Rei não vai ser fácil, este terceiro volume (segundo na versão original) foi diferente dos dois anteriores. Tem personagens novas, sendo estas Davos e Theon e senti muita falta do meu adorado Ned Stark, a sério nunca pensei sentir tanta falta dele e da sua forma de ver o mundo de Westeros. 

Como sempre George R.R. Martin, brinda-nos com um prólogo maravilhoso, que se assim posso referir, abriu logo o apetite para a leitura do livro.

Contém Spoilers 

Em Westeros, no começo da Fúria dos Reis, passa um grande cometa vermelho, vamos ter as várias personagens a dar a sua opinião sobre o que ele representa, apesar de se tratar apenas de um fenómeno natural, este cometa levará, a história para outros rumos.

O prólogo já nos apresenta um novo cenário, composto por personagens novos e por alguns que outrora foram apenas referidos. O personagem mais marcante no prólogo, segundo o meu ponto de vista, foi Meistre Cressen, que é o Meistre da família Baratheon, e está em Pedra do Dragão a serviço de Stannis. Este após a morte do seu irmão e rei Robert, está pronto a reclamar o trono de ferro, considerando-se o legítimo herdeiro, dado que Joffrey o atual rei não é filho de Robert, mas sim fruto de incesto entre os irmãos gémeos Cersei e Jaime Lannister. Como Stannis não possui carisma algum e é totalmente inflexível nas negociações, acaba por ficar isolado. Contudo, ele decide aliar-se a uma religião oriental, que é trazida pela sacerdotisa vermelha, de seu nome Melisandre. Mas Meistre Cressen, percebe que os meios usados por essa sacerdotisa são impróprios e ela tem norteado a mente de Stannis para lados indesejados. Por este motivo, decide mata-la, porém, ela foi mais esperta e, percebendo a intenção do Meistre Cressen, faz com que ele morra primeiro. Esta é a parte que mais me agarrou ao livro e corresponde ao prólogo do mesmo.

Uma personagem que vai estar presente nos acontecimentos em Pedra do Dragão será Davos Seaworth, um ex-contrabandista, que ajudou a tropa de Stannis a sair de uma enroscada e, por este motivo, foi nomeado cavaleiro e apoia a causa do irmão de Robert. 

Notei que infelizmente uma das personagens que eu gosto muito Daenerys Targaryen só tem duas entradas neste volume o que me deixou um pouco tristonha, pois gosto imenso desta mulher forte e cheia de garra, agora com os seus dragões. Espero que nos próximos volumes a personagem se desenvolva mais. No fim do segundo volume, três vidas são perdidas: a de Khal Drogo, o seu marido, a de Mirri Maz Duur, uma maegi, e a de seu filho, que morreu ainda na sua barriga. Em compensação, destas três vidas nascem outras três, os dragões de Daenerys. Agora, acompanhada deles, ela tal como todos, vê o cometa e, segue-o até chegar à cidade de Qarth que segundo o bruxo Pyat Pree, "é a maior cidade que já existiu ou existirá. É o centro do mundo, o portão entre o Norte e o Sul, a ponte entre o Leste e o Oeste, mais antiga do que a memória do homem, e tão magnífica que Saathos, o Sábio, arrancou os olhos depois de vê-la pela primeira vez, porque sabia que tudo o que veria daí para a frente pareceria miserável e feio.".

Uma personagem que gostei de ver o seu crescimento e acho que o escritor deve ter muitas surpresas reservadas para os leitores é Arya Stark, sempre astuta, apesar dos seus medos não os deixa transparecer e sempre amiga dos seus verdadeiros amigos. Faz-se passar por um rapazinho para se poder dirigir em direção à Patrulha da Noite, onde sabe que pode encontrar o seu meio-irmão Jon que ela tanto gosta; Arya é tida como desaparecida ou supostamente morta. Para se unir ao grupo, porém, ela tem de fingir que é um rapaz, e adopta o nome de Arry. A convivência nesse meio é muito explorada neste livro. Ela vai manter uma boa amizade com o ferreiro Gendry, e dois jovens, Lommy Mãos Verdes e Torta Quente. Logo Arya agora Arry descobre que estão a ser perseguidos pela guarda de Porto Real, e pensa que a querem a ela, por ela ter fugido. Esta miúda é forte e resistente, é adorável. 

Brandon Stark, o pequeno Bran, que ficou paralítico, é uma personagem que me agradou conhecer melhor neste livro. Bran, com a partida do seu irmão Robb e da sua mãe, vai ficar responsável pelas terras do norte, onde fica Winterfell. Através desta personagem ficamos a saber tudo o que se vai passando por lá, agora que ele é o príncipe de Winterfell e apesar de não ser uma personagem activa na guerra entre os Lannister e o seu irmão, ele acaba por se tornar uma personagem interessante. Bran, com a ajuda dos irmãos Reed, descobre que é uma pessoa especial, ou seja, ele consegue entrar na mente de pessoas e animais, principalmente animais e claro em especial do seu lobo, o Verão. Outro aspecto, que eu achei interessante foi como ele conseguiu, aparentemente ultrapassar, os seus problemas pessoais, para se tornar um verdadeiro príncipe e receber todos os que se dirigiam para Winterfell para dar apoio ao Robb, Rei do Norte. Os sonhos que Bran tem também são bastante perturbadores tanto para ele como para mim como leitora, pois no fundo ele é uma criança a quem foi retirado tanta coisa. Mas tal como a sua irmã Arya Bran é forte e resistente.

Jon Snow, o irmão bastardo dos Stark, está no Castelo Negro, resguardando a muralha. O comandante Mormont decide reunir cerca de duzentos homens para irem para além da muralha e descobrir o que aconteceu com Benjen Stark e com os outros que o acompanhavam. Esta viagem é muito dolorosa para todos os homens da Patrulha da Noite, devido ao mau tempo e não só. Aqui também surge uma personagem detestável que é Craster, vive rodeado de mulheres, suas filhas com quem pratica o incesto e das quais tem filhos, se estes forem mulheres ficam com ele se forem homens entrega-os aos deuses.


Sansa Stark, foi uma personagem que cresceu bastante neste livro, era inicialmente insuportável e oca, mas a vida ensinou da pior forma a tornar-se uma mulherzinha. Joffrey, aquele que ela outrora amara, foi quem mandou decapitar o seu pai, ele também está em guerra com o seu irmão. Então Sansa começa a conspirar contra os Lannister, pensando mesmo em fugir de Porto Real. Vamos ver o que nos aguarda nos próximos livros.


Catelyn Tully, é uma personagem sofredora, perdeu o marido e as suas duas filhas, pensa ela que estão em Porto Real. O seu filho Robb é agora o Rei do Norte e ela não o abandona. Para agravar toda esta situação o seu pai, Lord Hoster Tully está a morrer e ela não pode ficar ao seu lado pois não quer abandonar o seu filho Robb. 

Contudo, no meio de todo este desespero que ela vive interiormente, vai ser a ela que Robb vai dar uma missão diplomática, que consiste em ir até à Ponte Tempestade, com a finalidade de fazer um acordo com Renly, irmão mais novo do Rei Robert, que, mesmo não tendo legítimo direito ao trono, o reclama.
No entanto, a meio da viagem ela encontra-se com a comitiva do proclamado Rei do Sul o irmão mais novo de Rei Robert , que em tudo a faz lembrar o seu falecido irmão, até no exagero das comidas em tempos de guerra. Mas o facto é que ele tem muitos milhares de homens que estão do lado dele.
Nesta viagem, Catelyn vai conhecer Brienne de Tarth, alcunhada por a Beleza.Ela é caracterizada como uma mulher feia e estranha, mas uma óptima cavaleira e espadachim. Quando Catelyn chega, uma luta entre Brienne e Sor Loras acaba de ser concluída, com a Beleza saindo vencedora e pedindo como recompensa um lugar na guarda real de Renly, facto que lhe é atribuído pelo auto intitulado Rei do Sul.

Tyrion Lannister é uma das minhas personagens favoritas deste livro, este anão, da família mais rica e influente do reino, filho do poderoso Tywin e irmão da rainha Cersei e de Jaime, é uma personagem fantástica, inteligente e excepcional. 

Ele agora neste livro ocupa o cargo de Mão do Rei, lugar ocupado anteriormente por Ned Stark.
Tyrion está sempre muito centrado nos seus planos, que muitas da vezes vão contra os interesses do Rei Joffrey e da Rainha Cersei. Sob a ameaça do ataque e da guerra iminente ele vai atrás de alquimistas para que estes produzam uma certa substância muito perigosa, o fogovivo, que pretende usar caso o irmão mais velho de Robert decida atacar a terra do rei. 
Ficamos neste livro a saber um pouco mais da vida amorosa de Tyrion, ele é apaixonado por uma rameira a Shae, mas faz tudo para a proteger.

Theon Greyjoy, é uma personagem por quem não nutri nenhum afecto. Para quem não se recorda Theon foi protegido dos Stark depois de Robert assumir o poder, pois o seu pai, Balon Greyjoy, é um rebelde, adora a guerra e está disposto a começar uma a qualquer momento. Por este motivo Ned pegou em Theon e levou-o para Winterfell para, sob a sua proteção, servir de garantia que Balon não se rebelaria contra o reino de Robert. Apesar de Theon ter sido tirado da sua família com dez anos apenas e levado para o norte, nada lhe faltou. Ele foi criado com os filhos de Ned Stark, convivia com eles como se fossem irmãos. Quando a guerra está prestes a começar ele acompanha Robb na guerra, ajuda nas batalhas e tem uma posição especial. Então Robb decide mandar Theon numa missão diplomática até à sua terra natal, Pyke, para tentar fazer uma aliança com o seu pai Balon. Contudo, quando chega a Pyke, Theon revela o que realmente é. Ele é de facto um príncipe, mas não é tratado como tal. O seu próprio pai, que também não presta, diz que ele se tornou num Stark, que não é mais um Greyjoy. Pois a sua irmã Asha é mais valente do que ele. Vendo-se perante esta situação, Theon quer provar que realmente ele merece a confiança do pai, e esquece a aliança que tem com Robb. Então Theon decide partir para conquistar um reino e que reino é esse? Nada mais nada menos que Winterfell.



Acabaram os Spoilers 

Relativamente, ao livro é óbvio que está extremamente bem escrito, mais uma vez George R.R. Martin me surpreendeu pela riqueza dos pormenores com que vai relatando os factos, na versão de cada uma das personagens. Um aspecto que achei muito interessante, foi o modo como cada uma interpretava o significado do cometa, é impressionante, como um fenómeno natural nos tempos antigos poderia ter tamanha dimensão de significados e tamanha importância, chegando ao ponto de alterar a rota de algumas personagens. Algo que senti falta foi a participação da personagem Robb, do seu ponto de vista, afinal ele auto proclamou-se Rei do Norte logo devia ter aqui alguma referência dele próprio, como ele se sentia perante uma guerra que está à porta, sei lá alguma coisa.

Achei este volume um pouco maçudo, pois fala muito em estratégia de guerra e não tem a acção propriamente dita, apesar de para o final já estar um pouco melhor. Mas eu gostei do livro, acima de tudo, estava a contar com mais acção é só isso.

Espero que leiam o livro e sigam para o próximo, eu por cá vou fazer uma pausa, não sei de quanto tempo, mas preciso de uma pausa, para ler outros livros e distanciar-me um pouco deste mundo. Isto para quando regressar a ele ir com as expectativas mais em baixo para me surpreender. Ia a contar com muito para este livro, muita guerra, muita acção e foi isso que me fez desiludir um pouco.


No entanto, este é um bom livro e tenho plena noção que é uma preparação para algo maior, espero eu.

Não me refiro à série porque não vi nenhum episódio de nenhum dos livros desta saga estou a deixar para o final.



Excertos:
«Uma dúzia de cristais, não maiores do que sementes, tamborilaram no pergaminho que estivera a ler. Brilhavam como jóias à luz da vela, de um tom de púrpura tão verdadeiro que o Meistre deu por si a pensar que nunca tinha antes visto realmente a cor.
...Tocou ligeiramente num dos cristais com a ponta do mindinho. Que pequena é esta coisa para conter o poder da vida e da morte. Era feito de uma certa planta que crescia apenas nas ilhas do Mar de Jade, a meio mundo de distância. As folhas tinham de ser envelhecidas e embebidas numa loção de visgo, água de açúcar e certas especiarias raras vindas das Ilhas do Verão. Depois podiam ser deitadas fora, mas a poção tinha de ser engrossada com cinza e deixada cristalizar. O processo era lento e trabalhoso, e os ingredientes dispendiosos e difíceis de adquirir. ...Na Cidadela, era simplesmente chamado "o estrangulador". Dissolvido em vinho, faria os músculos da garganta de um homem cerra-se com mais força do que qualquer punho, fechando-lhe a traqueia. Dizia-se que a cara da vítima se tornava tão púrpura como a pequena semente de cristal de onde nascera a sua morte, mas o mesmo acontecia a um homem que sufocasse com um bocado de comida.» pág.23

« Esse desejo talvez te seja satisfeito, pensou Tyrion, mas disse:
 - A coragem e a loucura são primas, ou pelo menos foi o que ouvi dizer. Seja qual for a praga que paira sobre a Torre da Mão, rezo para ser suficientemente pequeno para não lhe chamar a atenção.» pág.52

«Catelyn compreendeu que o filho a olhava de cima. Terá sido a guerra que o fez crescer tão depressa, perguntou a si própria, ou a coroa que lhe puseram na cabeça?...

...-Não me chameis o rapaz - disse Robb, virando-se para o tio, derramando toda a ira de uma vez só sobre o pobre Edmure, que só pretendera apoiá-lo. - Sou quase um homem feito, e um rei...o vosso rei, sor. E não temo Jaime Lannister. Derrotei-o uma vez, derrotá-lo-ei de novo se tiver de ser, é só que... - Afastou uma madeixa de cabelo dos olhos e abanou a cabeça. - Poderia ter podido trocar o Regicida pelo pai, mas...
- ... mas não pelas raparigas? - A voz dela era calma e gelada. - As raparigas não são suficientemente importantes, pois não?
    Robb não respondeu, mas havia dor nos seus olhos. Olhos azuis, olhos Tully, olhos que ela lhe dera. Tinha.o ferido, mas ele era demasiado filho de seu pai para o admitir.
      Isto foi indigno de mim, disse a si própria.Que os deuses sejam bons, em que foi que me tornei? Ele está a fazer o seu melhor, está a tentar tanto, eu sei, eu vejo, e no entanto...perdi o meu Ned, o rochedo sobre o qual a minha vida estava construída, não posso suportar perder também as raparigas...» pág.100/101

« - Amava? - Tyrion não chegara a ver o rosto da rapariga morta, mas na sua imaginação era uma combinação de Shae e Tysha. - Uma prostituta poderá realmente amar alguém? Não, não respondais. Há coisas que prefiro não saber. - Tinha instalado Shae numa vasta mansão de pedra e madeira, provido de seu próprio poço, estábulos e jardim; dera-lhe criados para satisfazer as suas necessidades, um pássaro branco das Ilhas do Verão para lhe fazer companhia, sedas, prata e pedras preciosas para a adornar, guardas para a proteger. E no entanto, parecia impaciente. Queria passar mais tempo com ele, dissera; queria servi-lo e ajudá-lo. "Ajudas-me mais aqui, entre os lençóis" dissera-lhe ele uma noite depois do amor, deitado a seu lado, com a cabeça apoiada no seu seio, e uma doce dor nas virilhas. Ela não respondera, excepto com os olhos. Aí vira que aquilo não era o que ela quisera ouvir.» pág.114/115


«A Donzela jazia atravessada sobre o Guerreiro, com os braços abertos como que para o abraçar. A Mãe parecia quase tremer enquanto as chamas se aproximavam e lhe lambiam o rosto. Uma espada tinha-lhe sido cravada no coração, e o seu punho de couro estava vivo em chamas. O Pai encontrava-se por baixo, fora o primeiro a cair. Davos viu a mão do Estranho estremecer e enrolar-se enquanto os dedos enegrecidos se desprendiam, um por um, reduzidos a outros tantos carvões em brasa.» pág.129


«Os dothraki chamaram ao cometa shierak qiya, a Estrela que Sangra. Os velhos resmungavam que era um prenúncio do mal, mas Daenerys Targaryen vira-o pela primeira vez na noite em que cremara Khal Drogo, na noite em que os seus dragões despertaram. É o arauto da minha chegada, dizia a si própria enquanto fixava os olhos no céu da noite com o coração cheio de maravilha. Os deuses enviaram-no para me indicar o caminho.» pág.163


«Aqueles que parecem suspeitos são provavelmente inocentes, decidiu. É com os que parecem inocentes que tenho de ter cuidado.» pág.203 



Tinha que homenagear a minha personagem favorita é sem sombra de dúvida o  Tyrion Lannister. Neste livro pelo menos assim foi e espero que continue vamos lá ver se não vai morrer como o meu anterior personagem favorito Ned Stark.

Boas leituras!


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Minha opinião sobre o livro "A Muralha de Gelo" do Escritor George R.R. Martin

A Muralha de Gelo
As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro Dois
de George R.R. Martin; 
Tradução: Jorge Candeias
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 416
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896370206
Coleção: As Crónicas de Gelo e Fogo
Preço: 19.03 euros

Comecei a ler:10-05-2015
Terminei de ler:15-05-2015

Sinopse:

«Estes são tempos negros para Robert Baratheon, rei dos Sete Reinos. Do outro lado do mar, uma imensa horda de selvagens organizou-se para invadir o seu reino. À frente deles está Daenerys Targaryen, a última herdeira da dinastia que Robert massacrou para conquistar o trono. E os Targaryen são famosos pelo seu rancor e crueldade... Mais perto, para lá da muralha de gelo que se estende a norte, uma força misteriosa manifesta-se de maneira sobrenatural. E quem vive à sombra da muralha não tem dúvidas: os Outros vêm aí e o que trazem é bem pior do que a própria morte... Ainda mais perto, na Corte, as conspirações continuam. O ódio entre as várias Casas aumenta e desta vez o sangue vai jorrar. E quando parece que nada pode piorar, o rei é ferido mortalmente numa caçada. Terá sido um acidente ou um assassinato? Seja como for, uma coisa é certa: a guerra civil vem aí!» retirado do site wook 

«George R.R. Martin prova porque é o maior escritor de fantasia da actualidade. Com uma imaginação poderosa, escrita inteligente e personagens cativantes, volta a deixar o leitor rendido e a ansiar por mais. Se gosta de um romance histórico épico, de um thriller arrepiante, de uma aventura emocionante, de uma fantasia credível e, em suma, de uma grande leitura... então este livro é para si.» retirado do site wook

Vídeo inside Game of Thrones HD:

Minha opinião: 

Antes de começar a falar propriamente do livro e da saga gostava de referir em jeito de critica que os dois primeiros volumes na versão original, eram só um livro, eu sei que talvez fosse um calhamaço mas certamente seria uma saga mais barata do que é. Pois desta forma, em portugal temos 10 volumes quando em outros países como estados unidos da américa têm cinco volumes. Deixo aqui um pequeno apelo se é que vai dar em alguma coisa, às editoras, ler já é caro e a fazerem jogos destes ainda mais caro é, depois dizem que não se compram livros em portugal. Se os estados unidos da américa que é um conjunto de estados com um nível de vida muito superior ao nosso eles não dividiram o livro inicial, até na inglaterra, não dividiram vão dividir num país como o nosso?!

ATENÇÃO CONTÉM SPOILERS 

Bom o que dizer sobre este segundo volume "A Muralha de Gelo" da saga "As Crónicas do Fogo e do Gelo" de Martin, muito sinceramente não sei o que dizer, a não ser que foi mais um livro brilhante da saga.

Mais uma vez o livro começa com um capítulo brilhante, não desmerecendo os restantes, pois o livro é todo ele brilhante, mas eu gostei especialmente de conhecer melhor esta personagem Daenerys


Do outro lado do mar estreito, longe do continente de Westeros, vai-se desenrolar outra parte importante da saga As Crónicas do Gelo e do Fogo, que tem como protagonista Daenerys Targaryen, também conhecida como Filha da Tormenta. Ela é filha de Aerys II Targaryen, o segundo de seu nome, e antigo rei dos Sete Reinos, conhecido por o Rei Louco. Foi morto por Jaime Lannister durante o Saque de Porto Real.


Daenerys tem um irmão vivo, dado que os outros dois morreram durante o saque a Porto Real, que se chama Viserys Targaryen, chamado o Rei Pedinte, estes são os últimos Targaryens existentes. Após a rebelião de Robert, que acabou por destronar o  Rei Louco, os dois irmãos conseguiram fugira à ira de Robert, e agora andam pelas Cidades Livres em busca de um exército para recuperarem o que eles acham ser deles por direito, o Trono de Ferro em Porto Real.

Daenerys foi acolhida por Illyrio Mopatis, um homem rico da Cidade Livre de Pentos, e prometida a Khal Drogo, um líder guerreiro dos Dothrakis, que em troca do casamento, promete um exército de milhares de guerreiros. 
No casamento de Daenerys, o cavaleiro exilado, Sor Jorah Mormont, promete os seus serviços à nova khaleesi. Como presentes de casamento, o próprio Magíster Illyrio Mopatis oferece três ovos de Dragão para Dany, e ainda três aias, que são elas: Doreah, Irri e Jhiqui. 
Será de salientar que "os Targaryen são sangue do dragão, descendentes dos grandes senhores da antiga Cidade de Valíria, exibindo a sua beleza notável (alguns diriam inumana), com olhos lilás, índigo ou violeta e cabelo de ouro-prata ou branco platinado... O lema dos Targaryen é Fogo e Sangue." pág. 414
Khal Drogo e Daenerys (Dany)
A relação entre Dany e o seu irmão no início é de completa submissão contudo ao longo do desenrolar da história vemos que com o casamento ela começa a bater de frente com o seu irmão, deixando de se mostrar tão frágil e submissa. 
Com o passar do tempo Dany descobre que está grávida, e numa cerimónia na cidade sagrada de Vaes Dohtrak, ela descobre que o seu filho está profetizado a ser o garanhão que irá montar o mundo. É incrível a forma como Martin narra estas tradições, o modo como é feita esta cerimónia é arrepiante e ao mesmo tempo maravilhosa. Esta é uma das partes do livro que mais gostei.

Viserys acaba sendo traído pela sua própria ganância de poder, ao exigir a Khal Drogo que este o coroe, empunhando uma espada, o que quebra as leis dos Dohtrakis da Cidade Sagrada, Drogo acaba por coroá-lo com um banho de ouro derretido, o que acaba por causar a morte imediata do único irmão de Dany.


Drogo nunca mostrou grande interesse em cruzar o Mar Estreito para recuperar o Trono de Ferro, mas após uma tentativa falhada de assassinato de Dany, Drogo muda de opinião e decide fazer a travessia. Contudo, após um saque a uma pequena cidade, Drogo acaba por ficar ferido, e Dany pede para que uma das suas escravas tida como bruxa, feiticeira ou maegi, pelos companheiros do khalasar, trate dos ferimentos do seu marido. No entanto, contra tudo o que era esperado, os ferimentos de Drogo pioram e Dany pede para que a maegi faça um ritual de sangue para salvar a vida do seu Khal. Mas a a maegi, Mirri Maz Duur, trai a confiança de Dany e deixa Drogo em estado vegetativo, além de ter feito Dany perder o seu filho Rhaego.

Khal Drogo e Dany 

Tendo em conta o sofrimento do seu Khal, Dany decide ser ela mesma a matar o Drogo para que ele não sofra mais. Mas isto cria uma revolta por parte do Khalasar que resolve abandoná-la. Perante este acontecimento Dany faz o funeral de Khal Drogo em uma pira (é uma estrutura, em geral feita de madeira, onde se queima o corpo humano como parte de um ritual funerário, também chamada de pira funerária ). Nessa mesma pira Dany sentencia Mirri Maz Duur à morte. Dany entra nas chamas da pira com os três ovos de Dragão acabando por chocar todos.
  
Em Porto Real o rei Robert perdoa Ned pela sua desistência do cargo, e o nomeia novamente como Mão do Rei. Após a volta ao cargo, Ned precisa de se sentar no Trono de Ferro para substituir o Rei pois este foi para a caça. Lord Stark (Ned) vai então ouvir as súplicas do povo, e ao saber dos feitos de Sor Georgor Clegane, A Montanha, nas terras fluviais, Lord Stark envia Berric Dondarrin e Thoros de Myr, além de alguns cavaleiros e membros da sua própria guarda para que o tragam para receber a justiça do rei. Ned também enviou uma carta a Lord Tywin Lannister intimidando-o a comparecer ao Trono de Ferro.

Já no primeiro volume Ned andava a pesquisar um livro que o seu anterior Mão do rei andava a ler antes de morrer, e investigando o livro das casas e suas gerações, Ned acaba por descobrir que os três filhos legítimos de Robert, na verdade são produto de incesto entre a Rainha Cersei e o seu irmão gémeo, Sor Jaime Lannister. Ned chama a rainha e confronta-a com tal fato e ela admite ser verdade e ele diz que irá contar ao rei sobre a sua descoberta, e que o melhor é que ela fuja antes que a fúria do rei Robert a alcance. 

Neste segundo volume que começam as lutas, e diga-se de passagem que não são poucas, Martin não poupa o leitor aos pormenores surdidos, muitas cabeças cortadas, muito sangue e muitas mortes. Mas as guerras são mesmo assim, cheias de sangue e de mortes. Neste volume ocorre a morte do rei dos Sete Reinos, Robert Baratheon e por consequência temos as disputas pelo trono.


Ao saber que o rei Robert morreu, Ned convoca o pequeno conselho. Ele fica a saber que Renly Baratheon fugiu de Porto Real junto com Sor Loras Tyrell, o Cavaleiro das Flores. Ned pede a Sor Barristan que leia o documento que o rei no seu leito de morte pediu para Ned escrever e que o rei assinou, nomeando Ned como Protector do Reino. Logo de seguida Ned é convocado à sala do trono pelo rei Joffrey e a rainha Cersei. Esta rasga a carta que o rei tinha pedido para Ned escrever e ordena que Ned seja preso por trair a rainha e o atual rei.


Agora sim vamos entrar na verdadeira luta pelo Trono de Ferro, isto porque Robb Stark ao saber da prisão do seu pai, reúne os seus vassalos que tinham juramentado à casa Stark para investir contra a casa Lannister e o cerco que se fechou ao redor de Correrrio, Castelo da casa Tully. Para chegar ao Correrrio Catelyn Stark tem que fazer um acordo com Lord Walder Frey, o Senhor da Travessia, que governa as Gémeas. O acordo implica as condições de casamento de Robb Stark e de Arya Stark com filhos do mesmo. Após o acerto do acordo, Robb Stark e o seu exército deslocam-se em direção aos exércitos de Lannister e após um plano muito bem elaborado, eles conseguem quebrar as três divisões Lannister que cercavam o Correrrio e também capturam Jaime Lannister.

Jaime Lannister 


Jaime Lannister prisioneiro



















Robb Stark



Pouco ou nada falei de Sansa Stark e Arya Stark, pois neste segundo volume o papel delas é pouco ou nada desenvolvido, daí não me referir muito a estas personagens, contudo tenho a certeza que nos próximos livros desta saga devem dar muito que falar.

Em relação a Ned Stark ou Eddard Stark que é a mesma personagem, ele está preso numa masmorra e é aconselhado por Lord Varys, conhecido como A Aranha, a assumir a traição para desta forma poder preservar a vida das suas filhas. Ao ser levado para o septo de Baelor para confessar os seus crimes, Ned opta pela segurança das suas filhas e assume a traição, que nunca foi feita na realidade, pedindo misericórdia. Infelizmente o Rei Joffrey Baratheon não tem misericórdia e manda decapitar o traidor, enquanto isso, Sansa Stark observa e assiste a tudo.

Na Patrulha da Noite Jon, O bastardo, é nomeado intendente o que o deixa muito revoltado, mas vai ser intendente do Senhor Comandante Jeor Mormont, que inclusive acaba por lhe dar a sua espada passada de geração em geração chamada Garralonga.
Jon Snow
Em jeito de resumo temos no final desta leitura Robb Stark nomeado Rei do Norte, pelos seus vassalos em juramento. Tyrion é mandado para Porto Real para servir como nova Mão do Rei. Jon Snow é convocado para ir atrás do paradeiro do seu tio Benjen Stark que está desaparecido, e também descobrir o que está a acontecer para lá da muralha. Arya Stark consegue fugir de Porto Real com Yoren da Patrulha da Noite. Sansa Stark fica  em Porto Real como cativa e ainda prometida ao Rei Joffrey. Bran Stark continua em Winterfell assumindo o papel de Lord de Winterfell. Daenerys Targaryen termina com os seus três novos dragões nascidos.


Uma imagem vale mais que mil palavras e quando encontrei esta imagem ela traduziu exatamente o que eu sinto que o escritor faz com as personagens da saga, cria personagens incríveis pelas quais nos apaixonamos e depois cria um enredo de tal forma bem estruturado, que acaba por levar à morte dessas personagens. Ele tal como no carton brinca com a vida e a morte das personagens mas não deixa tiras soltas tudo fica muito bem contado e enredado. O que é mais um ponto a favor deste escritor brilhante. 

Boas leituras ... não deixem de ler esta saga é uma delicia para a alma.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Minha opinião sobre o livro _ A Guerra dos Tronos_ de George R.R. Martin


A Guerra dos Tronos
As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro Um
de George R.R. Martin;
Tradução: Jorge Candeias
 O único livro de fantasia a atingir o 1º lugar do top do New York Times e do The Wall Street Journal.
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 400
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896370107
Coleção: As Crónicas de Gelo e Fogo
Preço:19,03 euros
Comecei a leitura:03-05-2015
Terminei a leitura:07-05-2015
Sinopse:
«Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo. 
Uma galeria de personagens brilhantes dá vida a esta saga: o anão Tyrion, ovelha negra do clã Lannister; Jon Snow, bastardo de Eddard Stark que decide juntar-se à Patrulha da Noite, e a princesa Daenerys Targaryen, da dinastia que reinou antes de Robert, que pretende ressuscitar os dragões do passado para recuperar o trono, custe o que custar.»retirado do site wook

Críticas de imprensa:

"A melhor fantasia dos últimos 50 anos." 
The Denver Post

"George R.R. Martin apresenta um mundo vibrante e real, personagens soberbamente construídas, enredos complexos mas coerentes, descrições de cortar a respiração e uma prosa muito acima daquilo a que o género nos habituou." AMAZON.COM

"Agarra-nos e nunca mais larga. Brilhante!" Robert Jordan

"Martin tem a capacidade de nos arrebatar de uma forma que os outros autores de fantasia não conseguem, talvez porque também não tenham a sua capacidade para desenvolver personagens. Seja nas sangrentas cenas de batalhas ou nos retratos íntimos dos laços familiares, A Guerra dos Tronos possui uma força crua e emocional que não nos deixa indiferentes. Martin também dispensa todos os clichés tolkianos, como elfos, espadas mágicas e dark lords, focando-se antes em pessoas reais e apenas sugerindo o sobrenatural. Acredite: A Guerra dos Tronos é a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o Anel" SF REVIEWS.NET 

Trailer:


Ned Stark
Minha opinião:
Este não foi o primeiro livro que tive o prazer de ler do escritor Martin, levada pela curiosidade já li em abril deste ano "A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister", livro este que consta de pequenas frases do próprio Tyrion ao longo da Saga As Crónicas do Gelo e do Fogo.

Desde já devo referir que comecei a ler esta saga graças à Maratona proposta pela Cláudia do blogue A Mulher que ama livros e em boa hora que aderi a esta maratona literária, pois já tinha estes livros aqui em casa há montes de tempo e nem sonhava o que estava a perder.

A Guerra dos Tronos é o primeiro livro da Saga As Crónicas do Gelo e do Fogo, que contam as histórias das casas nobres dos sete reinos de Westeros, que lutam pelo trono de ferro, símbolo de poder e do domínio de um único rei sobre os demais continentes. São as histórias maquiavelicas destas casas que fazem a história deste e suponho que dos outros livros. O jogo dos membros destas famílias pelo poder, é que vai influenciar o enredo do livro de Martin, fazendo com que eu começa-se a ler um capítulo e não imagina-se como este iria acabar.  

Este livro tem uma coisa muito boa que ajudou-me muito a entrar na história, cada capítulo tem como título o nome de uma das personagens, mostrando o seu ponto de vista dos acontecimentos, com as características de cada uma delas, muito bem demarcadas pelo escritor. A escrita é fácil, mas a forma como as informações nos são fornecidas não é muito católica, por isso temos que ter um pouco de paciência e perseverança inicialmente para nos apaixonar-mos pelo livro. Isto porque são muitos acontecimentos, tanto no presente como no passado longínquo, podem não parecer relevantes mas são importantes para a história de Westeros. 

Ao princípio o livro não me pareceu muito fácil de acompanhar, tive de tirar anotações, para o meu caderninho. São capítulos onde se desenrolam grandes diálogos e todos os capítulos e diálogos são recheados de mensagens escondidas nas entrelinhas. É quase que impossível o leitor, pelo menos para mim foi, não se deliciar com as tiradas de Tyrion, Varys ou até mesmo Mindinho, sempre com as suas línguas tão afiadas.

Devo referir que me apaixonei pela história logo no prólogo, achei muito bem conseguido e atraiu-me bastante para a leitura do livro.

Um aspecto que achei excelente por parte do escritor, foi para além do mapa, ter colocado no final do livro quase que uma árvore genealógica das principais famílias o que me ajudou bastante ao longo da leitura.

Este livro começa por contar a história da família Stark, que mora no Norte de Westeros, mais especificamente em Winterfell. É por meio dos Stark que acompanhamos grande parte da história deste primeiro livro. Lord Eddard, também conhecido por Ned, é um homem preocupado com o bem estar do seu povo e que acima de tudo preza a sua honra, sempre assim foi. Os Stark são uma família antiga nobre, Eddard é casado com Catelyn e tem seis filhos, sendo eles: Rob, Ran, Sansa, Arya, Rickon e o bastardo Jon Snow.

O Rei Robert, um grande amigo de juventude de Ned, desloca-se até Winterfell para lhe propor algo, a que Eddard não pode recusar, vendo-se obrigado a deixar o castelo de Winterfell, no norte, e seguir rumo ao sul para a capital do reino, Porto Real. Aqui Eddard  vai tornar-se Mão do Rei e assumir as responsabilidades de Robert Baratheon, que tem uma vida entregue à bebida e às mulheres da má vida-rameiras-, sem se dar conta da existência de uma grande rede de intrigas em seu redor.

Em paralelo a estes acontecimentos, para lá do mar estreito, na Cidade Livre de Pentos, temos Viserys e Daenerys, os últimos descendentes de Aeryn II, rei que foi morto por Jaime Lannister e substituído por Robert Baratheon. Viserys, com a sua franca loucura de recuperar o trono, vende a sua irmã para o tenebroso Kahl Drogo, chefe dos dothraki, com a intenção de obter como moeda de troca um exército muito forte para invadir Westeros Sul e recuperar o trono de ferro para si.

Eddard Stark é um homem bom por natureza, é o único que se mantém incorruptível, mesmo diante todas as pressões e tentações que é obrigado a suportar ao assumir a sua posição de Mão do Rei. Não se deixa seduzir pelo poder, o poder parece causar uma certa aversão a Eddard. Mas a sua tarefa é ainda mais difícil, pois para além de ser a Mão do Rei, tem que cuidar das suas próprias filhas, Sansa e Arya, que foi uma opção familiar leva-las com ele para as terras do rei.

Sansa é vaidosa, fútil e uma sonhadora. No fundo corresponde àquilo que todos querem para as mulheres nascidas em Westeros.
Arya é o oposto da sua irmã, é muitas vezes confundida com um rapaz, gosta de espadas, de guerra, lutas e não sonha em ser uma dama. É violenta, agressiva e vingativa e faz só aquilo que realmente quer.
Claro que adorei Arya tem uma personalidade forte e consegue sempre surpreender-me ao longo do livro, ao passo que Sansa é insossa e superficial.  

O filho bastardo, Jon Snow, apesar de ser tratado como um irmão por todos, menos por Sansa, é odiado pela sua madrasta Catelyn e cedo compreende que não existe lugar para ele em Winterfell, por isso decide ir para a Patrulha da Noite. Então lá precisa de se desligar definitivamente da sua família e do seu passado e aceitar as críticas e as ordens dos seus companheiros e lutar consigo próprio.

Bran é uma criança que rapidamente aprendi a gostar e a detestar os irmãos gémeos Lannister. Tal como o seu irmão bastardo, ele vai ter de aprender a lidar com a sua nova condição, com o conflito existente na sua mente causado pelo confronto das histórias que a velha Ama lhe conta e os ensinamentos que Meistre Luwin lhe transmite. Para além de esta carga emocional toda que carrega, tem de assumir o papel de pai do seu irmão mais novo, Rickon e tentar controlar o seu espírito intempestivo.

Catelyn é uma mãe protectora, faz de tudo para tentar ter a sua família em seu redor. Muitas são as preocupações com os seus filhos, principalmente com Bran, a quem dedica uma grande parte do seu tempo. "Abandonado-o" somente quando parte numa busca desalmada para tentar descobrir quem deixou o seu filho naquele estado. Ela vai seguindo pistas deixadas pela sua irmã Lisa Arryn, a viúva do anterior Mão do Rei, que a sua irmã pensa ter sido assassinado.

Rob como irmão mais velho toma o lugar do pai quando este parte para o reino do sul, logo tem muito pouco tempo para dedicar à família e dedica todo o seu tempo aos afazeres de Winterfell.

Como se pode ver as personagens estão em grande destaque devido a todas elas serem muito bem construídas, com características muito próprias. Nenhuma delas é perfeita, ao contrário, possuem falhas, medos, limitações e são capazes de qualquer coisa, de surpreender e lutar pelo melhor para si. A maioria das personagens pode-se dizer que começa como um estereótipo mas à medida que vão crescendo, na própria narrativa, vão tornar-se singulares o que acaba por passar quase que despercebido devido à forma como tudo é bem trabalhado pelo escritor.

Um outro ponto que não posso deixar de referir, e que para mim é um ponto alto da história é que a magia e as criaturas fantásticas estão ali, só que não são tratadas de uma maneira misteriosa, quase como as lendas antigas do nosso Portugal.

O desencontro de informações, a precariedade da vida quase sem dignidade e as guerras feitas por garotos, cuja expectativa é tão curta quanto o alcance das suas espadas. Tudo isto faz parte do enredo e tempero da Guerra dos Tronos que tanto a disputa na trama quanto o próprio livro só permite dois resultados: ou ganha, ou morre.

Um aspecto que me saltou à vista foi a inexistência de qualquer capítulo dedicado à rainha ou ao seu irmão gémeo, tinha gostado de ver os seus pontos de vista. Quem sabe no próximo volume não estarão mais presentes.

Não poderia deixar de referir Tyrion Lannister que é a típica personificação do anti-herói. A sua ironia foi a melhor maneira que arranjou para lidar com as constantes decepções por que passou ao longo da sua vida. Irmão mais novo dos Lannister, é culpado pelo seu pai e irmãos mais velhos, pela morte da sua mãe, quando esta lhe deu à luz. Parece que ninguém o ama ou simpatiza com ele. Por vezes até mesmo eu como leitora me senti desnorteada com as suas atitudes, até que compreendi que ele nada tem a ver com o resto da sua família. Embora possa parecer uma personagem má, Tyrion é apenas um incompreendido, mas é corajoso e lá no fundo só procura alguém que o aceite como ele é e o ame. Embora ele próprio não goste de si, daí ir sempre em busca de pessoas consideradas tão "baixas" quanto ele, prostitutas, selvagens, ladrões. Contudo eu gosto dele pois é o único com coragem para fazer frente a personagens que não tenho grande apreso, como é o caso da rainha sua irmã Cersei e o gémeo Jamie.

Eu sei foi uma opinião muito grande mas para um livro destes tinha que fazer algo em grande, pois merece.
Descobri uma saga brilhante e um escritor estrondoso, George R.R. Martin ficará para a história pela sua capacidade de criar personagens reais, lhes dar vida e de a tirar sem qualquer ressentimento.  


Robert Baratheon & Ned Stark
   
Tyrion Lannister
Lobo gigante de Jon

Excertos:
"Nunca te esqueças de quem és, porque de certeza que o mundo não o fará. Faz disso a tua força. Assim não poderá ser nunca a tua fraqueza. Arma-te com essa lembrança, e nunca poderá ser usada para te magoar." pág.58

"...eu tenho mente...e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada.-Tyrion deu uma palmada na capa de couro do livro. - É por isso que leio tanto, Jon Snow." pág.118

Boa leitura...vão adorar, tenho a certeza quase absoluta.