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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Minha opinião sobre o livro _ A Guerra dos Tronos_ de George R.R. Martin


A Guerra dos Tronos
As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro Um
de George R.R. Martin;
Tradução: Jorge Candeias
 O único livro de fantasia a atingir o 1º lugar do top do New York Times e do The Wall Street Journal.
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 400
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896370107
Coleção: As Crónicas de Gelo e Fogo
Preço:19,03 euros
Comecei a leitura:03-05-2015
Terminei a leitura:07-05-2015
Sinopse:
«Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, recebe a visita do velho amigo, o rei Robert Baratheon, está longe de adivinhar que a sua vida, e a da sua família, está prestes a entrar numa espiral de tragédia, conspiração e morte. Durante a estadia, o rei convida Eddard a mudar-se para a corte e a assumir a prestigiada posição de Mão do Rei. Este aceita, mas apenas porque desconfia que o anterior detentor desse título foi envenenado pela própria rainha: uma cruel manipuladora do clã Lannister. Assim, perto do rei, Eddard tem esperança de o proteger da rainha. Mas ter os Lannister como inimigos é fatal: a ambição dessa família não tem limites e o rei corre um perigo muito maior do que Eddard temia! Sozinho na corte, Eddard também se apercebe que a sua vida nada vale. E até a sua família, longe no norte, pode estar em perigo. 
Uma galeria de personagens brilhantes dá vida a esta saga: o anão Tyrion, ovelha negra do clã Lannister; Jon Snow, bastardo de Eddard Stark que decide juntar-se à Patrulha da Noite, e a princesa Daenerys Targaryen, da dinastia que reinou antes de Robert, que pretende ressuscitar os dragões do passado para recuperar o trono, custe o que custar.»retirado do site wook

Críticas de imprensa:

"A melhor fantasia dos últimos 50 anos." 
The Denver Post

"George R.R. Martin apresenta um mundo vibrante e real, personagens soberbamente construídas, enredos complexos mas coerentes, descrições de cortar a respiração e uma prosa muito acima daquilo a que o género nos habituou." AMAZON.COM

"Agarra-nos e nunca mais larga. Brilhante!" Robert Jordan

"Martin tem a capacidade de nos arrebatar de uma forma que os outros autores de fantasia não conseguem, talvez porque também não tenham a sua capacidade para desenvolver personagens. Seja nas sangrentas cenas de batalhas ou nos retratos íntimos dos laços familiares, A Guerra dos Tronos possui uma força crua e emocional que não nos deixa indiferentes. Martin também dispensa todos os clichés tolkianos, como elfos, espadas mágicas e dark lords, focando-se antes em pessoas reais e apenas sugerindo o sobrenatural. Acredite: A Guerra dos Tronos é a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o Anel" SF REVIEWS.NET 

Trailer:


Ned Stark
Minha opinião:
Este não foi o primeiro livro que tive o prazer de ler do escritor Martin, levada pela curiosidade já li em abril deste ano "A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister", livro este que consta de pequenas frases do próprio Tyrion ao longo da Saga As Crónicas do Gelo e do Fogo.

Desde já devo referir que comecei a ler esta saga graças à Maratona proposta pela Cláudia do blogue A Mulher que ama livros e em boa hora que aderi a esta maratona literária, pois já tinha estes livros aqui em casa há montes de tempo e nem sonhava o que estava a perder.

A Guerra dos Tronos é o primeiro livro da Saga As Crónicas do Gelo e do Fogo, que contam as histórias das casas nobres dos sete reinos de Westeros, que lutam pelo trono de ferro, símbolo de poder e do domínio de um único rei sobre os demais continentes. São as histórias maquiavelicas destas casas que fazem a história deste e suponho que dos outros livros. O jogo dos membros destas famílias pelo poder, é que vai influenciar o enredo do livro de Martin, fazendo com que eu começa-se a ler um capítulo e não imagina-se como este iria acabar.  

Este livro tem uma coisa muito boa que ajudou-me muito a entrar na história, cada capítulo tem como título o nome de uma das personagens, mostrando o seu ponto de vista dos acontecimentos, com as características de cada uma delas, muito bem demarcadas pelo escritor. A escrita é fácil, mas a forma como as informações nos são fornecidas não é muito católica, por isso temos que ter um pouco de paciência e perseverança inicialmente para nos apaixonar-mos pelo livro. Isto porque são muitos acontecimentos, tanto no presente como no passado longínquo, podem não parecer relevantes mas são importantes para a história de Westeros. 

Ao princípio o livro não me pareceu muito fácil de acompanhar, tive de tirar anotações, para o meu caderninho. São capítulos onde se desenrolam grandes diálogos e todos os capítulos e diálogos são recheados de mensagens escondidas nas entrelinhas. É quase que impossível o leitor, pelo menos para mim foi, não se deliciar com as tiradas de Tyrion, Varys ou até mesmo Mindinho, sempre com as suas línguas tão afiadas.

Devo referir que me apaixonei pela história logo no prólogo, achei muito bem conseguido e atraiu-me bastante para a leitura do livro.

Um aspecto que achei excelente por parte do escritor, foi para além do mapa, ter colocado no final do livro quase que uma árvore genealógica das principais famílias o que me ajudou bastante ao longo da leitura.

Este livro começa por contar a história da família Stark, que mora no Norte de Westeros, mais especificamente em Winterfell. É por meio dos Stark que acompanhamos grande parte da história deste primeiro livro. Lord Eddard, também conhecido por Ned, é um homem preocupado com o bem estar do seu povo e que acima de tudo preza a sua honra, sempre assim foi. Os Stark são uma família antiga nobre, Eddard é casado com Catelyn e tem seis filhos, sendo eles: Rob, Ran, Sansa, Arya, Rickon e o bastardo Jon Snow.

O Rei Robert, um grande amigo de juventude de Ned, desloca-se até Winterfell para lhe propor algo, a que Eddard não pode recusar, vendo-se obrigado a deixar o castelo de Winterfell, no norte, e seguir rumo ao sul para a capital do reino, Porto Real. Aqui Eddard  vai tornar-se Mão do Rei e assumir as responsabilidades de Robert Baratheon, que tem uma vida entregue à bebida e às mulheres da má vida-rameiras-, sem se dar conta da existência de uma grande rede de intrigas em seu redor.

Em paralelo a estes acontecimentos, para lá do mar estreito, na Cidade Livre de Pentos, temos Viserys e Daenerys, os últimos descendentes de Aeryn II, rei que foi morto por Jaime Lannister e substituído por Robert Baratheon. Viserys, com a sua franca loucura de recuperar o trono, vende a sua irmã para o tenebroso Kahl Drogo, chefe dos dothraki, com a intenção de obter como moeda de troca um exército muito forte para invadir Westeros Sul e recuperar o trono de ferro para si.

Eddard Stark é um homem bom por natureza, é o único que se mantém incorruptível, mesmo diante todas as pressões e tentações que é obrigado a suportar ao assumir a sua posição de Mão do Rei. Não se deixa seduzir pelo poder, o poder parece causar uma certa aversão a Eddard. Mas a sua tarefa é ainda mais difícil, pois para além de ser a Mão do Rei, tem que cuidar das suas próprias filhas, Sansa e Arya, que foi uma opção familiar leva-las com ele para as terras do rei.

Sansa é vaidosa, fútil e uma sonhadora. No fundo corresponde àquilo que todos querem para as mulheres nascidas em Westeros.
Arya é o oposto da sua irmã, é muitas vezes confundida com um rapaz, gosta de espadas, de guerra, lutas e não sonha em ser uma dama. É violenta, agressiva e vingativa e faz só aquilo que realmente quer.
Claro que adorei Arya tem uma personalidade forte e consegue sempre surpreender-me ao longo do livro, ao passo que Sansa é insossa e superficial.  

O filho bastardo, Jon Snow, apesar de ser tratado como um irmão por todos, menos por Sansa, é odiado pela sua madrasta Catelyn e cedo compreende que não existe lugar para ele em Winterfell, por isso decide ir para a Patrulha da Noite. Então lá precisa de se desligar definitivamente da sua família e do seu passado e aceitar as críticas e as ordens dos seus companheiros e lutar consigo próprio.

Bran é uma criança que rapidamente aprendi a gostar e a detestar os irmãos gémeos Lannister. Tal como o seu irmão bastardo, ele vai ter de aprender a lidar com a sua nova condição, com o conflito existente na sua mente causado pelo confronto das histórias que a velha Ama lhe conta e os ensinamentos que Meistre Luwin lhe transmite. Para além de esta carga emocional toda que carrega, tem de assumir o papel de pai do seu irmão mais novo, Rickon e tentar controlar o seu espírito intempestivo.

Catelyn é uma mãe protectora, faz de tudo para tentar ter a sua família em seu redor. Muitas são as preocupações com os seus filhos, principalmente com Bran, a quem dedica uma grande parte do seu tempo. "Abandonado-o" somente quando parte numa busca desalmada para tentar descobrir quem deixou o seu filho naquele estado. Ela vai seguindo pistas deixadas pela sua irmã Lisa Arryn, a viúva do anterior Mão do Rei, que a sua irmã pensa ter sido assassinado.

Rob como irmão mais velho toma o lugar do pai quando este parte para o reino do sul, logo tem muito pouco tempo para dedicar à família e dedica todo o seu tempo aos afazeres de Winterfell.

Como se pode ver as personagens estão em grande destaque devido a todas elas serem muito bem construídas, com características muito próprias. Nenhuma delas é perfeita, ao contrário, possuem falhas, medos, limitações e são capazes de qualquer coisa, de surpreender e lutar pelo melhor para si. A maioria das personagens pode-se dizer que começa como um estereótipo mas à medida que vão crescendo, na própria narrativa, vão tornar-se singulares o que acaba por passar quase que despercebido devido à forma como tudo é bem trabalhado pelo escritor.

Um outro ponto que não posso deixar de referir, e que para mim é um ponto alto da história é que a magia e as criaturas fantásticas estão ali, só que não são tratadas de uma maneira misteriosa, quase como as lendas antigas do nosso Portugal.

O desencontro de informações, a precariedade da vida quase sem dignidade e as guerras feitas por garotos, cuja expectativa é tão curta quanto o alcance das suas espadas. Tudo isto faz parte do enredo e tempero da Guerra dos Tronos que tanto a disputa na trama quanto o próprio livro só permite dois resultados: ou ganha, ou morre.

Um aspecto que me saltou à vista foi a inexistência de qualquer capítulo dedicado à rainha ou ao seu irmão gémeo, tinha gostado de ver os seus pontos de vista. Quem sabe no próximo volume não estarão mais presentes.

Não poderia deixar de referir Tyrion Lannister que é a típica personificação do anti-herói. A sua ironia foi a melhor maneira que arranjou para lidar com as constantes decepções por que passou ao longo da sua vida. Irmão mais novo dos Lannister, é culpado pelo seu pai e irmãos mais velhos, pela morte da sua mãe, quando esta lhe deu à luz. Parece que ninguém o ama ou simpatiza com ele. Por vezes até mesmo eu como leitora me senti desnorteada com as suas atitudes, até que compreendi que ele nada tem a ver com o resto da sua família. Embora possa parecer uma personagem má, Tyrion é apenas um incompreendido, mas é corajoso e lá no fundo só procura alguém que o aceite como ele é e o ame. Embora ele próprio não goste de si, daí ir sempre em busca de pessoas consideradas tão "baixas" quanto ele, prostitutas, selvagens, ladrões. Contudo eu gosto dele pois é o único com coragem para fazer frente a personagens que não tenho grande apreso, como é o caso da rainha sua irmã Cersei e o gémeo Jamie.

Eu sei foi uma opinião muito grande mas para um livro destes tinha que fazer algo em grande, pois merece.
Descobri uma saga brilhante e um escritor estrondoso, George R.R. Martin ficará para a história pela sua capacidade de criar personagens reais, lhes dar vida e de a tirar sem qualquer ressentimento.  


Robert Baratheon & Ned Stark
   
Tyrion Lannister
Lobo gigante de Jon

Excertos:
"Nunca te esqueças de quem és, porque de certeza que o mundo não o fará. Faz disso a tua força. Assim não poderá ser nunca a tua fraqueza. Arma-te com essa lembrança, e nunca poderá ser usada para te magoar." pág.58

"...eu tenho mente...e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada.-Tyrion deu uma palmada na capa de couro do livro. - É por isso que leio tanto, Jon Snow." pág.118

Boa leitura...vão adorar, tenho a certeza quase absoluta.